Por que toda empresa precisará se preparar para o metaverso - WHOW

Tecnologia

Por que toda empresa precisará se preparar para o metaverso

Anúncio de Mark Zuckerberg, que mudou a marca Facebook para Meta, chamou a atenção do mundo para o conceito de metaverso

POR João Ortega | 29/10/2021 16h56

Nesta quinta-feira, Mark Zuckerberg, fundador e CEO do Facebook, disse em um anúncio que o futuro da companhia está no metaverso. A marca Facebook, inclusive, ficou restrita agora à rede social homônima, enquanto o grupo que controla Instagram, WhatsApp e outros negócios foi renomeado para Meta. Nas últimas 24 horas, cresceu mais de dez vezes a procura pelo termo “metaverso” no Google. 

Em linhas gerais, metaverso é um universo digital em 3D em que as pessoas podem interagir por meio de avatares, ou seja, representações virtuais de si mesmas. Nada muito diferente dos mundos criados para os videogames, a não ser pelo fato de que, para uma experiência mais imersiva e próxima do real, serão usadas, no metaverso, tecnologias como realidade virtual e realidade aumentada. As possibilidades de criação dentro dele são infinitas. 

Se uma empresa com o tamanho e a influência do Facebook está disposta a disruptar o próprio modelo de negócio por um projeto que ainda não está validado, então não há dúvidas de que o potencial do metaverso é gigante. Portanto, estamos falando de algo muito maior do que uma simples experiência de imersão em um cenário virtual. Trata-se do futuro da internet. E, neste futuro, há infinitas oportunidades para empresas. Ou você acha que Zuckerberg não está pensando na rentabilidade desta pivotada bilionária?

Possibilidades para empresas no metaverso

Vamos começar falando sobre infraestrutura no mundo real. Se vídeos em alta qualidade já apresentam dificuldades para quem tem baixa conectividade, entrar em um universo digital 3D complexo exigirá muito mais das redes. Uma infraestrutura 5G em larga escala será essencial para que o metaverso seja amplamente adotado. Ou seja, será necessária a construção de milhões de antenas, instalação de cabos e produção de todo o material que compõe a rede. Empresas que trabalham com infraestrutura de T.I já estão bem posicionadas nesse sentido. 

Em seguida, vamos ao hardware. A Meta já é uma das empresas mais avançadas em óculos de realidade virtual, após aquisição da Oculus. Mas com certeza haverá espaço para concorrência, e companhias que desenvolvem tecnologia de ponta devem estar atentas às oportunidades que surgirão com a crescente entrada de pessoas no metaverso.

Como já dissemos, dentro do metaverso em si, as oportunidades são infinitas. Se há um mundo virtual em que tudo pode ser criado, então o limite é a criatividade do empreendedor. Já existem, por exemplo, soluções em realidade virtual que permitem a funcionários de uma mesma empresa trabalharem juntos em um escritório, só que remotamente, cada um de sua casa. Basta colocar o dispositivo e imergir nesse universo digital. 

Será comum, também, encontrar réplicas digitais do mundo real. Por exemplo, ao invés de visitar um apartamento in loco antes de comprá-lo, o cliente terá a possibilidade de fazer uma visita virtual dentro do metaverso. No entanto, será ainda mais interessante ver como serão as construções próprias do mundo digital, que não estarão baseadas em um prédio real do universo físico. 

Ou seja, estamos falando de arquitetos digitais desenhando lojas que seriam inimagináveis no mundo físico, onde clientes podem ter experiências incríveis e experimentar qualquer produto com seus avatares. Do outro lado, o lojista não precisa se preocupar com estoque, com manutenção, com logística. Afinal, está tudo no mundo virtual. É o phygital ao pé da letra.  Porém, é provável que ele ainda tenha que pagar aluguel para o dono daquele universo (semelhante ao que acontece com as lojas em marketplaces digitais da nossa internet atual). 

Neste contexto, podemos imaginar tanto lojas no metaverso que vendem produtos físicos, do mundo real, usando este meio digital apenas como um canal de vendas, quanto vendedores de produtos digitais que só existem no metaverso. Então, é todo um novo mercado que está sendo criado, da mesma forma que a internet o fez desde os anos 1990. 

O mesmo vale para serviços. Ainda não se sabe como um avatar poderá se deslocar pelo metaverso, mas pode ser que ir de um lugar ao outro tome tempo. Vai depender do quão parecida for a mecânica e a física deste universo em relação ao mundo real. Mas não seria loucura imaginar um avatar digital pegando um “táxi” no metaverso, ou mesmo contratando o serviço de um “guia turístico”, por exemplo. 

E os anúncios? Ora, com certeza eles existirão no metaverso, só que das formas mais criativas e assertivas possíveis. Afinal, estamos falando de um mundo em que duas pessoas, lado a lado, podem estar vendo propagandas totalmente diferentes em um outdoor, já que é tudo uma projeção digital feita sob medida para aquele usuário.

Quem trabalha com eventos, shows e exposições de arte pode se animar. Afinal, no metaverso, não haverá preocupação de limite de pessoas, de segurança contra incêndios ou tampouco de fronteiras. Inclusive, já houve festivais de música em mundos digitais de games, como é o caso do Minecraft,

Por último, é importante lembrar que, sempre que surgem novos mercados, há um processo de educação do consumidor e capacitação dos profissionais que vão trabalhar com ele. Então, o setor de educação, com cursos para melhores práticas no metaverso, estará em alta. Quem for early-adopter e ganhar experiência rápido neste contexto deve sair na frente dos demais. 

O mais interessante é que todas essas especulações são apenas uma fração das possibilidades do metaverso. É como fazer previsões sobre a internet no início dos anos 1990: ninguém imaginou até onde essa tecnologia poderia chegar e o que ela viria a se tornar. O essencial é entender que não se trata de uma moda, nem uma tendência passageira: é algo com potencial – e com o suporte necessário das Big Techs – para revolucionar o mundo dos negócios.