As tecnologias que devem deslanchar, segundo MIT e Accenture - WHOW

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As tecnologias que devem deslanchar, segundo MIT e Accenture

Conheça as tendências tecnológicas apontadas pelo MIT e Accenture que devem impactar o mercado e mudar a vida das pessoas nos próximos anos

POR Luiza Bravo | 17/03/2020 14h48 Foto ilustrativa (Pixabay) Foto ilustrativa (Pixabay)

Ataques hackers, inteligência artificial, criptomoedas. O futuro está batendo à porta, e cada vez mais é possível ver novas tecnologias ganhando espaço em nossas vidas. A pesquisa Technology Vision 2020, da Accenture, revelou, por exemplo, que 52% dos consumidores dizem que a tecnologia desempenha um papel de destaque ou está enraizada em quase todos os aspectos de seu dia a dia. Outros 19% relataram que a veem como uma extensão de si mesmos.

Um outro levantamento, feito pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), apontou quais as tendências tecnológicas devem se desenvolver ao longo de 2020, gerando novas oportunidades de negócios e novas relações entre as tecnologias e seus consumidores. A seguir, veja os destaques dos dois relatórios e como alguns deles convergem.

Os inúmeros usos das tecnologias

De acordo com a Accenture, 75% dos executivos entrevistados acreditam que dominar a inteligência artificial é fundamental para a sobrevivência de seus negócios.  Batizada de “A Inteligência Artificial e Eu”, essa tendência aponta a necessidade de a tecnologia atuar de forma a complementar as atividades de trabalho, em vez de ser apenas um respaldo para automação. Segundo a consultoria global, à medida que os recursos de IA crescem, as empresas precisam repensar seu trabalho a fim de torná-la parte generativa do processo.

“Executivos pensam em IA  para redução de custos, não como algo para posicionar a empresa de forma diferente. Neste momento, temos a possibilidade de escalar o seu uso, de sair da redução de custos para a criação de valor”

Paulo Ossamu, líder de Technology da Accenture para América Latina, em uma coletiva de imprensa na qual o Whow! esteve presente

Os cientistas estão usando inteligência artificial, por exemplo, para descobrir compostos promissores no desenvolvimento de medicamentos. A tecnologia permite que grandes bancos de dados de moléculas já existentes sejam explorados, e que as informações obtidas gerem novas possibilidades. Isso poderia acelerar e baratear a descoberta de possíveis novos medicamentos. O MIT batizou essa tendência de “Moléculas Descobertas por IA”.

Pesquisadores do Canadá, Reino Unido e dos Estados Unidos já identificaram cerca de 30 mil novas moléculas com propriedades interessantes para a indústria farmacêutica. Seis foram selecionadas para ser sintetizadas e testadas.

A universidade norte-americana aponta também um caminho para o futuro da IA: a “Inteligência Artificial Minúscula”. Gigantes das tecnologias e pesquisadores estão trabalhando em novos algoritmos para reduzir os modelos de machine learning existentes sem perder suas funcionalidades. Enquanto isso, novos chips de IA  prometem acumular mais poder computacional em espaços físicos menores, consumindo muito menos energia.

A IA Minúscula pode tornar dispositivos como assistentes de voz mais rápidos, já que não será mais necessário acessar a nuvem toda vez que precisarem aprender algo novo.

Esses aparelhos, aliás, são o foco de outra tendência apontada pela Accenture: “O Dilema das Coisas Inteligentes”. Segundo a empresa, lidar com essa nova geração de produtos baseados em experiências digitais será cada vez mais fundamental para o sucesso dos negócios. 74% dos executivos ouvidos no levantamento disseram que produtos e serviços conectados em suas empresas passarão por atualizações significativas ao longo dos próximos três anos.

A Accenture também aposta em “Robôs à Solta”: o relatório Technology Vision 2020 diz que o 5G deve acelerar o ritmo de crescimento dessa tendência, e que as empresas precisarão repensar seu futuro pelas lentes da robótica.

Experiências digitais, dados e privacidade

Segundo a consultoria, as empresas que querem se destacar devem trabalhar cada vez mais com seus clientes para criar experiências digitais personalizadas. É o que o relatório chama de “O ‘Eu’ na Experiência”. Os usuários anseiam por serviços customizados, mas ainda têm receio de como suas informações são utilizadas, e precisam se sentir seguros para aderir a eles.

“A confiança é a moeda definitiva na era digital. É preciso proteger as informações de seus clientes “, disse Paul Daugherty, Chief Technology & Innovation Officer da Accenture, durante uma videoconferência global na qual o Whow! esteve presente.

