Por que empresas deveriam contratar mais pessoas acima dos 45 anos - WHOW
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Por que empresas deveriam contratar mais pessoas acima dos 45 anos

Empregadores tendem a escolher pessoas mais jovens para contratar, mas afirmam que o desempenho dos mais velhos é igual ou superior aos demais

POR Marcelo Almeida | 26/11/2021 19h36 Por que empresas deveriam contratar mais pessoas acima dos 45 anos

Encontrar e manter um bom emprego tem se tornado uma tarefa cada vez mais difícil para pessoas com mais de 45 anos. É o que mostra um estudo da Generation, empresa norte-americana focada em preparar pessoas para garantir que elas tenham uma melhor oportunidade de conseguir um bom emprego.

Feito com 3.800 pessoas empregadas e desempregadas e com 1.404 empregadores de sete países, incluindo Brasil, Índia, Itália, Cingapura, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos,  o estudo consegue passar um panorama amplo das dificuldades enfrentadas por esse grupo de pessoas. Ele focou em pessoas que buscam emprego em posições de entrada ou intermediárias.

Segundo a pesquisa, dentre os que têm mais de 45 anos, 63% estão desempregados há mais de um ano, contra 36% das pessoas que pertencem ao grupo dos que tem entre 18 e 24 anos.

Quando os empregadores são perguntados sobre quais pessoas mais se adequam a determinado cargo, existe uma tendência a preferir aqueles que têm entre 18 e 44 anos.

Quando solicitado aos responsáveis por contratações das empresas para indicar os candidatos que mais se encaixam na empresa por ter mais experiências relevantes e se encaixarem na cultura corporativa, 41% apontaram candidatos no grupo entre 18 e 24 anos, 44% indicaram candidatos no grupo entre 35 e 44 anos e apenas 15% indicaram candidatos no grupo acima de 45 anos.

Já em relação a quem tem mais experiência, algo que o senso comum poderia considerar que tende a aumentar de acordo com a idade, mesmo assim o resultado para os maiores de 45 anos não é muito bom. Para 24% dos empregadores o grupo entre 18 e 24 anos se sai melhor nesse quesito, para 58% o grupo de 35 a 44 anos tem vantagem e apenas para 18% quem tem mais de 45 anos possui mais experiências relevantes.

Isso pode ser explicado por uma série de motivos, mas, como o próprio estudo aponta, existe uma tendência no sentido de ver pessoas mais jovens como mais aptas e pessoas mais velhas como menos capazes de se adaptar a novos sistemas, tecnologias e mesmo à cultura de trabalho, além de existir uma percepção bastante difundida de que sua produtividade tende a ser menor em relação a outras faixas etárias.

Essas percepções, no entanto, são refutadas pelo estudo.

Quando empregadores são questionados em relação à performance dos empregados com mais de 45 anos em relação a seus colegas mais jovens, eles afirmam que 87% dos que estão no grupo de idade mais avançada possuem uma performance no trabalho tão boa, ou mesmo superior, à dos empregados mais jovens.

Além disso, eles afirmam que 90% deles têm um potencial igual ou superior em relação aos colegas de permanecer na companhia por um longo período.

Em geral, a performance do grupo dos que têm mais de 45 anos é similar ao grupo entre 35 e 44 anos.

Devido a uma série de motivos, às vezes até inconscientes, esse grupo um pouco mais jovem tem um apelo muito superior.

Com uma valorização cada vez maior da aparência nas mais diferentes sociedades em que o estudo foi realizado, isso não chega a ser uma surpresa, já que juventude tende a andar lado a lado com uma melhor aparência. Não que esse seja o único elemento considerado. Também existe a questão de muitos empregadores acharem que pessoas mais velhas tendem a ter mais “manias” adquiridas ao longo da vida, querendo fazer o trabalho do seu jeito específico, além de terem uma menor flexibilidade e terem uma tendência a serem menos suscetíveis a aceitar trabalhar mais horas.

Isso tudo é contestável, mas não deixa de influenciar o comportamento dos empregadores.

Possíveis Soluções

Para combater esse problema, a Generation aponta algumas medidas possíveis.

Em primeiro lugar, ela ressalta que um treinamento adequado foi fundamental para que 74% dos que conseguiram preencher uma vaga. Apesar disso, boa parte das pessoas com mais de 45 anos (57%) não se mostra entusiasmada em buscar novos treinamentos, possivelmente por não acreditarem que serão de grande ajuda, mas a pesquisa aponta exatamente o oposto.

Dentre os que não pretendem buscar treinamento, 62% têm apenas o segundo grau completo ou menos e 71% têm uma renda que possibilita apenas que eles supram as suas necessidades básicas.

Além da difícil tarefa de levar esses treinamentos para pessoas que muitas vezes não os veem como essenciais, a empresa apontou outros 4 desafios principais:

  • Governos e organizações podem publicar estatísticas de desemprego com intervalos de idade menores para garantir um panorama melhor sobre cada um dos grupos etários
  • Deve existir um maior incentivo para realizar programas de treinamento com pessoas de mais de 45 anos, inclusive garantindo algum tipo de benefício caso elas decidam realizar esse tipo de programa.
  • Empregadores podem mudar a forma como realizam contratações para ter uma melhor capacidade de perceber o potencial de quem tem mais de 45 anos.
  • Empregadores podem promover empregados com mais de 45 anos para cargos novos e com mais responsabilidades em vez de ter que contratar novos profissionais necessariamente.