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Programa para startups estimula inovação no agronegócio

NovoAgro Venture é a primeira Corporate Venture Builder do setor, e tem o objetivo de aproximar empreendedores e investidores

POR Luiza Bravo | 19/05/2020 11h19 Arte Grupo Padrão (@flaviopavan_76) Arte Grupo Padrão (@flaviopavan_76)

A importância do agronegócio para a economia brasileira é indiscutível: o setor representa cerca de 20% do Produto Interno Bruto do país, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil. Em 2019, o PIB do setor no País cresceu 3,81%.

Apesar da expansão, o agronegócio ainda é carente de novas tecnologias. A pandemia do novo coronavírus, por sua vez, desencadeou uma crise econômica sem precedentes, e o setor já sofre os impactos. Para tentar reverter esse cenário, foi criada a NovoAgro Venture, a primeira Corporate Venture Builder do ramo. O objetivo é aproximar investidores anjo com startups (atualmente, são mais de 1.125 atuando nesse segmento no Brasil), além de investir em empreendedores com propostas focadas na geração de valor para o mercado.

O que é Venture Building

As Venture Builders são empresas que investem em startups através de aportes não financeiros. O investimento é feito através da contraprestação de serviços variados, como marketing, contabilidade, suporte a clientes, entre outros. Para isso, as Venture Builders normalmente contratam equipes para o desenvolvimento das startups em um modelo de spin-off.

Diferente do Venture Capital, as Venture Builders conseguem apoiar startups em seus vários estágios, se posicionando como cofundadoras e oferecendo mais do que mentoria. O risco do investimento é reduzido pelo modelo de cogestão, já que a rotina das startups é acompanhada através de métodos ágeis, como scrum, além da mensuração com OKRs e KPIs. Ao compartilhar a maturidade e o pensamento focado em negócios e vendas com as startups, as Venture Builders permitem que os empreendedores foquem na inovação.

donres Foto Dji Agras PIxabay

Como funciona a Novo AgroVenture

A iniciativa é uma parceria entre o Sistema FAEMG (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais), que possui mais de 400 mil produtores associados, e a FCJ Venture Builder, maior rede de Venture Builder da América Latina.

A NovoAgro Ventures surgiu da necessidade de desenvolver um projeto de inovação para o agronegócio que tivesse impacto a curto, médio e longo prazo. “Percebemos que só a aproximação entre o agronegócio e as startups não basta, é necessário uma estrutura e um processo que acompanhe essa aproximação e o desenvolvimento da solução resolvendo efetivamente a dor do produtor”, explica o CEO da NovoAgro Ventures, Léo Dias.

Segundo Roberto Simões, que é presidente do Sistema FAEMG, o modelo de Corporate Venture Builder foi o que melhor se integrou às necessidades e à realidade do Sistema FAEMG e das cadeias do agronegócio. “Neste momento, precisamos da segurança de ter uma equipe que realmente vai acompanhar o processo da startup, identificar e sanar as suas dores, e que esteja focada em implementar essas tecnologias em nossas cadeias.

“O agro não pode parar, mas tem que ser transformado digitalmente para crescer e se fortalecer. Assim, uma fábrica de startups nos pareceu uma boa alternativa para as nossas demandas.”

Roberto Simões, presidente do Sistema FAEMG

Para Paulo Justino, fundador da FCJ Venture Builder, esse modelo de licenciamento é uma alternativa de aproximação das grandes empresas com as startups, e complementa os modelos tradicionais de incubação e aceleração, preparando-as para receber investimentos dos fundos de Venture Capital. “As Venture Builder são hands-on e atuam no dia a dia das startups”, diz.

Para isso, serão desenvolvidos alguns pontos-chaves no programa: planejamento e visão de curto, médio e longo prazo; portfólio gerenciado e modelo de governança corporativa de uma holding. O projeto busca soluções como softwares para o setor, criação de alternativas energéticas, aproveitamento de resíduos e biotecnologia. Para as startups selecionadas, serão oferecidos, entre outros incentivos, contatos com diferentes parceiros e entidades do agronegócio para potencializar a entrada no mercado, conexão com fundos de investimento e mentorias.

“Acredito que seja a aproximação dos dois universos. Tem muita gente inovando no agronegócio sem ‘sujar a bota de lama’. E há também muito empresário do setor que desconhece a possibilidade de aproximação com o ecossistema de inovação. Precisamos ser a ponte entre esses dois universos.”

Paulo Justino, fundador da FCJ Venture Builder


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