Os impactos da Covid-19 na economia compartilhada - WHOW
Consumo

Os impactos da Covid-19 na economia compartilhada

A pandemia afetou negócios que se baseiam no compartilhamento de objetos ou serviços e colocou este modelo em xeque

POR Luiza Bravo | 07/09/2020 12h00

Há pouco mais de dez anos, surgiam plataformas como Airbnb, Uber e Lyft e o termo “economia compartilhada” gerava mais dúvidas do que entusiasmo. De lá para cá, muita coisa mudou: milhares de startups baseadas nesse modelo surgiram, impulsionadas pela consciência crescente acerca do consumo. Mas, e agora? Como ficam os negócios de economia compartilhada durante e após a pandemia da Covid-19, depois de o mundo inteiro receber orientações de distanciamento social?

Crise generalizada

Com a disseminação dos smartphones pelo mundo, as plataformas de compartilhamento de serviços “explodiram”. O Uber e seus concorrentes dominaram o transporte terrestre ponto a ponto, e antes da pandemia, o Airbnb estava batendo as maiores marcas de hotéis do mundo todo em número quartos alugados e gastos do consumidor. 

Com a eclosão da pandemia, no entanto, o compartilhamento perdeu força. O Uber testemunhou um declínio de 80% em seus negócios, demitiu 6,7 mil funcionários, além dos motoristas, e fechou 45 escritórios. O Airbnb sofreu com os cancelamentos em massa, e dispensou quase dois mil colaboradores. 

Para a futurista brasileira Jacqueline Weigel, no entanto, a crise não se restringe a essas empresas. As formas tradicionais de transporte de consumo também sofreram quedas acentuadas no número de passageiros durante a pandemia, seja por avião, trem, ônibus ou táxi . Da mesma forma, os hotéis ao redor do mundo também registraram baixa ocupação. “O comércio fechou, a indústria e os eventos pararam, todo mundo teve esse primeiro impacto, ninguém saiu da pandemia sendo zero afetado”, diz.

Crise ou oportunidade?

De acordo com a futurista, neste momento, as empresas precisam olhar para as oportunidades trazidas pela Covid-19. “A gente precisou parar para quebrar um modelo mental, uma cultura, uma forma de viver e trabalhar, e agora tem milhares de oportunidades por aí, especialmente para essas empresas de modelos novos. A gente tem milhares de sinais de que muitas coisas são necessárias e que o consumidor vai querer cada vez mais esse tipo de empresa, e eu acho que quem é estrategista precisa se antecipar e colocar o foco naquilo que pode ser a partir de agora, não naquilo que foi antes da pandemia”, comenta.

As empresas que sentiram os impactos do coronavírus precisarão ramificar seus negócios, em busca de mercados e clientes inexplorados ou novos produtos ociosos. O Airbnb, por exemplo, tem expandido sua atuação para o aluguel de casas de longo prazo, que pode ser menos afetado pelas restrições de viagem. 

Em última instância, os efeitos da crise sobre o bolso do consumidor podem ser uma vantagem para as empresas de compartilhamento. “A pandemia talvez faça com que esses negócios ganhem tração porque, evidentemente, as pessoas querem gastar menos, ter menos.

“Estamos numa era de consumo consciente, de responsabilidade com o não-excesso, com o não acumular, com o minimalismo, e acho que esses negócios têm excelentes oportunidades como resultado da pandemia.”

 Jacqueline Weigel, futurista brasileira

Para ela, a crise trouxe um grande teste de resiliência, e nos fez entender quem é capaz de contornar um evento como esse rapidamente, quem é capaz de se instalar provisoriamente sem sucumbir aos impactos e quem, daqui pra frente, já está pronto para esse novo mundo que se formou. “Eu diria que a pandemia é um marco entre os séculos XX e XXI, e o mundo diferente que a gente quer construir já começou. Então, a minha dica é: não olhe para trás, e nem olhe só para o seu entorno. Olhe para o longo prazo. Decisões de curto prazo são um erro estratégico a partir de agora”, conclui. 


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