Pobreza Menstrual e a desigualdade de gênero como resolver?
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Pobreza Menstrual e a desigualdade de gênero

A pobreza menstrual expõe muito mais do que a falta de absorventes. Veja aqui o que enfrentam mulheres pelo mundo inteiro e conheça algumas iniciativas

POR Redação Whow! | 13/05/2021 14h44 Pobreza Menstrual e a desigualdade de gênero

A pobreza menstrual afeta milhões de meninas e mulheres no mundo inteiro. Aproximadamente 1.8 bilhão delas menstruam mensalmente e alguns milhões deixam de realizar atividades simples do dia a dia, por um único e triste motivo: falta de produtos básicos para a higiene, como absorvente. 

De acordo com levantamento realizado, pela comunidade Toluna, com 1124 brasileiras, de 16 a 29 anos, em todo o país, alguns dados são preocupantes.  A pesquisa mostrou que uma em cada quatro meninas já faltou aula por não poder comprar absorventes. Outro dado é que 45% das entrevistadas acreditam que não ir à escola por isso impactou negativamente o rendimento escolar.

Segundo dados de levantamento da pesquisadora e antropóloga Mirian Goldenberg, o índice das mulheres sem acesso ao absorvente é maior no Brasil, ultrapassando a estimativa global da ONU.

A falta de absorventes, da chamada pobreza mundial, é um dos impactos da desigualdade de gênero. Alguns deles, são bem mais intensos em mulheres em situação de vulnerabilidade social.  Assim, entenda aqui o que é a pobreza menstrual e como ela afeta milhares de mulheres no Brasil.

O que é a pobreza menstrual

Em 2014, a ONU reconheceu a higiene menstrual como questão de saúde pública. Todavia, mesmo com essa atenção mundial, muitas mulheres sofrem com a falta de produtos básicos. 

Para exemplificar, até miolo de pão já foi utilizado para conter o fluxo. Esse caso foi apresentado, conforme relato da  ginecologista e obstetra Larissa Bahia, diretora executiva da Girl Up Brasil, em entrevista concedida ao programa Fantástico.

Pobreza menstrual não se refere à falta de dinheiro para comprar absorventes. Ela é apenas um sintoma de todo um problema global de falta de acesso aos itens básicos de higiene.

Dessa maneira, isso expõe claramente outros problemas, como a desigualdade social e a falta de saneamento básico. Assim, a saúde menstrual acaba não sendo um problema apenas das mulheres. Hoje, 2,3 milhões de pessoas no mundo vivem sem essas condições básicas. 

Ao passo que, nos países em desenvolvimento, somente 27% da população têm instalações sanitárias adequadas em casa, de acordo com a UNICEF. Aqui em nosso país, segundo a ONG Trata Brasil, 1,6 milhões de pessoas não têm banheiro em casa. Ainda, segundo levantamento 15 milhões não recebem água tratada e 26,9 milhões moram em locais com esgoto a céu aberto.

Acima de tudo, mulheres em situação de rua e/ou de pobreza, que vivem em abrigos, presidiárias, refugiadas, estudantes são as mais afetadas. Para elas, a menstruação é sinônimo de caos: não possuem dinheiro e, muito menos, têm acesso a banheiros.

Formas de combater a pobreza menstrual

Menstruar não custa barato: em média, as mulheres gastam em torno de R $6.000,00 com absorventes em todo o período fértil. Isso considerando as que possuem condições de adquirir o produto.  Algumas ações de combate à pobreza menstrual já tiveram início. Uma delas inspirou o projeto de lei n° 428/2020 da deputada Tabata Amaral (PDT-SP), que propõe a distribuição de absorventes em locais públicos.

Dessa forma, a diretora da Escola Municipal Cosme Farias, Edicleia Pereira em 2014, criou a ação intitulada banco de absorventes.

O projeto foi idealizado ao perceber a ausência das meninas em determinado período do mês. No conselho de classe, percebemos que as alunas faltavam em dias semelhantes no mês. Começamos a ir até as casas e, conversando mais amigavelmente, fora do contexto escolar, descobrimos que o motivo era que elas não possuíam absorventes”, relata a diretora.

Assim também, outro exemplo no combate à pobreza menstrual foi a Escócia, primeiro país a distribuir absorventes gratuitamente. A medida foi tomada não somente para por fim à falta de absorventes e sim, para combater o machismo e a desigualdade de gênero das escocesas.

Campanha da always traz assunto para pauta em 2021

Nesse sentido, muitas meninas recorrem a papel higiênico, roupas velhas ou toalhas de papel durante o período menstrual. Dessa forma, a prática pode levar a doenças do trato urinário e infecções nos rins e nos órgãos reprodutores femininos. 

A grande maioria delas também não se sente confiante no período menstrual e  têm vergonha de falar sobre o assunto. 

Logo, assim elas elas seguem com autoconfiança abalada e a saúde em risco. Nesse contexto,  para ajudar no combate à pobreza menstrual e falta de acesso a produtos de higiene durante o período, surgiu a #MeninaAjudaMenina, da Always.

A campanha, puxada por uma das maiores marcas P&G, tem como principal ação a compra e doação. A ação vem sendo realizada durante todo o mês de maio de 2021. Entre o dia 1° à 30, a cada absorvente comprado, a Always fará a doação de outro.

O limite será 1 milhão de unidades.  Ao passo que, até o momento, aproximadamente 200 mil absorventes femininos foram doados. Elas escondem esses sentimentos, mas, quando perceberem que não estão sozinhas, conseguirão enfrentar juntas esse problema”, explica ainda a pesquisadora e antropóloga Mirian Goldenberg. Além da doação, um dos principais objetivos da campanha é fomentar as discussões sobre o tema.

Como ser uma empresa que combate a desigualdade de gênero

O combate à desigualdade de gênero começa com o reconhecimento e apoio às diferenças. Durante o período, além da menstruação em si, mulheres sofrem outros desconfortos. Como forma de acolhê-las, grandes empresas realizaram algumas iniciativas, nos últimos anos. 

Por exemplo, a Nike, em 2007 introduziu a “licença menstrual”. A empresa fez com que seus parceiros comerciais assinaram um memorando, em forma de garantia do cumprimento dos padrões da empresa. 

Já a empresa britânica Coexist, desenvolveu uma política de flexibilização de horários para mulheres que estão no período menstrual. O objetivo da diretriz é buscar “criar um ambiente de trabalho mais feliz e saudável”,

Na Zâmbia, as mulheres têm direito a um dia de folga quando estão menstruadas e não precisam avisar antecipadamente que não vão. Basta telefonar e informar que vão tirar o “Dia das Mães”.  A empresa polonesa PLNY  LALA também adotou uma medida similar e as mulheres podem tirar um dia de folga durante o período menstrual.

Portanto, inspire-se em algumas dessas ações e contribua para reduzir essa desigualdade de gênero na sua empresa e, consequentemente, no país.

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