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O potencial disruptivo da cana-de-açúcar

Empresas buscam saídas econômicas para a crise global do desperdício de plástico. A solução parece estar na cana-de-açúcar

POR Carolina Cozer | 28/09/2019 13h43 O potencial disruptivo da cana-de-açúcar Divulgação (Braskem)

Substituir o plástico obtido a partir do petróleo é um enorme desafio. A cana-de-açúcar tem se mostrado uma matéria-prima valiosa na produção de biopolímeros (plásticos biodegradáveis), e aparece como potencial substituto na produção de embalagens. O Brasil, como grande produtor de cana-de-açúcar, tem um papel fundamental ao ajudar o mundo neste desafio.

cana-de-açúcar Foto Josh Withers (Unsplash)

Garrafas PET de açúcar

Em janeiro deste ano a Braskem, maior petroquímica brasileira e líder mundial na produção de biopolímeros, aderiu à Aliança para o Fim dos Resíduos Plásticos (AEPW), uma união entre as maiores empresas do mundo para acabar com o lixo plástico.

O objetivo da AEPW é investir US$ 1,5 bilhão nos próximos cinco anos para o desenvolvimento de políticas, práticas e gestões que reduzam o desperdício de plástico no mundo. 

A Braskem tem como meta para os próximos anos:Há dois anos, a empresa firmou parceria com a dinamarquesa Haldor Topsoe, líder global em catálise e tecnologia de processos, para o desenvolvimento conjunto de garrafas PET feitas de açúcares provenientes de cana, milho e biomassa. Para isto, está sendo construída, na cidade de Lyngby, uma unidade industrial de convertimento do açúcar em monoetilenoglicol (MEG), uma resina resistente e biodegradável.

A planta de demonstração da unidade está em sua etapa final, e, a partir de 2020, alguns clientes começarão a receber as primeiras amostras do produto para teste. Após algumas rodadas de experimentação, a empresa poderá confirmar a viabilidade técnica e econômica da mercadoria. Se tudo ocorrer bem, centenas de toneladas de MEG poderão ser produzidas e comercializadas em larga escala pela indústria.

Em nota oficial, vice-presidente executivo da Haldor Topsoe, Kim Knudsen, comenta:

“A catálise irá desempenhar um papel de extrema importância no desenvolvimento de soluções sustentáveis para produção de químicos a partir de fontes renováveis, como os açúcares”

 

cana-de-açúcar Foto Alena Koval (Pexels)

Startup asiática de biopolímeros levanta US$ 22 milhões

A startup RWDC Industries, com sede em Singapura, desenvolve soluções econômicas de materiais para biopolímeros, produzidos naturalmente por bactérias da fermentação de óleos ou açúcar.

Fundada em 2015 pelos doutores Roland Wee e Daniel Carraway, a RWDC busca  ajudar a solucionar a crise de plástico no mundo com baixo custo de produção. O “plástico” produzido pelo grupo é totalmente biodegradável no solo e em condições de água doce e marinha — ou seja, todos os cenários de descarte de lixo possíveis.

A empresa não produz os produtos “plásticos” em sua forma final, mas fornece matéria-prima para que outras empresas as transformem em bens de uso único, como embalagens, talheres, copos, canudos, fraldas, lenços, películas agrícolas e descartáveis em geral.

No último mês de abril, a RWDC levantou US$ 22 milhões em uma rodada da Série A, liderada pela Vickers Venture Partners e pelo investidor institucional Eversource Retirement Plan Master Trust, entrando para a lista de Melhores Startups de Singapura, de acordo com a Singapore Business Review.


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