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O futuro das energias renováveis no Brasil

As tendências para novas formas de energia no País caminham para colocar o consumidor empoderado e no centro das decisões

POR Adriana Fonseca | 10/11/2020 13h10 O futuro das energias renováveis no Brasil Imagem: Pexels

Colocar o consumidor no centro e dar a ele poder de escolha é um assunto importante no futuro das energias renováveis no Brasil.

Hoje, o País está em posição privilegiada para ser potência de energia renovável no mundo, segundo Carlos Guerra, diretor de inovação, novos negócios e estratégia da Votorantim Energia. Isso é consequência tanto da natureza privilegiada do território nacional como da tecnologia e incentivo do regulador. “O território extenso do Brasil fornece vento e chuva e há potencial de aproveitar muito bem as energias renováveis”, afirma. “No Sul, quando venta muito e chove muito, venta menos no Nordeste. E também ao contrário. Em alguns lugares venta muito à noite, e pode complementar com energia solar de dia.” Segundo o executivo esse ambiente permite ao Brasil aproveitar esses recursos e se posicionar como líder.

“Energia das coisas”

Peter Cabral, expert em mobilidade digital da SingularityU Brazil, que mediou o debate sobre energias renováveis no Whow! Festival de Inovação 2020, questiona se a digitalização tem papel importante nesse processo. “O desafio das fontes renováveis é sua intermitência”, diz Carlos. “Porque não temos certeza de quando vai ventar ou chover. Mas, ao fazer modelos de geração de energia e cruzar com o consumo é possível otimizar o uso”, explica.

Hoje, segundo o diretor de inovação, novos negócios e estratégia da Votorantim Energia, já se fala de “energia das coisas”, pois tudo que flui energia leva dados. “Tudo é monitorado”, afirma. “A inovação vai ser fazer um uso inteligente desses dados.”

Já Guilherme Susteras, sócio-diretor da Sun Mobi, diz que a inovação disruptiva acontece, de fato, quando se busca novos consumidores para o mercado, que não eram atendidos com as soluções anteriores. “Essa inclusão é viabilizada pela digitalização, técnica e economicamente”, diz. “O mundo das energias renováveis que até pouco tempo atrás vinha sendo para grandes empresas e grandes consumidores de energia, quando a gente consegue ultrapassar esse gap que é atingir o consumidor de baixo consumo, aí sim tem uma transformação potencial no mercado.” 

Hoje, segundo Guilherme, 78 milhões de consumidores brasileiros podem ter acesso a energia limpa. “E isso só é possível pela digitalização.” Ele ainda complementa, falando que o armazenamento estacionário nas casas e os veículos elétricos mudam completamente a forma como as pessoas se relacionam com a energia. “Essa é a verdadeira revolução”, afirma. “As pessoas passam a escolher qual energia usar e de que forma. A decisão não é mais tomada em um gabinete.”

Futuro das energias renováveis no Brasil

Luiz Falcone, diretor de regulação da EDP, afirma que, do ponto de vista da regulação, há uma perspectiva positiva para que isso aconteça. “Mas ainda tem muito a se fazer para colocar o consumidor no centro, permitindo a ele escolher entre alternativas com sustentabilidade em toda a cadeia”, diz.  

Segundo o executivo, houve uma série de revoluções nas últimas duas décadas: “Vários modelos que temos hoje não dão o empoderamento do consumidor, a livre escolha. Recentemente, no entanto, começou-se a debater de forma pública e mais intensa o futuro do setor e uma das premissas que está lá é justamente a abertura de mercado, colocando mecanismos que permitam uma abertura maior.”

Ele explica que alguns projetos de lei e medidas provisória em discussão no Brasil trazem os alicerces de segurança jurídica para o crescimento do mercado a partir de um aproveitamento melhor das energias renováveis. 

Por fim, o fundador e CEO da Sunew, Tiago Maranhão Alves, fala que o futuro das energias renováveis depende de se pensar olhando para frente – e não para o passado. “Quando a gente pensa em oportunidade e estratégia, um dos convites que eu faço é a gente pensar em um futuro que os nossos filhos deveriam encarar. O que a gente precisa fazer hoje para acontecer no futuro? As inovações tendem a ser baseadas no passado”, aponta.


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