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O tamanho do preconceito contra a mulher na ciência
Escrito por Leonardo Santos | 24 de julho de 2018 | 11 meses atrás

Pesquisadoras e especialistas no assunto debatem sobre o espaço da mulher na área. “Não foi fácil entrar, visto que eu era uma mulher e queria inovar”

Em uma conversa sobre igualdade de gênero, temas relacionados ao trabalho sempre vêm à tona. Vários problemas ainda precisam ser resolvidos para que as mulheres tenham o mesmo nível de reconhecimento que os homens. A desigualdade salarial sempre faz parte desse debate, mas a discussão vai além e engloba questões como extensão da licença-paternidade, hostilidade contra mulheres que querem inovar no ambiente de trabalho e cargos de liderança.

O tema foi discutido em um painel do Whow! – Festival de Inovação. De acordo com as participantes, o problema vem desde a infância, quando as meninas não são tão incentivadas a participarem da ciência quanto os meninos, que brincam com carrinhos e até máquinas. Para Gabriela Nestal, pesquisadora visitante do INCA, “toda criança nasce um pouco cientista, porque a ciência tem como base a curiosidade”, portanto, é necessário incentivar todos da mesma maneira.

Ingresso na ciência

Gabriela explica que decidir seguir uma carreira científica é uma decisão difícil. “Você ouve pessoas dizendo que você não trabalha, só estuda. Mas não é só isso, estamos tentando gerar transformações que não são vistas a curto prazo”, explica. “Não foi fácil entrar, visto que eu era uma mulher e queria inovar”, afirma Nathali Cordeiro, coordenadora de pesquisas clínicas da Bright Photomedicine.

As cientistas falaram que, ao contrário do que se imagina, o interesse das mulheres pela ciência é equivalente ao dos homens. “Na nossa área, existe uma paridade entre homens e mulheres que se interessam. Porém, na vida acadêmica, você percebe que os professores e chefes são homens”, defende Gabriela.

Como mudar

Ainda é comum que as mulheres sofram preconceito na ciência. Mesmo assim, existem caminhos para mudar essa realidade. Para Nathali, é necessário promover uma mudança cultural. Ela lembra: “se a olharmos para a década de 1930, vemos mulheres que trabalhavam nos laboratórios e nunca puderam ter cargos de chefia. Algumas até usavam nomes de homens para poder publicar seus trabalhos”.

A pesquisadora do INCA, Gabriela Nestal, argumenta que existe um déficit histórico e é imprescindível criar medidas para diminuir a disparidade que foi construída. Ações como as do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) de prorrogar a bolsa por quatro meses para mulheres que estão em licença-maternidade são recebidas com otimismo pelas cientistas.

Para Cassiana Buosi, fundadora da plataforma Futuro do Sexo, o preconceito na ciência tem relação com outras discussões, como a criação de filhos. O nascimento de uma criança impacta diretamente a vida profissional de uma mulher, mas o impacto não é tão intenso na vida dos pais. “Por que a sociedade não discute que, se nasceu uma criança, nasceu um pai também? Por que não defender uma licença de seis para um pai?”, questiona.

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