O poder das metodologias ágeis para gerar inovação de valor - WHOW
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O poder das metodologias ágeis para gerar inovação de valor

Empresas precisam se atentar para não colocar o modelo ágil em uma caixinha, perdendo sua fluidez e sua essência

POR Adriana Fonseca | 12/11/2020 15h30

O mercado está cada vez mais dinâmico e as empresas vêm tentando se adaptar às rápidas mudanças e novos hábitos do consumidor. “Estão tentando fazer as coisas mais rapidamente e de forma colaborativa”, diz Itamar Olímpio, especialista em inovação e cofundador da Co-Viva, consultoria de inovação de negócios que está há sete anos no mercado.

Ao mediar o painel do Whow! Festival de Inovação 2020, que discutiu o poder das metodologias ágeis, ele lançou algumas perguntas aos participantes, para ampliar a compreensão sobre esse tema tão falado atualmente no mundo corporativo.

O que são as metodologias ágeis?

A jornalista Mirian Fávaro, fundadora da Play in Company, explica que as metodologias ágeis, além de ser uma forma de fazer, é uma forma de pensar e de agir que envolve novos valores, princípios e bases. “Ao fazer com que os times trabalhem fora de silos funcionais, de forma multidisciplinar e colaborativa, com escuta ativa, isso fomenta a criatividade e ajuda a resolver problemas”, afirma. Para ela, as metodologias ágeis ajudam no desenvolvimento das chamadas soft skills, tão importantes para o mercado corporativo hoje. “É preciso ter mentalidade ágil para resolver os problemas do mundo complexo que estamos vivendo.”

Chico Adelano, head de design e inovação da Echos – Laboratório de Inovação, lança uma provocação sobre o termo metodologia ágil. “Vou abrir um campo dizendo o quanto eu tenho evitado o termo metodologia para a agilidade”, diz. “O mercado gosta muito das metodologias, do conjunto de regras, só que como a forma de pensar é diferente, eu acho que a grande convocação da agilidade é se permitir prestar atenção nas coisas que realmente são significativas. Quando você impõe regras para isso, você limita a amplitude de pensamento.”

A crítica que ele faz ao termo metodologia é que as pessoas começaram a estruturar demais o que deveria ser, por natureza, fluido. “É o certo, o errado, o tempo, o formato, tudo isso é base ferramental para a gente aplicar, mas não é o foco”, diz. Adelano acredita que se perde muito dando foco a normas, processos, metodologias e regras. “Evocar a agilidade é, antes de tudo, se abrir para a simplicidade, para a permissão de novos pensamentos, aí o ferramental faz sentido.”

Olímpio complementa enfatizando a importância de não burocratizar as metodologias ágeis. “Tem ferramentas que agilizam o trabalho, mas é uma mudança de mindset. Se as pessoas não estiverem abertas a entender por que isso pode ajudar as organizações, não vai funcionar.”

Diego Paim, sócio-fundador do FaciLab – Laboratório de Facilitação, questiona o porquê de estarem surgindo no mercado tantas metodologias ágeis. “Essas metodologias estão a serviço de quê? Eu sempre fico pensando nos modismos, no que está por trás desses termos, dessas vendas de metodologias”, diz. 

Para ele, fica claro que as empresas não querem perder o controle, e por isso se começa a impor regras e processos, a enquadrar as coisas dentro de um jeito certo e errado de se fazer – ou um jeito credenciado de se fazer. “Eu acho que tem que assumir a perda de controle e assumir que o ‘output’ do que você está fazendo as vezes não é claro”, afirma.

Na visão dele, de nada adianta se apegar a uma ferramenta se a cabeça não está em sintonia com aquilo. “A fragilidade da metodologia ágil é não conseguir olhar o contexto e trabalhar sem ter o controle total da situação”, explica. “Essa imprevisibilidade assusta as pessoas, e aí a gente foge da essência da metodologia ágil, criando regras e processos.” 

Olímpio complementa falando sobre a importância de se mostrar vulnerabilidade para alcançar a agilidade. “Quando a gente fala de inovação, é testar, errar e aprender com os erros, é não ter todas as respostas. Se ficar muito fechado, não tem a criatividade necessária.”

Quais são os ganhos para as empresas que usam metodologias ágeis para gerar inovação de valor?

“Entender o significado da inovação é a primeira coisa”, enfatiza Adelano. “A inovação não é algo que você pede ‘me dá duas agora e uma para viagem’. A inovação é o inexistente, no mundo ou naquele contexto, é o desconhecido.” 

Admitir não saber é a primeira grande riqueza da inovação, segundo Adelano. “Se você não sabe, é a inovação em potencial.” 

Para ele, em um mundo com um público consumidor que demanda coisas mais complexas, isso demanda também inovação. Ele reforça algo que muito já tem se falado: as marcas não são mais inabaláveis, as grandes instituições não estão plenamente protegidas. “É o jogo de quem entende rápido, sabe que inovou agora e que em seis meses vai ter que rever. O ganho da agilidade é o ganho de se manter relevante, de conseguir fazer os movimentos na intensidade do mercado.” 

Paim complementa dizendo que é quase uma questão de sobrevivência hoje a empresa conseguir continuar inovando, e a metodologia ágil tem papel importante em criar esses espaços. “Isso tende a virar uma commodity. O mercado estará tomado por empresas que inovam, e inovar será condição primordial para as empresas. Inovação vai ser cada vez menos uma novidade e cada vez mais um ‘modus operandi’”, diz.

A metodologia ágil entra com papel relevante nesse cenário, porque permite criar espaços e isso, às vezes, é mal aproveitado. “A liderança não deixa esses espaços serem ocupados”, afirma Paim. “Essa criação de espaços é cada vez mais fundamental. Então, a capacidade do líder de permitir que outras pessoas deem opinião, contribuam é importante.

É o líder sair do ‘spotlight’ e permitir que outros contribuam.” Para Paim, é um tema que vai estar cada vez mais na pauta, porque isso ajuda a oxigenar a empresa. 

“Trata-se da abertura para o diálogo. A maioria das metodologias ágeis fomenta esse diálogo”, diz Olimpío. 


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