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Consumo

Por dentro dos pequenos negócios de bebidas alcoólicas

Setor de distribuição de bebidas foi o mais requisitado por empreendedores durante a pandemia, mas com a retomada das atividades presenciais os negócios precisarão se reinventar

POR Daniel Patrick Martins | 16/09/2021 16h55

O crescimento do número de novos negócios desde o início da pandemia está distribuído em diversos setores da economia e nichos do comércio, mas alguns tiveram destaque especial neste período. Um dos mais populares foi na distribuição de bebidas alcoólicas, como indica a ferramenta ‘Ideias de Negócios’, do Sebrae, que mapeou mais de 400 tipos de atividades em que pequenas e médias empresas atuam.

De acordo com a ferramenta, entre os meses de agosto e setembro do ano passado, houve mais de 400 mil acessos na plataforma para a busca de informações por futuros empreendedores. Entre os resultados obtidos, os mais acessados foram para negócios em distribuição de bebidas, lojas de pet shop, escritório de consultoria e transporte de pequenas cargas.

Com mais tempo em casa e sem poder ir a bares, restaurantes ou mesmo a festas, o comércio eletrônico e de delivery de bebidas teve crescimento no período. Este novo comportamento do consumidor levou a um aumento de mais de 960% de volume de vendas no e-commerce de bebidas, segundo relata o levantamento da Synapcom. Já no ambiente físico, segundo dados da Receita Federal, o comércio varejista de distribuição de bebidas obteve 76% de crescimento neste período, registrando o surgimento de 48 mil novos negócios.

Neste ramo das bebidas, o mercado cervejeiro é o mais atuante, correspondendo a 1,6% do PIB e que movimenta cerca de R$ 74 bilhões por ano, segundo dados da Fundação Getulio Vargas. De acordo com a Euromonitor, o volume de vendas de cerveja no país teve um crescimento anual de 5,3% em 2020 e, em termos de faturamento, o crescimento foi ainda maior, de 9,9%. Outras bebidas que entraram no radar do consumidor e tiveram aumento considerável no consumo de pessoas maiores de 18 anos foram o vinho e o gin.

Porém, o outro lado da moeda tem que ser visto, pois, alguns dos fatores que fazem crescente este auto consumo de bebidas é o isolamento social. “A gente bebeu para esquecer. Estávamos num momento de alta ansiedade, de não conseguir ter o lazer que a gente tinha, de uma demanda reprimida por uma experiência que a gente não conseguia ter mais, que é uma experiência fora do lar, e as pessoas tentaram fazer uma mímica dessa experiência dentro de casa”, afirma Rodrigo Mattos, analista da Euromonitor ao G1.

Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), 35% de pessoas entre 30 e 39 anos relataram aumento na frequência do uso de bebidas na pandemia. Mais da metade dos entrevistados disseram que este consumo se deve a sintomas ligados às emoções, causados pelo maior tempo em casa.

Com a retomada das atividades, reabertura dos bares e a vacinação, a expectativa é que o consumo de bebidas alcoólicas em casa volte a dar espaço ao de estabelecimentos comerciais. Desta forma, empreendedores terão de se reinventar e encontrar modelos de negócio viáveis e inovadores para continuar crescendo. Por exemplo, a Ambev lançou recentemente um programa de assinaturas de entrega recorrente de cerveja em casa – algo que já era feito, com sucesso, por pequenas empresas e startups. Trabalhar com o modelo B2B, fornecendo bebidas para o setor de eventos e restaurantes, também é uma opção interessante. Outra solução é inovar no próprio produto, criando drinks diferenciados que possam se destacar em meio à concorrência.