Quando a gente descobre o poder de empreender em comunidade - WHOW

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Quando a gente descobre o poder de empreender em comunidade

Em sua coluna de estreia na Whow!, Laura Gurgel revela sua trajetória com comunidades de empreendedores, desde que criou um espaço de coworking até a digitalização da comunidade na pandemia

POR Laura Gurgel | 19/10/2021 15h12

Dia desses, fui convidada a contar sobre a minha experiência. Coisa simples, como falar sobre a minha história, como foi que a vida me trouxe até onde cheguei. “Coisa simples” foi a frase que ficou marcada na cabeça.

Falar sobre o que a gente já fez e o que quer fazer, nossa trajetória, é sempre coisa simples: a gente conhece a própria história e ninguém sabe melhor do que nós mesmos até onde queremos chegar. “Vai ser fácil”, pensei. E me coloquei a pensar no que queria compartilhar com as pessoas.

Segui meus dias, pensando e selecionando informações. De repente, me dei conta de uma coisa:

Tudo sempre me aconteceu de forma simultânea. Sabe quando uma coisa vai puxando a outra e depois outra e depois mais uma… E quando a gente vê, já virou um grande novelo que tem a nossa cara e a nossa forma? É isso!  E vinha uma questão: como é que vou contar para as pessoas como foi que cheguei até aqui sem dar um nó na cabeça delas? Como explicar que a vida é uma combinação acontecimentos não conectados, que, quando se juntam com as nossas vivências e o momento de vida, fazem a gente mudar de rumo?

E aí, eureka! Achei um fio condutor: pessoas e comunidades. Repensando os últimos anos, desde que abri a minha empresa, notei que esses pontos sempre estiveram muito presentes na trajetória. E construí uma forma bacana de contar como é que cheguei nesse ponto e, ainda mais importante, como é que, de participante de comunidades, me tornei construtora e protetora desta forma de convivência.

Descobri o universo das comunidades – principalmente de empreendedores – em 2014, quando decidi abrir meu próprio negócio: um coworking, uma espécie de condomínio de empresas, onde vários negócios diferentes dividem o mesmo espaço. A partir daí, para entrar no universo de startups e entender como comunidades altamente colaborativas funcionam, foi um salto. Testei um monte de coisas, recebi clientes, que se tornaram amigos e já nem estão no espaço, mas que fazem parte de nossa rede e sempre ajudam quem está no começo. Tem os fornecedores que se tornaram super parceiros, amigos que viraram sócios e mais uma porção de coisas muito bacanas que aconteceram ao longo dos anos.

Para mim, sempre que a gente interage com alguém, seja família, sejam parceiros de negócios, clientes ou amigos, troca um pedacinho nosso por um pedacinho da outra pessoa também.  E esse aprendizado foi longo, muito longo. Foram anos trabalhando em muitas coisas: de monitora em festas de buffet infantil e acampamentos à gestão de atendimento aos clientes e vendas, sempre concentrada na interação com outras pessoas. Percebi, depois de muito tempo que todas as pessoas nos trazem aprendizados, de propósito ou não, e que as relações de confiança podem ser simples de começar, mas precisam ser cultivadas.

Pode ser uma história engraçada – sempre tem o que aprender com elas -, um “causo”, uma novidade, uma confidência ou só a troca de experiências, tudo é algo que devemos ouvir de verdade, devolvendo aquela atenção que está sendo dada a nós quando estamos falando. Isso ficou muito (mais) claro para mim quando decidi empreender.

Então, em 2020, entendi de verdade o poder das comunidades, quando recheadas de bons propósitos: empresas se ajudaram, empreendedores compartilharam conhecimentos, dores e sucessos, e isso permitiu que muitos negócios pudessem sobreviver à pandemia. Amigos fizeram negócios entre si, projetos surgiram e, por aqui, tivemos de digitalizar todos os serviços que era possível. Assim, nasceu um serviço especializado em criação e desenvolvimento de comunidades, para manter empreendedores, corporações, mentores, centros de conhecimento e quem quer que seja que esteja disposto a contribuir cada vez mais conectados.

Conseguimos, mesmo com muitas dificuldades e sem poder receber clientes em nosso espaço, superar os momentos mais tensos da pandemia. Isso também serviu para fortalecer meu propósito: ajudar o maior número possível de empreendedores e espalhar o conceito de comunidade e compartilhamento pelo mundo!

E você? Como é a sua relação com as comunidades com as quais interage?

Especialista em comunidades, com MBA em Business Innovation, Laura Gurgel é responsável pelo time de Community Managers da Soul.Working, com dedicação ao desenvolvimento de comunidades, e do programa de aceleração do Clube de Negócios. Atua como mentora em diversos programas de aceleração (ADESAMPA, Inovativa, Softex) e ministra aulas de empreendedorismo e inovação no MBA da FIAP.