Por que o empreendedorismo na periferia é importante para a sociedade - WHOW

Eficiência

Por que o empreendedorismo na periferia é importante para a sociedade

Nove em cada dez negócios nascidos na periferia buscam solucionar problemas da camada mais baixa da sociedade, o que comprova que é um movimento de impacto social positivo

POR Daniel Patrick Martins | 02/09/2021 19h00

O empreendedorismo é um dos principais motores da sociedade quando se fala em geração de empregos, aumento de eficiência e distribuição de renda. Por mais que a figura do empreendedor hoje esteja associada aos centros urbanos e à parcela mais privilegiada da sociedade, a verdade é que uma parte significativa dos negócios nasce da periferia. E são exatamente estes empreendimentos que têm o maior potencial de resolver as dores de quem mais precisa: a população periférica.

Hoje, existem uma série de iniciativas que buscam fomentar o movimento empreendedor no contexto periférico. É o caso, por exemplo, da Wakanda Educação Empreendedora. A organização ensina micro e pequenas empresas a impulsionarem seus negócios, ajudando quem cria serviços e produtos, fora dos grandes centros, a se reconhecer como parte do ecossistema empreendedor.

“O problema é que a imagem do empreendedor infelizmente ainda fica sempre atrelada àquele homem branco da bolsa de valores. Só que ela é minha, é sua, é da gente que faz a economia girar”, comenta Karine Oliveira, criadora da Wakanda Educação Empreendedora, em entrevista ao Uol.

Outra iniciativa semelhante é o laboratório de inovação e tecnologia social Instituto Das Pretas. Focado em lideranças femininas de regiões periféricas, o projeto se baseia em mentoria para ajudar essas empreendedoras a criar soluções inovadoras de negócios. “Antes da pandemia, a periferia já não estava na mesma página do mercado no que diz respeito ao letramento tecnológico e de gestão de negócios. Com a crise sanitária, a dificuldade de sustentar o negócio ficou ainda mais evidente. Não é só sobre criar. Existe um passo que é tão ou mais importante, que é manter o negócio e viver dele”, explica Priscila Gama, CEO do Das Pretas, laboratório de inovação e tecnologia social, em entrevista a Forbes.

Um dos aspectos mais importantes do empreendedorismo periférico é utilizar a própria vivência para resolver problemas que são particulares da periferia. Isto porque é difícil imaginar que uma empresa formada apenas por líderes das camadas mais privilegiadas da população possa, de fato, resolver as dores de um público tão distante. Nesse contexto, o mercado consumidor para negócios periféricos é gigante: estima-se que apenas os moradores de favelas do Brasil movimentem, por ano, quase R$ 120 bilhões.

Os dados estão alinhados à tese de que o empreendedorismo periférico resolve problemas locais. Segundo o Estudo sobre empreendedorismo da periferia de São Paulo, publicado pela Quintessa no início de 2020, 92% dos negócios têm a base da pirâmide social como público-alvo, sendo 20% exclusivamente voltado a esta camada. O lado negativo é que 44% dos empreendimentos ainda não registravam faturamento, e que seis em cada dez negócios buscaram aceleração, mas não conseguiram vagas.

“A periferia é um local de muita potência, inteligência e criatividade na resolução de problemas, além de um local de relações pulsantes. Articular atores locais em torno do empreendedorismo é uma forma de pensar no desenvolvimento destes territórios e encontrar soluções efetivas para estes problemas a partir de uma ótica local, guiada pelo protagonismo de seus residentes”, relata Ellen Carbonari, sócia e head de Inovação Social da Semente Negócios, empresa que conecta o empreendedorismo de impacto social a grandes empresas, para a Consumidor Moderno.