Potencial empreendedor nas favelas brasileiras - WHOW

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Potencial empreendedor nas favelas brasileiras

Startups criadas em favelas brasileiras desenvolvem inovações, enquanto combatem a segregação e promovem melhorias democráticas

POR Adriana Fonseca | 04/10/2019 19h10 Foto Andy Falconer (Unsplash) Foto Andy Falconer (Unsplash)

Empreender na favela tem deixado de ser sinônimo de abrir pequenos negócios locais, apenas. Apesar das dificuldades sociais, muitas startups e iniciativas inovadoras prosperam em comunidades brasileiras, enquanto combatem a segregação e promovem melhorias democráticas.

De acordo com o Diário do Comércio, mais de 12 milhões de pessoas vivem em periferias no Brasil, e 15% das pessoas nessas comunidades têm o desejo de serem donas do próprio negócio – só que apenas 4% delas já tomaram alguma iniciativa para colocar esses planos em prática.

Algumas iniciativas têm sido muito bem-sucedidas ao iniciar projetos de impacto social, de favela para favela, sejam elas empreendimentos ou ONGs que levam capacitação e inclusão digital à jovens locais, transformando a economia e acelerando talentos.

A Artemisia, aceleradora brasileira de startups solucionadoras de problemas sociais, aponta as seguintes áreas como os maiores desafios que trariam desenvolvimento da sociedade do país:


Educação

Saúde

Habitação

Primeira infância

Serviços financeiros

Alimentação

Energia

Mobilidade


Games da favela

AfroGames é o primeiro e único projeto de E-sports (esportes eletrônicos com base em competições) projetado dentro de uma favela em todo o mundo. A intenção é capacitar jovens da periferia dentro do cenário competitivo de games, e desenvolver o cenário brasileiro, ao mesmo tempo em que habilita adolescentes de comunidades à inclusão profissional e tecnológica.

A iniciativa foi idealizada pelo AfroReggae, organização não-governamental que já é bastante consolidada na busca pela redução de desigualdade social em camadas populares do Brasil. 

Para a realização do projeto, uma unidade foi montada no bairro Vigário Geral, na zona norte do RJ, com computadores de última geração. Lá, oferecem cursos de profissionalização para futuros e-sportistas de League of Legends, além de ensinarem programação e produção musical para jogos e língua inglesa – tudo para jovens de baixa renda. 

A idealização foi patrocinada pela Oi, HyperX, Fanta, SporTV e Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado do Rio de Janeiro, que forneceram aportes e infraestrutura tecnológica para o projeto. Mensalmente, mais de 100 jovens passam pela AfroGames, que une propósitos comerciais e sociais. 

https://www.facebook.com/afrogamesbr/videos/925869284425128/

Jaubra, o “Uber” da periferia

No bairro da Brasilândia, em São Paulo, nasceu a Jaubra (antiga Ubra), aplicativo de transporte que atende exclusivamente às comunidades paulistanas. Criada pelo motorista  Alvimar Silva e sua filha, Aline Landim, a empresa já recebeu capital semente e foi contemplada com uma bolsa da Prefeitura de São Paulo.

Em média, 7 mil viagens são feitas ao mês por mais de 60 motoristas colaboradores da empresa, cujas chamadas funcionam através de aplicativo, telefonia ou WhatsApp, para que seja acessível, também, aos clientes que não possuem internet, ou não sabem ler ou escrever. A Jaubra, inclusive, cobra um valor muito inferior ao dos aplicativos tradicionais, e não oferece variação de taxa dinâmica, por compreender que esse método não funciona em regiões mais pobres.

O projeto começou sem a pretensão de se tornar uma startup, mas a demanda cresceu a tal ponto que mais pessoas precisaram ser inseridas para dar conta do recado. Aline entrou com um aporte de R$ 40 mil, recebidos em uma rescisão, que usou para expandir os negócios e desenvolver o aplicativo. Hoje, a empresa já lucra mais de R$ 13 mil ao mês, e tem mais de 2 mil motoristas na fila de espera por uma oportunidade para serem integrados no projeto.

A Jaubra planeja expandir o negócio para mais bairros periféricos no futuro, além de incluir mais carros e atender demandas maiores.

https://www.facebook.com/jaubraoficial/videos/383470895755678/

Inglês acessível para todos

A 4YOU2, uma das empresas aceleradas pela Artemisia, leva o ensino de idiomas às classes mais baixas, através de cursos com valores populares e localizações em favelas que geralmente não são contempladas com escolas do gênero. 

A empresa aposta no ensino para pessoas carentes como potencial transformador do mundo. Até o momento, mais de 10 mil pessoas já foram capacitadas pela escola, que tem uma metodologia exclusiva e adaptada à realidade das periferias. Além disso, a empresa busca professores estrangeiros para integrar o corpo docente, normalmente refugiados que dominam a língua, trazendo um impacto duplo para o projeto.

A 4YOU2 desenvolveu parcerias com diversas ONGs da capital paulistana, e já expandiu o projeto para outros estados, como a Paraíba e Minas Gerais. 

Apesar de ter poucos anos de vida, a empresa já foi vencedora do Prêmio Empreendedor Social do Futuro, da Folha, do Global Student Entrepreneur Awards de 2018, além de ter recebido aporte da Yunus Negócios Sociais e ser acelerada pelo Instituto Quintessa.

https://www.facebook.com/4YOU2idiomas/videos/433642284158801/

Valorização imobiliária na favela

Moraste é uma das mais novas plataformas de classificados de imóveis brasileiras – com o diferencial de que é focada em imóveis em favelas. O projeto une pessoas que desejam vender imóveis nessas comunidades com quem precisa comprar, trazendo uma nova visão e valorização para os negócios locais.

Moradia em favela é um nicho pouco atendido, e essa é a proposta do seu fundador, Leandro Bandeira. Ele teve a ideia para o empreendimento através da dificuldade que seus pais encontraram ao tentar fechar negócio para seu imóvel no morro do Alemão, no Rio de Janeiro.

Além do Complexo do Alemão, a plataforma anuncia imóveis nas comunidades da Penha, Maré e Rocinha, e sua estratégia é trazer boas oportunidades de pagamento aos interessados – como permutas, por exemplo –, além de enaltecer boas qualidades dos locais, como boas localizações e acessibilidade.

A versão oficial da plataforma foi lançada no final de 2018, e conta com mais de 80 anúncios efetuados.


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