Pivotar pode ser a solução para o seu negócio - WHOW

Eficiência

Pivotar pode ser a solução para o seu negócio

Capacidade de “girar”, enxergar as coisas por outro ângulo e ir em outra direção é essencial para empresas que querem continuar relevantes

POR Gilberto Lima - Coluna Namastech | 26/10/2021 17h26

Olá, amigos empreendedores! 

Inicio minha coluna no Whow!, considerado entre as melhores plataformas sobre empreendedorismo e inovação de nosso país, com muita satisfação. Meu entusiasmo em escrever sobre o impacto das tecnologias disruptivas e das inovações de efeito exponencial é grande, pois vamos te atualizar e preparar para que estejas sempre um passo à frente em relação ao mercado.

Pivotar

Pivotar (do inglês to Pivot) significa, em tradução literal, “girar”. É um termo muito comum no meio das startups e, neste contexto, traz a noção de enxergar as coisas por outros ângulos, mudar de direção. No jogo de futebol, o jogador que atua como pivô é aquele que tem a capacidade de controlar a bola e “girar”, encontrando uma nova possibilidade de ataque com vistas ao melhor resultado, ou seja, fazer com que o time marque gols. 

No mundo dos negócios, refere-se à capacidade das empresas em adaptarem suas soluções, serviços e produtos voltados ao atendimento de determinadas demandas, para resolver ou contemplar outras necessidades em áreas ou setores em que a empresa nunca atuou ou mantinha um foco acessório. Pode-se pivotar a atuação do negócio, ampliando a sua resiliência frente às dificuldades do mercado.

Os exemplos são vários no mundo e no Brasil. Estratégias que consideram este posicionamento por vezes funcionam tão bem que passam a responder pelo principal faturamento da empresa, alterando o próprio objeto social. Quem nunca ouviu a incrível história do Post it, onde uma cola que “deu errado” por não ter o poder de fixação muito duradouro tornou-se uma das maiores e mais rentáveis inovações da gigante 3M? Aquela cola seria mais uma em meio a milhares, mas, ao pivotar a aplicação para atendimento da demanda das empresas em suas organizações de escritórios, revelou-se um mundo novo para a companhia em termos de faturamento. Sim, mesmo os seus fracassos podem se tornar ótimos negócios se, porventura, resolver problemas em alguma área ou foco diferente daquele para o qual foi concebido e que até aquele momento não representou sucesso.

7 empresas que pivotaram com sucesso

Baidu – China

A gigante chinesa de tecnologia que rivaliza com o Google chama-se Baidu e é uma corporação gigantesca dedicada à busca de informações na rede mundial de computadores. Recentemente, a companhia entrou no negócio de mobilidade humana, inaugurando uma empresa de ônibus. Mas que relação teria uma empresa do mundo digital com um serviço tão analógico? A resposta é: estratégia.

Uma vez que o 5G chinês já se destaca na liderança global, a baixa latência (velocidade de acesso a dados) proporcionada por esta tecnologia viabiliza o funcionamento de veículos autônomos com riscos de acidente próximo a zero. Ou seja, a Baidu, para mostrar o poder das telecomunicações de seu país, onde figura como um dos principais “players”, oferece no mercado de transportes urbanos uma opção moderna, não poluente (elétricos), fazendo com que empresários do setor de ônibus adquiram seus veículos não tripulados, utilizando seus serviços de Cloud Computing. Trata-se de um caso de diversificação de mercado. 

Betabrand – Portugal

Recentemente, conversei com amigos da indústria de móveis de luxo de Portugal, que antes atendiam, com execução sob medida, grandes marcas de varejo e hotéis – setores bastante afetados pela pandemia. Aplaudi o reposicionamento rápido que fizeram: perceberam que um segmento atendido numa escala muito pequena, o de demandas residenciais, estava se expandindo na crise, com novas construções e reformas de imóveis. 

Os empreendedores pivotaram a atuação para atender a demanda por marcenaria de alto nível. O resultado é que conseguiram manter a fábrica (muito avançada em termos de automação) em pleno funcionamento e conservaram o emprego dos 70 colaboradores. O exemplo representa um caso típico de estratégia de segmentação de mercado.

Magalu – Brasil

Frederico Trajano, CEO do Magalu, com a pandemia, precisou implementar em cinco dias um projeto cujo cronograma apontava para cinco meses, e que envolveu uma pivotagem muito forte do negócio entre o varejo físico e o digital. O sucesso ficou bem claro para os acionistas, clientes, fornecedores e funcionários, na sua declaração: “Digitalizar o varejo e os brasileiros faz parte da nossa estratégia de negócio e do nosso propósito como empresa — e ele nunca se mostrou tão necessário quanto nesses tempos que estamos vivendo”.

 Neste exemplo, identificamos uma mudança urgente e obrigatória do posicionamento das empresas de varejo com a mudança radical no costume dos consumidores que passaram a utilizar as plataformas digitais como canais prioritários para suas aquisições, das mais simples às mais sofisticadas. Aproveitaram também para converter pessoas desempregadas ou de baixa renda para transformá-los numa legião de vendedores digitais, com a facilidade da criação de lojas no Marketplace da Magalu.

