Proximidade ao cliente e pães artesanais são receita do sucesso da Pães WDL - WHOW
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Proximidade ao cliente e pães artesanais são receita do sucesso da Pães WDL

A padaria, criada em 2018, surgiu do talento de Rodrigo Borba na cozinha e da experiência de Anna Paula Soares com negócios e marketing.

POR Marcelo Almeida | 21/12/2021 20h08 Proximidade ao cliente e pães artesanais são receita do sucesso da Pães WDL

A Pães WDL, criada em 2018, surgiu do talento de Rodrigo Borba, cuja especialidade é criar pães artesanais, resultado de uma bagagem profissional de cursos de gastronomia e experiências profissionais, assim como das memórias afetivas da infância, já que sua família paterna sempre teve um grande talento culinário, e da experiência de Anna Paula Soares com negócios e marketing, área em que ela ainda atua, não podendo ainda se dedicar à panificadora de forma exclusiva.

Antes de fundar a empresa própria, o profissional de gastronomia passou por uma experiência que despertou seu interesse. “O Rodrigo recebeu um convite para conhecer como funciona uma padaria artesanal, fez um estágio de uns seis meses nessa padaria e brilhou os olhos. Começou a querer montar a própria operação dele”, diz Soares.

Após um tempo atuando nessa padaria, ele se jogou na jornada empreendedora: largou o posto e começou a planejar como iria tirar a sua própria padaria do papel. Com a ajuda de Anna, que é publicitária e tem MBA em Marketing, pouco tempo depois ele já estava começando a fazer suas primeiras fornadas.

“Não tenho muita facilidade com a burocracia, com vendas. Mas com o apoio da Anna, que já tem mais experiência com a área de negócios e marketing, ficou mais fácil. Foi o match perfeito”, diz Borba.

No início, eles testaram os produtos vendendo-os em algumas feiras que coincidiram com o fim de ano e perceberam que existia uma boa aceitação pelo que eles ofereceriam. Daí em diante, começaram a focar na diversificação da produção e na melhoria da estrutura para produzir mais e com mais qualidade.

O diferencial da companhia é a qualidade do produto, que é feito por meio de fermentação natural ou tradicional, e feito com ingredientes premium como farinhas de moinho de pedra, nibs de cacau, grãos, sementes e extratos naturais, que segundo Borba fazem bem à saúde. Além disso, Soares define como “mais justos” os preços que eles oferecem em relação aos propostos pelos concorrentes.

Começo e investimento

No início, eles tinham apenas um forno elétrico, uma geladeira e um fogão, com Borba fazendo quase tudo na mão, sem as máquinas específicas que ajudam no preparo da massa.
“Para ter uma estrutura melhor a gente foi investindo do nosso bolso, com ajuda de mãe, com entrada de caixa também, mas para a compra do maquinário mesmo teve que ter um investimento de fora. Mas no começo foi algo muito empírico, no sentido de em vez gastar com lazer vamos colocar na padaria”, afirma Soares.

Após cinco anos de funcionamento, eles fizeram o primeiro grande investimento em maquinário: uma masseira, produto que serve para misturar os ingredientes e auxiliar no preparo da massa destinada para produtos panificados (o valor de uma pode chegar a mais de R$ 20 mil, dependendo do volume que ela suporta e do seu nível tecnológico).

Esse primeiro investimento foi feito por meio de aportes da mãe de Borba, além de reservas de Soares e de Borba.

Com o aumento no número de pedidos, eles tiveram que investir em mais maquinário, dessa vez comprando uma fermentadora. Nesse caso, metade do valor foi coberto por reservas de caixa e a outra pelas reservas do casal, mostrando que o negócio estava começando a se tornar rentável o suficiente para permitir que os excedentes fossem investidos nele mesmo, embora ainda tenha precisado de um complemento.

Segundo Soares, eles são um exemplo de que, para empreender no ramo de padaria e pães artesanais, não é necessário um grande investimento inicial, sendo que muitas vezes o que está disponível na sua própria cozinha muitas vezes é suficiente. “Conforme você vai pegando mais clientes, você precisa ter uma estrutura melhor, senão você não consegue dar conta”, afirma ela.

De forma geral, eles começaram com apenas R$ 5 mil para comprar materiais diversos para a produção dos pães. Com o passar do tempo, acabaram investindo R$ 150 mil para aumentar a produção e comprar um maquinário mais profissional que permite um volume bem maior de produção.

Por enquanto eles não têm um e-commerce padrão, mas divulgam o produto por redes sociais como o Instagram. Isso porque eles não têm capacidade de fazer fornadas diárias, apenas semanais, e segundo Soares isso acabaria gerando confusão nos clientes, que iriam querer receber o produto rapidamente.
“A gente prefere só deixar um catálogo e tentar direcionar a venda para o nosso Whatsapp Business para explicar como é que funciona. Por mais que a gente esteja com esse maquinário todo, é apenas o Rodrigo que faz os pães, eu faço a gestão dos pedidos e a parte burocrática”, diz Soares.

Apesar de esse modelo estar sendo satisfatório atualmente, com a panificadora contando com uma rede fixa de 50 clientes por semana, eles esperam expandir a companhia e esses números no futuro.

Buscando expansão pela proximidade

Enquanto Borba foca na produção, Anna busca expandir as vendas por canais online, boca a boca, folhetos e por meio de uma aposta em um atendimento mais próximo que favorece que a companhia seja beneficiada pelas recomendações dos clientes para conhecidos, o chamado boca a boca.

Durante a pandemia, o número de pedidos passou por uma alta considerável, dado que o delivery de gênero alimentícios começou a se tornar cada vez mais essencial por causa do afastamento social e do fechamento de restaurantes.

Para fazer um passeio e deixar o confinamento da casa, além de ter um motivo justificável para se deslocar pela cidade, Rodrigo e Anna, que são um casal, começaram a fazer as entregas eles mesmos, aproveitando para criar um contato mais íntimo com os clientes, conversando com eles durante as entregas e criando um relacionamento de amizade que tornou mais fácil fidelizar esses clientes.

Com a expansão, a companhia agora delega parte dos pedidos a empresas de entregas e assume outra, fazendo uma rota de entrega de sexta a domingo.

Atualmente a panificadora fica próxima ao metrô Patriarca, na zona leste de São Paulo, mas, para atender de forma ainda mais próxima, eles têm planos para criar uma loja física para receberem os clientes no futuro, de preferência no centro de São Paulo, onde a aceitação do produto é melhor.