Qual é o futuro dos influenciadores digitais? - WHOW
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Qual é o futuro dos influenciadores digitais?

Painel discute o papel do marketing de influenciadores nos novos negócios e o futuro da profissão. Afinal, eles chegaram para ficar?

POR Carolina Cozer | 12/11/2020 17h21

O estudo The State of Influencer Marketing comprova que 39% dos profissionais do mercado de marketing pretendem aumentar o orçamento quando o assunto são os influenciadores digitais. 

Com um aumento no número de plataformas para a profissão, e com o foco das marcas cada vez mais centrado no cliente, o segmento de trabalho com influenciadores não pode fugir desta mesma temática para o entendimento da coesão entre a ação, marca, produto e influenciador. As principais figuras das redes sociais vão continuar bombando, ou microinfluenciadores vão tomar o poder?

O assunto foi discutido no painel “O futuro dos influenciadores digitais”, no Whow! Festival de Inovação 2020, com participação da mediadora Talita Lombardi, CEO da PrestigyME, e dos palestrantes Cris Catupiry, consultor de marketing de influência, Felipe Moller, fundador da Fábrica de Mentes, Marcos Moraes, CEO do Match Group na América Latina e Nah Gonçalves, fundadora e CEO da Agência DSK.

Influenciadores: será uma novidade passageira?

Como tudo que é novo, fica a dúvida no ar se os influenciadores chegaram para ficar ou, como toda novidade, pode ser uma carreira passageira, que se tornará obsoleta com a chegada de outras novidades.

“Não acho que os influencers vão parar tão cedo. Por exemplo, o TikTok surgiu há muito pouco tempo, e deu um gás na profissão. Amanhã também vão surgir coisas novas para criação de conteúdo, e novos públicos surgirão”, diz consultor de marketing de influência Cris Catupiry ao Whow!. “Agora os influenciadores estão entendendo que eles são empresas, e estão começando a se profissionalizar e cuidar da própria marca. Também começaram a criar seus produtos próprios, como mentorias para os novatos, por exemplo. De agora em diante o mercado vai demandar essas mentorias cada vez mais.”

Para o influenciador e fundador da Fábrica de Mentes Felipe Moller, muitas crianças hoje em dia tem o sonho de serem influenciadores. “Eu mesmo faço esse trabalho de mentoria com minha sobrinha de 12 anos”, conta, compartilhando a sua experiência. “Ter trabalhando em agência de publicidade tive know-how de como organizar pautas e conteúdos. Esse conhecimento foi importante, porque é preciso uma organização muito grande para criar conteúdo. Algo que faço muito é abrir a caixinha de perguntas no Instagram para entender quais são as necessidades do público e criar conteúdo de acordo com isso”, diz. “Eles são meu grande termômetro, e sem eles ficaria preso somente dentro da minha bolha”.

Foco nos valores e no engajamento

Marcos Moraes, CEO do Match Group na América Latina ― empresa responsável por aplicativos de relacionamento, como Tinder ou OKCupid ― diz que as empresas que desejam utilizar o marketing de influenciadores precisam buscar aqueles que façam sentido para a sua marca e missão. “A imagem do influenciador tem que bater com o que a empresa está querendo representar. É preciso observar a realidade do influenciador, seus conteúdos, sua imagem e seus valores. Por exemplo, o Par Perfeito tem uma pegada mais séria, já o Tinder tem uma cara mais de festa, e fizemos uma campanha com a Anitta no Carnaval”, explica.

Nah Gonçalves, fundadora e CEO da Agência DSK ― agência de marketing e influência digital dos Esports ― opina que as marcas nada mais são aquilo que está no coração das pessoas. “Quando vamos desenvolver um projeto de Esports, precisamos pensar como conectar as pessoas de modo orgânico. Para nós, o importante é que um influenciador seja capaz de engajar pessoas, não quantos seguidores ele tem” diz. “Marketing de influenciadores é vender sentimentos através de um produto ou ideia.”

Dicas para empresas

Hoje é difícil encontrar uma grande marca que nunca tenha trabalhado em parceria com algum influenciador. Mas os especialistas do painel opinam que essas parcerias precisam ser feitas com alguns cuidados em mente. “É um erro entender o influenciador como mídia. Ele tem mídia, mas oferece o contato com a comunidade, as conversas, a parte humana. Se uma marca colocar o influencer apenas como mídia, querendo só pegar a audiência dele, vai estar cometendo um erro. Marketing de influenciador é um trabalho de cocriação, das marcas produzirem algo de modo colaborativo”, afirma Catupiry.

De acordo com o CEO do Match Group, as empresas precisam ter a delicadeza de entender o que faz sentido para a marca. “Influenciadores não são atores que fazem propaganda de produto; são pessoas autênticas”, afirma. “É papel da empresa fazer a curadoria dos influenciadores que combinam com a marca. Às vezes influenciadores pequenos que, tenham mais proximidade com a comunidade, podem dar resultado muito melhor que os grandes, que não dão conta de responder os seguidores”, compartilha, afirmando que o Match Group já testou, errou e acertou diversas vezes.

A mediadora e CEO da PrestigyME, Talita Lombardi, conta que já recorreu aos seus seguidores antes de decidir aceitar uma proposta para ser influenciadora: “Uma marca me procurou para fazer a publicidade de um produto concorrente do FreeCô. Perguntei aos meus seguidores se devia aceitar ou não, e eles disseram que não”, comenta. “Então é uma boa ideia que empresas conversem com o público e questionem quais influenciadores eles acham que tem a ver com a sua marca”, sugere.

O futuro do marketing de influenciadores

“O influenciador como marketing está só no começo”, comenta Marcos Moraes. “O quanto se investe nesse segmento no Brasil ainda é muito pouco em comparação com outros países. Então ainda há um espaço muito grande para o setor crescer por aqui”, opina, otimista. “O caminho natural da profissão é o crescimento.”

Para Nah Gonçalves, da DSK, a área de marketing de influenciadores é uma forte tendência para o futuro, devido à demanda por conteúdos mais humanizados. “Estamos identificando uma preferência por conteúdos mais reais durante a pandemia. Ainda não sabemos todas as razões disso, mas certamente há um cunho psicológico e emocional envolvido”, diz. “As pessoas querem narrativas verdadeiras, mais humanas. As pessoas se identificam com coisas reais. Então, no ano que vem, vamos trabalhar muito em cima disso”

Quando as pessoas perguntam para Felipe Moller como começar na profissão de influenciador digital, ele diz que escolheria um nome diferente se pudesse começar hoje. “Se eu pudesse começar hoje na internet, escolheria 100% meu nome de batismo, porque as pessoas querem humanização. É exatamente por isso que as marcas buscam influenciadores ― porque eles humanizam a marca.” 

Para o futuro, Moller acredita que os influencers precisam se profissionalizar como empresas. “Principalmente na parte legal, tudo precisa estar bem estruturado. Precisamos entender que as redes sociais são a nova televisão e que as marcas estão procurando autenticidade”, conclui.


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