“Há uma lacuna entre a quantidade de informações que as empresas têm e o serviço que prestam. Se você não conseguir criar confiança, os clientes irão para outro lugar onde isso possa ser feito”

Michael Biltz, diretor do Accenture Technology Vision

O MIT Technology Review aponta uma tendência que pode fortalecer essa confiança: a Privacidade Diferencial. Trata-se de uma técnica matemática que enrijece o processo de coleta de dados. O método já é usado pela Apple e Facebook para coletar dados agregados sem identificar usuários específicos. A técnica deve ser adotada pelo governo dos EUA este ano e, se tudo correr bem, provavelmente será usada também por outras agências federais, como a do Canadá e Reino Unido.

tecnologias Foto ilustrativa (Pixabay)

Inovação, computação quântica e internet segura

O estudo da Accenture destaca como uma das tendências para os próximos anos o “DNA da Inovação”, que é baseado em tecnologias digitais maduras, avanços científicos e tecnologias emergentes (como inteligência artificial, realidade aumentada e computação quântica). Segundo a empresa, as empresas podem investir em hubs de inovação, centros de excelência e parcerias para poder injetar constantemente novas habilidades, tecnologias e ideias nessas áreas.

Ossamu acredita que é preciso ser curioso para imprimir um modelo de pensamento para inovação nas empresas, e que a computação quântica vai levar as inovações para outro patamar. “A tecnologia continuará evoluindo. Os consumidores vão avançar e as empresas vão ficar para trás. O mercado muda e as indústria têm que mudar e se adaptar para produzir produtos mais inteligentes e trabalhar junto com consumidor” detalha o líder de Technology da Accenture para América Latina.

O MIT também destaca a “Supremacia Quântica” como tendência a ser consolidada nos próximos anos. Existem computadores quânticos em funcionamento há vários anos, mas foi somente em outubro do ano passado que o Google reivindicou a primeira demonstração da “supremacia quântica”. Um computador com 53 qubits – a unidade básica de computação quântica – fez um cálculo em pouco mais de três minutos que, segundo o Google, o maior supercomputador do mundo levaria 10 mil anos para realizar – 1,5 bilhão de vezes mais.

Entre as tecnologias, a quântica também está sendo usada para construir o que o MIT chamou de “Internet Inatacável”. Uma equipe da Universidade de Tecnologia de Delft, na Holanda, está construindo uma rede de internet que deve conectar quatro cidades. As mensagens enviadas por esta rede, segundo os desenvolvedores, serão inalteráveis, devido à proteção fornecida por pares de fótons através de cabos de fibra ótica.

tecnologias d Foto ilustrativa (Pixabay)

Medicina hiper-personalizada

Novos medicamentos estão sendo projetados para tratar mutações únicas, capazes de se adaptar aos genes de cada paciente. Eles podem ser uma esperança para pessoas que sofrem com doenças extremamente raras, causadas por erros específicos de DNA.

O MIT destaca o caso da menina Mila Makovec, que sofre de uma doença devastadora causada por uma mutação genética única, e teve acesso a um medicamento fabricado especialmente para ela. O tratamento não foi capaz de curá-la, mas estabilizou a doença e melhorou consideravelmente sua qualidade de vida. Esses novos medicamentos são capazes de “apagar” ou “corrigir” mensagens genéticas defeituosas.

Uma nova classe de medicamentos anti-idade já está sendo testada em humanos. O objetivo dessas novas substâncias – os senolíticos –  não é prolongar a expectativa de vida, mas tratar doenças específicas. Problemas cardíacos, câncer e demência, por exemplo, podem ser tratados se o envelhecimento for retardado.

Mega-constelações de satélites

Desde que bem posicionados, os satélites podem criar redes de conexão de banda larga e fornecer internet a qualquer dispositivo. Só a empresa americana SpaceX planeja enviar quatro vezes mais satélites para o espaço nesta década do que os humanos já lançaram desde o Sputnik, em 1957.

Essas constelações de satélites podem cobrir o mundo com internet de alta velocidade, e estão se tornando viáveis porque os aparelhos estão cada vez menores e mais baratos.

Os primeiros 120 satélites Starlink da SpaceX foram lançados no ano passado, e lotes com 60 deles devem ser lançados a cada duas semanas ao longo de 2020. Neste ritmo, em breve, será possível ter acesso à internet em todo o mundo, mesmo nas regiões mais pobres e remotas.

*Com colaboração de Éric Visintainer


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