Hellio Diff Coiffeur – Brasil – Distrito Federal

Gustavo Nakanishi é um jovem executivo de grande sucesso e experiência no ramo de salões de beleza de alto padrão. Além de comandar a rede própria da família no Distrito Federal, a Hellio Diff Coiffeur, com 40 anos de existência, também presta consultoria para as maiores redes de salões do país, tendo inclusive vivenciado experiências internacionais na área. 

“Experiência” sempre foi a palavra de ordem do grupo e, diante da pandemia, com redução drástica no movimento dos salões, novos personagens foram convocados para garantir que o bem-estar não perdesse para o Isolamento. Neste sentido, os recursos tecnológicos, como BI (Business Intelligence), Big Data, CRM e redes sociais, por exemplo, apoiaram a estratégia de digitalização da relação da empresa com os clientes. Uma agência de marketing digital foi internalizada nas dependências do headquarter e, em conjunto, passaram a desenvolver o posicionamento das linhas de produtos das marcas que representam — de uma maneira agradável, com uma linguagem atraente, notícias, dicas e informações super interessantes sobre beleza e qualidade de vida. Desta forma, valorizaram a interatividade com foco no relacionamento humanizado.

A conclusão é que a plataforma digital própria que desenvolveram, na revenda de produtos de beleza, já fatura mais que as lojas físicas e a plataforma de serviços vem em constante alavancagem, todas as semanas. Muito bom para um perfil de negócio tido como absolutamente analógico e resistente ao digital.

“Hoje a ida ao salão é o ponto alto de uma jornada que construímos com cada cliente, onde eles vivem a experiência de um olhar personalizado que construímos no meio digital”, declara Nakanishi.

Tiffany & Co – EUA

Marcas globais bem conhecidas muitas vezes não nasceram com o mesmo foco que as tornaram famosas. 

A famosa joalheria, fundada em 1837 por Charles Lewis Tiffany e Teddy Young, chamava-se “Tiffany & Young” e dedicava-se a venda artigos de papelaria e bens sofisticados, como escarradeiras, enfeites, relógios, aparelhos de jantar etc. Em 1853, quando Charles Tiffany era o único controlador, tornou-se o “Rei dos Diamantes” e posicionou o negócio no ramo de jóias que tornou-se mundialmente conhecido por “Império Azul”.

Jacuzzi – EUA

Em 1900, nos EUA, os italianos fundadores da Jacuzzi originalmente dedicavam-se à construção de aeronaves. Em 1925, vivenciaram uma tragédia com a morte de Giocondo Jacuzzi num acidente com uma de suas aeronaves fabricadas. Mudaram para o segmento de bombas de água em poços profundos até que, em 1955, entraram para o mercado de banheiras, cujo boom veio em 1970. A empresa consolidou-se neste mercado e alcança mais de 60 países com a distribuição de suas linhas de produtos que, além de banheiras, inclui chuveiros, pias entre outros itens.

LG – Coréia do Sul

Em 1947, a LG chamava-se L Lak-Hui Chemical Industrial Company, ou seja, atuava no ramo de produtos químicos para limpeza. Dez anos depois, o braço do negócio chamado Goldstar se tornou a primeira indústria de plásticos do país, até que uma fusão das duas empresas para atender a demanda do mercado eletroeletrônico a quem já fornecia as caixas dos rádios e TVs criou a LG, pivotando totalmente o negócio para se tornarem uma das maiores líderes mundiais do setor.

Pivotar: uma necessidade do momento atual

Quem fabrica, atua no segmento logístico, na área de gestão, contabilidade, formação, treinamento, atacado, varejo e qualquer setor que se possa imaginar precisa estar atento para o impacto da digitalização e do avanço das tecnologias disruptivas, em particular, da Inteligência Artificial e da manufatura aditiva 4.0 (Impressões 3D, Internet das Coisas, etc). Do contrário, corre o risco de virar pó e sumir do mapa. Neste caso, a reinvenção do negócio ou a identificação de novas aplicações em face destas mudanças exige um olhar atento, uma percepção mais rápida dos acontecimentos e isso passa por manter-se bem antenado com conteúdos, a exemplo destes proporcionados pelo Whow!. 

Tenho orientado diversas empresas prestando consultoria de “roadmaps de mercados” e, para algumas, nossa chegada já se revela tarde. Outras me ensinam muito sobre os resultados incríveis que estão a obter por compreenderem que no mundo atual não é mais “o grande que vence o pequeno”, e sim o “mais rápido é quem vence o mais lento”. 

Obviamente que isso não afasta a exigência de um planejamento pragmático considerando tudo o que há de mais moderno no mercado, desde as metodologias de Sprints, UX (do inglês, User Experience) ou Experiência do Usuário, Design Thinking, passando por Canvas, Biomimética, entre outros.

Pense nisso e, se fizer sentido para sua realidade atual, mude! Gosto da frase: “Ouse fazer e o poder lhe será dado”. 

Um forte abraço! 

Gilberto Lima é Internacionalista, Mentor de empresas de base tecnológica no Brasil e no exterior, Presidente do instituto illuminante de Inovação Tecnológica. www.gilbertonamastech.com.br / Redes sociais: gilbertonamastech