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Os novos desafios da inovação no pós-pandemia

Conheça as macrotendências que acompanham as sociedades no enfrentamento de pandemias e saiba quais são os novos desafios da inovação

POR Carolina Cozer | 10/11/2020 18h00

Em nenhum momento da história uma pandemia passou pelas civilizações e deixou a vida humana do mesmo jeito. Pandemias se instalam como traumas, que estão relacionados ao impacto e nas transformações que inconscientemente fazemos para dar conta da dor e do sofrimento.

Através dessa mensagem, Michel Alcoforado, antropólogo, PhD, especializado em consumo e comportamento e sócio-fundador do Grupo Consumoteca começou a sua Trend Session “Inovação e Pós-Pandemia” no Whow! Festival de Inovação 2020.

Michel apresentou as macrotendências que acompanham as sociedades em enfrentamento do trauma de uma pandemia, e falou sobre os desafios de inovar em tempos de caos. “Em nenhuma sociedade do mundo, após o enfrentamento de uma pandemia, se saiu pensando da mesma forma. Há sempre a linguagem do trauma e a transformação como regra nesse movimento, e é isso que precisamos prestar atenção”, diz.

Maior preocupação com limpeza

“Em todo e qualquer processo pandêmico, as civilizações saem com preocupações maiores quanto à higiene. A preocupação com a limpeza é uma verdade e é uma constante quando pensamos em processos pandêmicos.”

Individualismo e nacionalismo

“Diferentemente do que muitos afirmam, não sairemos melhores ou mais coletivistas dessa pandemia, pelo contrário. Isso ocorre porque processos pandêmicos impõem a lógica do ditado popular “farinha pouca, meu pirão primeiro”, ou seja, com a escassez e os instintos de sobrevivência mais aflorados, a tendência é que as pessoas queiram garantir o seu “pirão” antes dos demais.”

Controle e vigilância

“Depois de processos pandêmicos saímos entendendo que, de vez em quando, em nome da saúde, passamos a aceitar dar “nacos” de liberdade para o outro, em troca de um pouco de segurança. No mundo de hoje, estamos falando de controle de dados. Vamos ficar menos preocupados com nossos dados, porque eles prometem nos fornecer recursos de segurança.”

Foco na saúde preventiva

“Após processos pandêmicos, vemos um fortalecimento dos sistemas de saúde ― que é o único ponto inteiramente positivo dessa lista. Após a gripe Espanhola, por exemplo, os ingleses desenvolveram o sistema de saúde pública, que foi fonte de inspiração para o SUS.”

Movimento DAD

Essas quatro macrotendências, juntas, formam o movimento que Alcoforado chama de DAD: Desmaterialização, Assepsia e Descontextualização, que trazem alegorias de como estamos vivendo, e como as inovações devem se comportar em um futuro próximo.

A Desmaterialização, segundo o PhD, fala da tentativa de levar para dentro da internet todo e qualquer tipo de comportamento e relação entre marcas e consumidores. “Todo mundo quer resolver a vida de algum jeito dentro das plataformas digitais. É o processo que muitos CEOs comentam que a transformação digital foi acelerada entre 7 a 10 anos na pandemia. Essa é a força do coronavírus, no qual aqueles que não desmaterializam morrem”, explica.

Graças à desmaterialização, todas as inovações que veremos daqui pra frente terão esse caráter imaterial, e irão cobrar das empresas e da sociedade que olhem cada vez mais para esse mundo desmaterializado.

A Assepsia não fala somente da limpeza, mas também da busca por mediadores de segurança, tudo que gere uma relação de segurança na inter-relação com o outro. “Não são somente as máscaras e o álcool em gel, mas também as câmeras que permitem transmissões online”, comenta Alcoforado.

Por fim, a Descontextualização fala a respeito da atual falta de entendimento da passagem de tempo. “Estamos vivendo em um mundo onde as pessoas não comemoram a passagem do tempo, onde não há entendimento do que é fim de semana ou segunda-feira, de quando é seu aniversário, de ter um dia para encher a car. A vida virou fluxo, todos os dias são iguais. Estamos vivendo em uma lógica de ontem, hoje e amanhã”, afirma.

inovação Foto: Tonik (Unsplash)

Os novos desafios da inovação

Com as acelerações da transformação digital e as mudanças ocasionadas pela pandemia, as pessoas já estão exaustas de tantas mudanças. Mas segundo Alcoforado, a partir de agora aceitas as mudanças será vital para a sobrevivência: “Ou você muda ou você morre”, diz.

De acordo com o especialista, não dá para inovar sem levar em consideração as mudanças aceleradas. “Precisamos aceitar que a mudança é o mote fundamental dos nossos tempos, e precisamos saber lidar com isso para não sofrer”, afirma.

O desafio, Alcoforado comenta, e encontrar um jeito de inventar um produto ou solução que faça sentido para o mundo atual, e que conecte os usuários com esse futuro. “Não podemos deixar de considerar que a tecnologia tem um papel importantíssimo dentro desse processo”, diz. 

Novos valores para a inovação

De acordo com Alcoforado, as transformações do mundo estão diretamente conectadas com as condições e invenções tecnológicas. “Quanto mais a gente inventa tecnologia, mais o mundo corre”, defende. Assim, nossa rotina se torna cada vez mais complexa e cheia de elementos tecnológicos à medida que novas inovações surgem no mundo.

Por outro lado, para poder continuar tendo relevância para os consumidores, o antropólogo afirma que as empresas precisam inventar coisas que gerem conexão com mundo como ele é hoje. “Que história a sua empresa está contando? Em um mundo em constante transformação, você está mudando a sua história de vida, a maneira como você pensa, a maneira como a organização se vê?”, questiona. “Aquelas empresas que estão presas aos mesmos valores de sua criação, de décadas atrás, estão erradas. Afinal, se o mundo mudou, você não pode manter os mesmos valores”, diz.

“Para criar uma empresa vencedora, conectada com as tendências dos novos comportamentos do mundo, você precisa saber se está contando a história correta, se você possibilita se reinventar do jeito que o mundo pede. Não há inovação sem reinvenção”

Michel Alcoforado, antropólogo, PhD e sócio-fundador do Grupo Consumoteca


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