Como o perfil do empreendedor mudou ao longo do tempo - WHOW

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Como o perfil do empreendedor mudou ao longo do tempo

Formação, idade média e motivação dos empreendedores mudaram ao longo do tempo, sugerem pesquisas

POR Daniel Patrick Martins | 30/08/2021 19h23

O perfil do empreendedor brasileiro está mudando. É o que revela a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), maior estudo unificado de atividade empreendedora do mundo, realizada em mais de 46 países. A novidade é o impacto da pandemia na economia, consequentemente mudando a sociedade e os negócios gerados por ela.

“Houve uma queda de mais de 50% nos empreendedores estabelecidos, e cresceu o empreendedor inicial, que inclui a galera que perdeu o emprego e iniciou uma corrida pela sobrevivência, o empreendedorismo por necessidade”, explica Francisco Saboya, superintendente do Sebrae em Pernambuco, em entrevista ao Jornal do Commercio de Pernambuco.

A pesquisa, realizada anualmente há mais de duas décadas, mostra diversas mudanças no contexto empreendedor. Em 2005, 6% dos empreendedores tinha curso universitário, enquanto hoje são 24,4%; os iniciantes representam hoje 24,2%, ante 11,3% em 2005. Essas alterações refletem ao altos e baixos da economia, como, por exemplo, a demanda e oferta de trabalhos com carteira assinada, bem como o maior acesso ao ensino superior que ocorreu nos últimos anos.

“Mudou o mercado e mudou o perfil do empreendedor, porque esse profissional se adapta muito facilmente. O empreendedor brasileiro compreende a mudança e se encaixa muito rapidamente. Aquele microempresário que tinha, antigamente, um pequeno restaurante nas regiões administrativas quebrou. Porque ele não pode suportar meses e meses sem faturar. Mas ele, certamente, achou outra opção de empreendedorismo e tem sobrevivido disso. Esse é o empreendedor brasileiro, que se vira e se vira bem”, relata Valdir Oliveira, superintendente do Sebrae no Distrito Federal, em entrevista ao Correio Braziliense.

Ainda sobre a pesquisa do GEM, a parcela de empreendedores acima dos 65 anos aumentou. Se comparado os anos de 2014, em que os jovens eram 2,5 vezes mais das pessoas que empreendiam, em relação ao de 2020, onde as pessoas idosas representam 1,5 vezes dos que empreendem.

“As características fundamentais do ambiente empreendedor continuarão iguais. O que vai mudar é a forma de fazer algumas coisas, como a aceleração digital. Então a diferença vai ser a necessidade de utilizar de forma mais intensa essas ferramentas dentro do ambiente profissional. Se não reconhecer essa necessidade, será um problema. Mas, para ser bem-sucedido, um empreendedor continua tendo que atender uma demanda. É essencial ter uma visão, um impulso pessoal para perseverar e a capacidade de se adaptar muito rapidamente. Os empreendedores bem-sucedidos são aqueles que criam modelos de disrupção. E, se você trouxer uma solução muito inovadora, no início será difícil atrair o consumidor. Então é preciso adaptar a mudança às pessoas. Como se diz no futebol, ‘jogo de cintura’, é isso que é preciso ter”, comenta Michael Chu, professor de Harvard e empresário, em entrevista a Revista Gama.

Com isso, seja no contexto das pequenas e médias empresas ou mesmo para as grandes, o que fica é o aprendizado e a consolidação das ferramentas usadas para alavancar negócios e empreender com produtos e serviços que atendam aos novos perfis do consumidor.

“Os donos de negócios devem olhar mais para satisfação, porque essas são as garantias de um bom atendimento ao cliente ou bons projetos. O que era adaptação virou consolidação”, relata Fernanda Caloi, diretora de programas do Google for Startups na América Latina, em entrevista a InfoMoney.