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Os principais desafios dos líderes de negócios digitais

Gabriel Lima, CEO e fundador da Enext, e autor, aborda as diferenças na atuação do líder de um negócio digital em relação ao gestor de uma empresa. Confira

POR Adriana Fonseca | 06/08/2020 18h32 Imagem: Andrea Piacquadio (Pexels) Imagem: Andrea Piacquadio (Pexels)

Você acabou de ler sobre as características que líderes digitais precisam desenvolver, tanto hoje quanto no para o futuro. Porém, quais são as principais diferenças na atuação do líder de um negócio digital em relação ao gestor de uma empresa e também as tendências para o mercado de negócios digitais?

Leia tudo neste entrevista completa com Gabriel Lima, CEO e fundador da Enext, uma empresa do grupo WPP, e autor do livro “Líderes Digitais, um ensaio sobre como gerir negócios digitais na visão de 21 líderes brasileiros”.

Se você ainda não leu a matéria completar a esta entrevista, acesse o conteúdo anterior aqui.

Os principais desafios dos líderes de negócios digitais

Whow!: Como é ser líder de um negócio digital?
Gabriel Lima: “A gestão dos negócios digitais é, ao mesmo tempo, excitante e desafiadora. Por um lado, temos um mercado que cresce de maneira significativa ao longo das últimas duas décadas; por outro, temos desafios imensos no processo de transformação digital nas organizações, que levam a quebras de paradigmas constantes e a um olhar para o novo, sem o embasamento das regras do passado. A velocidade com que as coisas acontecem faz com que o líder tenha que estar sempre atento, sempre aprendendo e se especializando, além de criar formas para engajar seu time de maneira eficiente, levando à performance da organização.”


W!: Quais são as principais diferenças na atuação do líder de um negócio digital em relação ao gestor de uma empresa que não é essencialmente digital?
GL: “Existem algumas diferenças fundamentais entre os negócios digitais e as empresas tradicionais que diferenciam a forma como a liderança atua. Dentre elas, podemos destacar, nos negócios digitais, a cultura organizacional, que é muito mais dinâmica e horizontalizada; a gestão baseada em dados, que faz com que haja a necessidade de um alto grau de conhecimento e competências analíticas; e a complexidade do ambiente, que também é muito alta e dinâmica, não permitindo que o conhecimento fique centralizado. Portanto, nesse universo não há espaço para processos de decisão de cima para baixo, mas sim uma construção das ações em conjunto com o time, que envolve a sua capacidade de relacionamento entre os diversos interlocutores, assim como capacidade de comunicação para convencimento do que deve ser executado para se atingir os objetivos.”


W!:Quais são os principais desafios que os líderes de um negócio digital enfrentam?
GL: “Os desafios enfrentados pelas lideranças digitais brasileiras são diversos. Podemos dividi-los em algumas fases distintas, começando pela escassez. Em um primeiro momento, logo no início da primeira década dos anos 2000, havia a falta de base instalada para escala, ou seja, a disseminação da internet ainda não era ampla e poucas pessoas tinham acesso. Apesar de todo o potencial, ela ainda era reprimida pela falta de usuários, o que acabava fazendo com que poucos empresários investissem ou acreditassem no setor. Também era difícil atrair talentos, convencer as pessoas a vender ou fazer negócios pelo canal, além de uma infraestrutura tecnológica cara, em amadurecimento do ponto de vista de segurança e com diversos furos para experiência do consumidor. Nessa época de escassez, o desafio da liderança era o de construir o negócio sem referências.”

Tendências para o mercado

negócios digitais Foto do autor Gabriel Lima (divulgação)


W!: Depois disso, como foram as fases que se seguiram?
GL: “Um segundo momento foi de amadurecimento. Em meados dos anos 2010, com a popularização da internet estimulada pelo Estado, barateamento dos custos de tecnologia, surgimento dos dispositivos móveis e redes sociais, a escala começou a gerar modelos de negócios eficientes. Nesse momento os desafios passaram a ser da ordem organizacional. Muitas empresas começaram a investir em negócios digitais, seja através de comércio eletrônico ou através de iniciativas de marketing digital. A competição começou a ficar mais acirrada, as empresas começaram a ter resultados expressivos e o setor deixou de ser uma aposta para se transformar em uma realidade.

Ainda assim, havia uma necessidade do convencimento dentro das organizações para abraçar o digital, e a inércia dos negócios ainda agia para evitar a transformação. Nesse momento, o desafio da liderança era o convencimento da organização dos negócios digitais e a elaboração de estruturas de escala em um negócio de alta velocidade. Mesmo assim o ecossistema se consolidou e iniciou seu processo de amadurecimento.”


W!: Hoje, em que momento estamos?
GL: “Por fim, temos a fase de consolidação entre os anos de 2015 e 2020, com a estabilização e a integração dos negócios digitais na realidade da economia. O boom dos dispositivos móveis e das redes sociais assegurou o sucesso dos modelos de negócios da chamada gig economy. As tecnologias, amplamente divulgadas ficaram baratas e confiáveis. A competição do mercado passou a ser acirrada e a transformação dos negócios entrou em um ciclo mais acelerado, com as empresas de tecnologia liderando a transformação em diversos setores. Nessa fase, o papel da liderança se alterou novamente, e a performance das organizações deixou de ser meramente um fator associado à análise de conjuntura estratégica, decisão e execução. O líder passou a ter um papel ainda mais preponderante do ponto de vista de gestão organizacional, liderança de pessoas e alinhamento de objetivos para alcançar a performance esperada.”


W!: Pode falar um pouco sobre o que vê de tendências para o mercado de negócios digitais?
GL: “Acredito que teremos a consolidação de algumas iniciativas que já vinham acontecendo, mas de maneira menos intensa. Dentre elas podemos destacar quatro que mais chamam minha atenção e são discutidas pelos líderes digitais no livro. São elas: uma maior participação do e-commerce no varejo, a disseminação do trabalho remoto, a intensificação da aplicação das tecnologias de inteligência artificial como diferencial competitivo e uma jornada de trabalho por projetos, muito mais do que por cargos.”


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