O que é um superapp? Rappi e Banco Inter estão nesta corrida - WHOW

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O que é um superapp? Rappi e Banco Inter estão nesta corrida

O termo superapp está na moda, mas o que é de fato? O Brasil já tem um superapp para chamar de seu? Esta tendência já é realidade na China

POR Raphael Coraccini | 19/12/2019 10h00 Arte Grupo Padrão (André Ota) Arte Grupo Padrão (André Ota)

Os aplicativos estão mais fortes do que nunca e passam por uma fase de mutação, que promete juntar grandes aplicativos em um único, o chamado superapp, que permite às pessoas terem acessos a serviços diversos em um único ambiente virtual.

O que diferencia um superapp de um marketplace é a variedade de setores dentro desse espaço. Os marketplaces reúnem diversas empresas, mas de um único setor.

O chinês WeChat é o maior aplicativo do mundo e pode ser considerado o responsável pela existência do termo superapp. O aplicativo tem alguns marketplaces dentro dele. Mas antes de chegar nesse tipo de serviço, oferecia serviço de mensagens. Foi assim que ele nasceu.

O aplicativo chinês—que junto com o AliPay (do grupo Alibaba, segundo maior app do mundo)—concentra mais de 90% das transações virtuais na China, reúne, hoje, serviços que vão de jogos online até aplicativos de paquera.

superapps Foto (Pexels)

Banco Inter

Os caminhos para a construção de um superapp são variados. Na China, o WeChat começou como aplicativo de mensagens, passou para pagamentos e depois expandiu para diversos serviços. 

Na América do Sul, o Mercado Livre começou com e-commerce e foi para pagamentos, o caminho oposto do Banco Inter, que iniciou com pagamentos e está expandindo seus serviços para varejo e outros setores da economia real.

Rodrigo Gouveia, diretor de Marketplace do Banco Inter destaca que, além do ponto de partida, outra coisa que separa o WeChat dos aplicativos brasileiros é que a Tencent, empresa que é dona do superapp, é dona também ou tem participação em todos os aplicativos contidos dentro do WeChat.

No Brasil, os aplicativos que pretendem chegarem ao posto de superar funcionam como um hub para soluções de diferentes empresas. 

“Eu brinco que se você for fazer um superapp à moda chinesa no Brasil será o Softbank App Brasil, que traria empresas que estão debaixo do guarda-chuva de um mesmo acionista”, compara o executivo ao lembrar que o banco de investimento japonês tem investimentos em um grande número de startups brasileiras de diferentes segmentos.

Rappi

Gouveia afirma que, no Brasil, o superapp tem sido desenvolvido de outra forma. A Rappi, por exemplo, funciona como um agregador de produtos e serviços e hoje abrange diversas categorias, como restaurantes, farmácias, bebidas e uma série de lojas especializadas.

A intenção da Rappi, segundo Raphael Daolio, diretor de parcerias estratégicas da Rappi, é, “ao agregar produtos e serviços, ser dona de todo processo de transação”, admite ao Whow!. Algo como o WeChat faz, mas sem ter, necessariamente, participação acionária ou posse das soluções da plataforma.

União de startups

Recentemente, a Rappi anunciou parceria com a Grow, o que significa a união de três startups de ramos semelhantes, a Rappi, do delivery, e Grin e Yellow (que se fundiram em uma única empresa) do segmento de mobilidade. 

Meses atrás, seria possível imaginar que Rappi e Grow fossem concorrer por conta do potencial de transversalidade das startups. Mas, em um ambiente de disputas acirradas e em negócios de alta complexidade, a união entre grandes empresas pode fazer a diferença. 

“As startups têm que se ajudar porque é um super desafio conseguir mão de obra e tecnologia para os nossos negócios. A gente acaba se ajudando e cria um network importante para o crescimento mútuo”

Raphael Daolio, diretor de parcerias estratégicas da Rappi, ao Whow!

superapps Foto (Unsplash)

Cruzamento de serviços

O que Rappi e Grow fazem ao unir forças é criar o que pode ser um embrião de um aplicativo ainda mais abrangente. Hoje, é possível alugar veículos elétricos da Grow pelo aplicativo da Rappi. Mas por que não fundir os aplicativos no futuro?

Raphael reconhece que a inspiração da Rappi é o WeChat e que a ideia da startup colombiana é ser a versão latina do app da Tencent. Porém, o executivo destaca o fato de que o planejamento central da economia chinesa torna o mercado chinês um caso único. “Lá, por ser muito fechado, o WeChat consegue ser o dono de tudo, desde a transação até o meio de pagamento e a entrega. É nosso grande espelho, mas aqui tocamos agregando serviços”, avalia.

Outro diferencial da China é a penetração do e-commerce. Lá, 22% das compras já são on-line, enquanto na América Latina, não passa de 5%.

Superapps no Brasil?

Thiago Monsores, CEO da fintech Umclube, afirma que os aplicativos brasileiros como o da Rappi e do Banco Inter, podem, sim, ser chamados de superapps. 

No País, segundo Thiago, um superapp está mais relacionado a juntar players em um espaço virtual comum do que propriamente ter players que pertencem a uma única empresa em um mesmo aplicativo. 

“O conceito de superapp é de trazer facilidade, ainda mais no Brasil, com questões relacionadas à pouca memória dos smartphones e com a dificuldade de ter em um só aparelho aplicativos importantes para diferentes necessidades. A gente vai enxergar muito isso no futuro, com a integração dos apps famosos que conhecemos hoje unidos para acelerar o desenvolvimento”

Thiago Monsores, CEO da Umclube


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