Os três únicos motivos para aplicar tecnologia nos negócios - WHOW

Tecnologia

Os três únicos motivos para aplicar tecnologia nos negócios

Em entrevista ao Vida Loka, podcast do Whow!, Rodrigo Miranda, fundador e CEO da Zaitt, afirma que tecnologia não deve ser um fim, mas sim um meio para atingir os objetivos da empresa

POR Redação Whow! | 08/07/2021 17h46

Já não é possível subestimar a importância da tecnologia no mundo dos negócios. A tendência da digitalização, acelerada pela pandemia, fez com que até empresas nativas do mundo físico adotassem ferramentas online. Além disso, há cada vez mais produtos e serviços de tecnologia disponíveis no mercado a preços acessíveis para empreendimentos de qualquer porte.

Neste contexto, muitos empreendedores buscam formas de agregar tecnologia em seus negócios. No entanto, isso nem sempre é positivo. Segundo Rodrigo Miranda, CEO e fundador da startup de varejo autônomo Zaitt, existem apenas três motivos pelos quais uma empresa deve investir em tecnologia.

“Colocar a tecnologia como fim é algo que atrapalha os negócios. Tenho acompanhado muita empresa de mercado tradicional que decide: ‘temos que usar Inteligência Artificial. Temos que usar Machine Learning’. Isso não pode ser o objetivo”, afirma Miranda, durante o primeiro episódio do Vida Loka, podcast do Whow!. “Uma empresa investe por três motivos, apenas: ou para aumentar receita, ou para reduzir custo ou para reduzir risco. Com a tecnologia não pode ser diferente”.

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Tecnologia para uma loja autônoma

Durante sua jornada à frente da Zaitt, o empreendedor lidou com uma série de inovações tecnológicas de ponta para desenvolver uma loja autônoma. Rodrigo Miranda destaca, porém, que a motivação, desde o começo, foi a redução de custos. “O melhor motivo para inovar é ter conta para pagar”, brinca. O desafio, na época, era criar uma loja de conveniência com um investimento inicial baixo e reduzir o custo fixo. Foi daí que surgiu a ideia de usar tecnologia para diminuir os gastos com funcionários, que evoluiu para a autonomia total.

A Zaitt se firmou como a primeira loja autônoma da América Latina após o lançamento em São Paulo, em 2019. Isto não significa, porém, que o produto estava pronto. Segundo o empreendedor, o negócio estava, naquele ano, em seu auge de “complexidade tecnológica”. A Zaitt chegou a desenvolver um sistema de visão computacional e de identificação por radiofrequência (RFID) para reconhecer quando um produto saía da loja.

Aos poucos, no entanto, os testes no mercado mostraram que soluções menos tecnológicas eram mais convenientes para o usuário final. “Tinha mais clientes comprando por QR Code, que foi o primeiro método de compra que usamos, do que por RFID, que eu tinha gastado centenas de milhares de reais para desenvolver”, revela Rodrigo Miranda. “Ou seja, eu investi em uma tecnologia que não aumentou minha receita, não diminuiu o risco e aumentou meu custo”. Hoje, segundo o empreendedor, foi possível chegar a um modelo tecnológico que é bem mais simples, seguro e rentável do que o que era vigente há dois anos.

Nem todo negócio precisa ser startup

Empresas que querem criar produtos ou serviços com alta escalabilidade, apresentar crescimento exponencial e atrair investimentos de fundos de Venture Capital são startups e precisam de tecnologia aplicada ao negócio. Isso não significa, porém, que este é o único modelo de crescimento para novos empreendimentos.

O CEO da Zaitt usa como exemplo uma conversa que teve com um fundador de um negócio do qual era conselheiro. Na visão de Rodrigo Miranda, este empreendedor foi “empurrado pela hype das startups”, mas claramente estava desconfortável com o ritmo acelerado deste tipo de empreendimento. “Eu perguntei: você já pensou em construir uma empresa que cresce com menor velocidade, mas tem capacidade de caixa, é mais estruturada, tradicional e tem tecnologia só onde gera eficiência?”, revela Miranda. “O que a PF (pessoa física) por trás da PJ (pessoa jurídica) realmente deseja?”, afirma.

Na visão de Rodrigo Miranda, o lado humano é o mais importante nesta decisão. “Tem muito a ver com o perfil de quem está empreendendo. Não é só a vocação do modelo de negócio que importa”, conclui.