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Tecnologia

Primeira cirurgia cardíaca à distância acontece com telemedicina

Realizado por um médico na Índia, o primeiro procedimento cardíaco remoto trouxe perspectivas ao futuro da medicina em áreas remotas do planeta

POR Carolina Cozer | 07/10/2019 18h57 Primeira cirurgia cardíaca à distância acontece com telemedicina Foto (Shutterstock)

Pela primeira vez na história, foi realizada uma cirurgia cardíaca de longa distância. O feito ocorreu em Guzerate, na Índia, em janeiro de 2018, e contou com um robô CorPath GRX. A cirurgia foi um marco no movimento da telemedicina, podendo trazer grandes impactos à tratamentos em países emergentes.

Como aconteceu?

O processo foi executado pelo Doutor em Cardiologia Tejas Patel, que estava em um templo Hindu a 32 quilômetros de distância da primeira paciente a passar pelo ato. Ela já havia aceitado previamente a participar desse estudo, que já tinha tido muitos testes bem-sucedidos pelo médico e sua equipe.

Dr. Patel montou uma pequena estação com duas telas, conexão de Internet de alta velocidade e um painel de controle em uma sala do templo, enquanto a paciente estava internada no centro cirúrgico do Apex Heart Institute. A equipe que a acompanhava contava com um cirurgião sênior que iria tomar conta da operação caso a conexão de Internet caísse.

E ela não caiu. A cirurgia, uma Angioplastia Coronária Percutânea, levou cerca de sete minutos, e foi um sucesso.

Ao longo do procedimento, o Dr. Patel – através do robô – inseriu um fio em uma veia no pulso da paciente, e o movimentou em direção ao coração, bloqueando o gatilho para um ataque cardíaco. Ela recebeu alta no dia seguinte, tendo exatamente os mesmos resultados esperados em uma operação convencional.

telemedicina Foto (Shutterstock)

Esperança para países emergentes

Em uma entrevista ao Express UK, o Dr. Patel comentou que a tendência para o futuro é que os controles e as telas para cirurgia à distância sejam reduzidos de tal modo que os médicos possam carregar tudo em uma mala – e que isso será benéfico, particularmente, para países com menores recursos:

“Eventualmente, isso significa que os cirurgiões podem se tornar ‘portáteis’ e operar de qualquer lugar, desde que haja as conexões corretas de Internet para a sala de operações. Isso terá enormes vantagens, principalmente nos países do Terceiro Mundo, onde há menos especialistas”

Tejas Patel, doutor em cardiologia

“Eu tenho experiência suficiente para adotar essa tecnologia, desenvolvê-la e colocá-la em prática para o uso e benefício de pessoas em geral”, explica o cirurgião.

Telemedicina

O campo de telemedicina não é novo, mesmo assim, ainda está em seus estágios iniciais, e não mostra sinais de desaceleração em um período curto de tempo. 

Essa área tem o potencial de ultrapassar a escassez de profissionais da saúde e instalações médicas em locais remotos do planeta, promovendo consultas e tratamentos de baixo custo sem a necessidade de uma equipe presencial. Na França, alguns atendimentos rápidos já estão sendo feitos através de cabines de telehealth (consultas por chamadas de vídeo), o que tem sido extremamente conveniente em casos de idosos em asilos.

A grande preocupação dos profissionais de telemedicina, no entanto, está no desempenho da Internet: caso uma conexão venha a sofrer queda ou ter problemas de latência durante um procedimento cirúrgico, o resultado pode ser desastroso.

Para evitar problemas, é obrigatório ter um cirurgião capacitado no centro cirúrgico com o paciente, para controlar a situação em caso de erros. Por enquanto, esse risco ainda existe, mas a tendência é que ele seja reduzido com as melhorias nas tecnologias de Internet, e com a implementação de satélites que ofereçam cobertura em áreas remotas do planeta.

telemedicina Foto (Shutterstock)

Mercado da telemedicina no Brasil

Na última International Digital Healthcare Forum, conferência hospitalar que discute tecnologias e inovações para a saúde, especialistas na área estimaram que o Brasil vai movimentar entre US$ 7 bilhões e US$ 8 bilhões, com telemedicina nos próximos cinco anos, sendo um dos países mais visados por investidores da área. 

Esse alto interesse se deve à alta demanda por atendimentos no país, uma equação que envolve alta população X baixa renda X baixa qualidade dos serviços privados e públicos.

Atualmente, a oferta de serviço não dá conta da necessidade da população, então os atendimentos à distância viriam a melhorar essas estatísticas. A Organização Mundial de Saúde (OMS), aliás, já atesta que 60% dos atendimentos de triagem em prontos-socorros poderiam ser resolvidos de modo totalmente online.

O robô CorPath GRX, o mesmo que foi utilizado pelo Dr. Patel, inclusive, chegou no Brasil em julho deste ano. Foi a primeira entrada da máquina na América Latina, que foi instalada no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

No comunicado de imprensa da Corindus, empresa que desenvolve o robô, os diretores do hospital se mostram entusiasmados com o passo dado, pois ele poderá contribuir com descobertas relevantes para o sistema de saúde brasileiro, e se dizem comprometidos a trazer novas técnicas que promoverão esse cenário.


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