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Profissões do presente: o que faz o designer de UX/UI

designer de UX

No primeiro artigo da série Profissões do Presente, falamos sobre o growth hacker. Agora, chegou a vez de explicar o que faz um outro profissional cada vez mais procurado no mercado: o designer de UX/UI.

Você já ouviu falar nesse tipo de atividade? Para começar, é bom entender o que significa, exatamente, cada uma das duas siglas.

A primeira, UX, pode ser traduzida como User Experience, um conceito amplo ligado a todas as características do produto que buscam tornar a experiência do usuário mais agradável, mais confortável e mais eficiente, de forma geral..

Já a siga UI está ligada User Interface, ou seja, um campo inserido dentro do conceito mais amplo de User Experience. A interface, muitas vezes traduzida como “tela”, é onde serão apresentados os principais recursos daquele software ou aplicativo. 

De forma geral, o trabalho de um profissional voltado ao setor de UX tem a ver com tornar a usabilidade do produto ou do serviço a melhor possível, garantindo que o consumidor tenha o mínimo de atritos e tenha uma experiência positiva de uso no geral. 

O designer de UX/UI

Para ter uma noção ainda mais aprofundada sobre o que a profissão demanda no dia a dia, conversamos com um designer UX/UI com um currículo já bastante respeitável.

Elias Fernandes dos Santos Jr., aos 28 anos, é formado em design digital pela Universidade Anhanguera e fez uma série de cursos posteriormente com o intuito de focar mais na parte digital do design. Dentre eles, está fazendo uma pós-graduação  focada exatamente em User Experience, área em que ele já atua há alguns anos.

Suas experiências profissionais incluem passagens pelo Diário de Notícias Brasil como designer gráfico no UOL como designer UX/UI, e há 10 meses está no Bradesco também na área de UX/UI.

Com sua formação em design gráfico, ele percebeu que havia uma certa saturação em relação à demanda por esse tipo de profissional para o papel, enquanto no digital acontecia exatamente o contrário.

‘’Gostaria muito de trabalhar com livro, com revista,  mas eu entendo que é um mercado mais difícil ainda, porque é bem diferente do digital, onde você tem um monte de oportunidade. Principalmente na área de UX/UI, os headhunters vêm atrás da gente”, afirma Santos Jr.

“Quando eu estava atuando com design gráfico, tinha que ficar me candidatando às vagas, e com o digital fui percebendo que os recrutadores que vêm atrás da gente, pra ver se temos interesse em algumas vagas, então é uma verdadeira mudança de paradigma”. 

Segundo o profissional da área, o trabalho do designer de UX também inclui a parte estratégica. Quando surge um problema de usabilidade, normalmente apontado pelo próprio cliente, o papel do designer é descobrir se aquilo é de fato um problema, ou mesmo se existe alguma falha mais profunda que está prejudicando a usabilidade do usuário.

“Para chegar no problema raiz, nós temos uma série de ferramentas. É possível usar uma matriz CSD, montando um dashboard na parede e com isso a gente tem uma visão melhor do problema e tenta chegar na causa-raiz. Só depois de ter essa visão melhor do problema é que a gente vai montar tela, pensar no fluxo, e assim por diante”, afirma Santos Jr.

Trabalhar a continuidade do uso dos aplicativos é uma das funções do designer de UX/UI. Por exemplo, nos apps de bancos, é comum, por questões de seguranças, que o login seja desfeito após um período curto de inatividade. Em um conceito de boa usabilidade, a atividade que o usuário estava realizando antes de ser “deslogado” é retomada no ponto em que ele parou. Este é um exemplo de boa usabilidade, mostrando que a empresa se importa com o tempo do seu consumidor. 

Migrando de área

No caso de Santos Jr., não foi tão difícil entrar na área de UX/UI.  Como ele já trabalhava no UOL há alguns anos, em um momento teve a oportunidade de migrar de área internamente.

“Como eu já trabalhava com designer gráfico há uns 6 ou 7 anos, vi a oportunidade de trabalhar com UX. Quando surgiu uma vaga, eu me candidatei, eles curtiram a ideia e eu já mergulhei de cabeça na área”, afirma. Logo, o profissional já começou a trabalhar dentro de um time lado a lado com desenvolvedores. 

“Eu foquei muito em User Experience e menos em UI porque essa área eu já conhecia, então eu fui bem mais atrás dessa parte de entender facilitação, entender pesquisa, saber como trabalhar de forma mais inteligente, com design thinking. No online, fui atrás de uma plataforma chamada Interaction Design Foundation, que eu considero fantástica porque ela abre a cabeça e reúne os grandes nomes do mercado de experiência do usuário, tudo muito embasado”, afirma. 

No Brasil, pelo contrário, a área é ainda um tanto nova e foi essencial ter acesso a bibliografias e a conhecimentos que nem estão ainda disponíveis por aqui, como área de cognição, de UI com uma profundidade bem maior por profissionais que trabalharam em empresas como Apple e Google. 

UX ou UI: qual a diferença afinal?

Para Santos Jr., tratam-se de áreas um tanto próximas, mas que o UI tem uma maior relação com o ponto de contato que o usuário vai ter na tela, com mais foco nos botões, tamanho de fonte, cores. Já a parte de fluxo e de pesquisa fica a cargo do UX, que tem um olhar mais estratégico e mais amplo, pensando em métricas e no design do produto ou serviço como um todo.

Além disso, ele acredita que as empresas mais novas já estão bastante conscientes da necessidade de ter um time ou um profissional focado em UX/UI logo de início. “Está se tornando um pré-requisito, se vou contratar alguém pra desenvolver meu site, eu vou precisar de um profissional que cuide dessa parte visual, porque os desenvolvedores já trabalham com essa separação, no sentido de apenas realizar a codificação, não pensar na experiência do usuário, sendo que eles não têm um conhecimento de design gráfico normalmente”, afirma Santos Jr.. 

É nesse ponto, portanto, que entra o designer de UX/UI logo no início da criação do site da empresa, da sua presença virtual de forma geral.

Dicas para profissionais que queiram entrar na área

Se é uma pessoa que está começando a carreira, vale pensar em formação em design digital, com cursos focados em User Experience. Desde o início, ela deve focar não apenas em desenhar interface de software, mas em como realizar pesquisas de usabilidade com o cliente e entender a metodologia de design thinking. Dessa forma, ela estará habilitada ao raciocínio profissional do designer de UX, e, caso ela eventualmente vá para a área de UI, não há problema.

Já uma pessoa que já vem do design gráfico precisa  montar o seu portfólio digital, criando um projeto de como seria um aplicativo, por exemplo, mas sempre embasada em pesquisas com potenciais usuários e tendências da área. “A entrega final é muito importante, mas o pensamento crítico de como você soluciona é mais relevante para os recrutadores e para quem está avaliando o portfólio”, conclui o designer. 

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