Profissões do presente: quem é o Product Manager - WHOW

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Profissões do presente: quem é o Product Manager

Product Manager é o profissional responsável por cuidar dos três pilares de um produto: viabilidade financeira, tecnologia e usabilidade do cliente

POR Marcelo Almeida | 17/11/2021 23h57

Na série Profissões do Presente, já falamos sobre o UX/UI Designer e o Growth Hacker. Agora, chegou a hora de explicar o que faz o Product Manager.

De forma geral, é possível dizer que um product manager é um profissional cujo principal objetivo e função dentro da empresa é identificar determinadas necessidades dos consumidores, imaginar o produto ideal para atender aquelas necessidades e articular isso na prática.

Para ajudar o product manager nessa tarefa, existem times (ou squads) multidisciplinares voltados para o desenvolvimento de produtos. Estas equipes geralmente são compostas por designers, desenvolvedores globais e de backend e, em algumas empresas, o chamado quality assurance, responsável por assegurar que o produto está funcionando perfeitamente na hora de ser colocado no mercado.

Como já deu pra notar, trata-se de uma posição que acaba envolvendo conhecimentos de tecnologia, user experience (ux) e negócios, três pilares fundamentais da área. De forma geral, o product manager precisa ter em mente a usabilidade, a tecnologia necessária para um produto e a sua viabilidade como negócio.

Profissão: Product Manager

Haron Alcântara Pinheiro, product manager com passagens pela Edenred e Indra e que hoje atua na Natura, é formado em marketing pela Anhembi Morumbi e se capacitou com cursos como de User Experience Design.

No modelo em que ele trabalha, ele faz um acompanhamento constante dos product owners, que são os profissionais responsáveis por um time multidisciplinar específico para o desenvolvimento de um produto.

“Como eles são meus pontos focais em cada equipe, então a gente tem alguns rituais diários de alinhamento, falamos com as áreas que têm influência sobre o desenvolvimento de algo que temos que entregar e a gente tem que conciliar e levar tudo isso para os executivos, fazendo reuniões com as lideranças e mostrando que estamos conseguindo transformar as estratégias da empresa nessas ações que os times tem que fazer, realizando uma tradução de um lado para o outro”, explica Pinheiro. “Então é preciso relatar o que o time está conseguindo desenvolver, em qual data ele vai conseguir entregar, se está em rota ou não, se vamos atrasar e levar isso para os executivos, deixando-os sempre muito a par do que está acontecendo.”

Segundo ele, a função tem passado por um boom recentemente sobretudo com o surgimento de empresas na área de tecnologia, como as fintechs, mas também porque mesmo empresas tradicionais, como grandes varejistas, estão investindo mais em produtos que envolvem um maior refinamento para desenvolvimento, como no caso de carteiras digitais, por exemplo.

“Existe uma escassez hoje no mercado, está todo mundo recebendo proposta o tempo todo. E todas as empresas que são fintechs demandam product managers e esse profissional está em falta no mercado, de forma parecida como ocorre com os desenvolvedores de Tecnologia da Informação”, afirma.

Ele ressalta uma certa confusão que existe entre os cargos de product manager e product owner, função que ele também já desempenhou, O product owner seria o representante do product manager dentro de uma equipe específica. Isso, no entanto, não é consenso e varia bastante de acordo com a empresa analisada.

“Existe uma dificuldade no mercado porque em alguns lugares o product manager é chamado de product owner, e vice-versa, sendo que às vezes não existe uma diferença tão grande nem salarial entre os cargos, com um product owner ganhando mais em uma empresa do que um product manager em outra [na teoria, o product manager fica acima do product owner]”, afirma Pinheiro.

Por ser um cargo mais gerencial e estratégico, existe uma grande demanda desse tipo de profissional. Ele diz que chega a trabalhar bastante, mas os benefícios salariais podem compensar.

Segundo o Product Manager, o piso da categoria fica em torno de R$ 17 mil, um valor muito acima da média salarial do brasileiro, que ficou em R$ 2.543 no ano de 2020, de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia a Estatística).

Já Esther Tomy Karazawa é group product manager (que de forma geral coordena outros product managers) na fintech Neon e alcançou a posição após dois anos apenas como product manager e lead product manager na companhia.

Ela já tinha, no entanto, 11 anos no setor financeiro, passando por cargos como especialista em investimentos no Itaú-Unibanco e passou por cargos de planejamento e outros na área de produtos não-digitais.

Formada em engenharia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ela fez um MBA em Finanças pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e diz que não é necessária uma formação específica para atuar como product manager, mas que é preciso desenvolver algumas habilidades.

“[Ter uma formação na área de negócios] é um skill desejável, mas não é necessário. Tem muita gente que navega ou do mundo de tecnologia ou de design para trabalhar com produto, então quando eles entram nessa carreira eles precisam aprender a navegar melhor com números”, afirma.

Questionada sobre o que uma pessoa precisa para ser um product manager, ela aproveita para definir também a função.

“Na teoria ele é a junção entre a visão de negócios, da visão estratégica da empresa e de onde ela quer chegar, com a visão do cliente e o que a gente gera de valor a ele. Na prática, a gente lida muito com o mundo de tecnologia, os produtos digitais geralmente ficam nessa formação de squad, que é um grupo de pessoas que implementam um produto, passa pela experiência do cliente, sendo necessário entender como é a jornada do cliente e a parte de design, que é o outro pilar que a gente precisa pra entregar valor ao cliente”, resume ela.

Trata-se de uma visão alinhada com a teoria de Martin Eriksson, uma das grandes vozes do setor e fundador do ProductTank, um encontro realizado periodicamente em diversas cidades do mundo para product managers trocarem ideias e experiências sobre uma série de questões.

Em relação a sua rápida ascensão na atual empresa, ela indica alguns aspectos que destacaram sua atuação.

“É preciso entender onde você está, como você ajuda os outros, como você pede ajuda também e como você aprende com as pessoas ao seu lado. É um time que você vai motivar, então você entender  muito bem a estratégia da empresa, falar com as pessoas da squad e desenhar muito bem o produto, acertar a mão no produto que você vai entregar ao cliente acho que é o caminho para o product manager ter sucesso”, diz ela.

Com poucos cursos de formação e por ser uma carreira relativamente nova, a profissional diz que aprendeu muito na prática e que só agora estão surgindo cursos e obras teóricas mais específicas voltados para a área.

Em relação ao cotidiano de um product manager, ela traça o que seria um dia atuando no cargo.

“Periodicamente a gente cria o que chamamos de roadmap, o plano que temos por um período que pode ser trimestral, semestral ou anual e que está muito ligado ao que a empresa e o cliente buscam. No dia-a-dia, o product manager vai criando os produtos para atender às necessidades dos clientes. Isso ocorre por todo um processo de pensar como vai ser esse produto com o time, e isso envolve cerimônias que temos para definir isso junto com os times responsáveis por cada área específica. Aí ocorre toda a parte de desenvolvimento, em que o product manager precisa acompanhar de perto e ver se o produto está saindo da forma como foi desenhado, aí quando o produto finalmente vai pra rua e é disponibilizado ao cliente final, também temos várias estratégias em relação a isso, sobretudo para avaliar se o produto foi um sucesso ou não, tanto sob o ponto de vista financeiro como se acertamos em relação ao que o cliente queria. Então existem essas etapas de idealização, construção, colocar para o cliente e avaliar se realmente acertamos na estratégia”, afirma Karazawa.