Os "7 hábitos das pessoas altamente eficazes" podem te ajudar a empreender? - WHOW
Pessoas

Os “7 hábitos das pessoas altamente eficazes” podem te ajudar a empreender?

Livro de Stepen R. Covey se tornou uma espécie de guia para muitos líderes, executivos e empreendedores em geral que buscam referenciais para se tornarem melhores em suas funções.

POR Marcelo Almeida | 23/12/2021 17h48 Os “7 hábitos das pessoas altamente eficazes” podem te ajudar a empreender?

Um best-seller global, o livro “Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes – Lições Poderosas para a Transformação Pessoal”, de Stepen R. Covey, acabou criando uma lista de admiradores entre diversas personalidades do mundo dos negócios.

Meg Whitman, CEO da Hewlett-Packard, escreveu: “Os 7 hábitos têm guiado muitos de nós na jornada no mundo dos negócios. Um excelente livro para qualquer um que deseje ser um grande líder.”

Trata-se de um bom resumo do que o livro se tornou: uma espécie de guia para muitos executivos e empreendedores em geral que buscam referenciais para se tornarem melhores em suas funções.

Embora à primeira vista, pelo título e outros detalhes, o livro possa parecer um guia de autoajuda que não se diferencia muito de dezenas lançados todos os meses pelo mundo, a obra de Covey tem alguns diferenciais positivos.

Na introdução, ele faz uma reflexão sobre o que define como ética da personalidade e ética do caráter, que de certa forma acabam se contrapondo.

Enquanto a ética do caráter ensina que existem princípios básicos para uma vida proveitosa, e que para alcançar isso as pessoas precisam integrar esses princípios ao seu caráter, a ética da personalidade é marcada por técnicas de relações públicas e humanas e uma mentalidade mental positiva e torna o sucesso uma decorrência da personalidade, da imagem pública, das atitudes e dos comportamentos em geral que lubrificam o processo de interação humana.

Segundo Covey, enquanto a ética do caráter tenha sido predominante na literatura sobre sucesso nos primeiros 150 anos da história dos EUA, a ética da personalidade se tornou o foco nos últimos 50 anos.

Para o autor, embora a ética da personalidade tenha algumas máximas válidas, ela tende a ser mais superficial e possuir um caráter manipulador, no sentido de usar técnicas para fazer com que os outros gostem da gente para conseguir, por meio do favorecimento daquela pessoa, algum objetivo material que buscamos.

Com o foco cada vez maior na ética da personalidade, o caráter passou ser considerado algo secundário, já que o importante eram as técnicas que permitiam influenciar as pessoas de forma rápida, as estratégias de poder, as habilidades de comunicação e as atitudes positivas.

Para o Covey, no entanto, trata-se do exato oposto: embora essas técnicas citadas possam influenciar o sucesso individual, elas são secundárias em relação à necessidade de cultivar uma profunda integridade e uma boa força de caráter para lidar com os desafios que surgem na vida profissional, sobretudo do ponto de vista de um líder.

O objetivo do autor, então, passou a ser traçar os princípios fundamentais para guiar um indivíduo que pretende ser bem sucedido, sem recorrer a atalhos ou a técnicas que podem até levar as pessoas a te favorecerem, mas que só geram benefícios de curto prazo.

Para isso, ele traçou o que chama de princípios fundamentais da eficácia humana, que são os 7 hábitos que representam a interiorização dos princípios corretos nos quais estão baseados o sucesso. São eles:

  1. Seja proativo

  2. Comece com o objetivo em mente

  3. Primeiro o mais importante

  4. Pense ganha/ganha

  5. Procure primeiro compreender, depois ser compreendido

  6. Crie sinergia

  7. Afine o instrumento

7 hábitos em análise

O primeiro hábito pode parecer autoexplicativo, mas o autor não busca apenas usá-lo no sentido de dizer que é importante “tomar a iniciativa”.

Para Covey, “entre o estímulo e a resposta encontra-se a liberdade de escolha do ser humano”, ou seja, a forma como decidimos reagir aos acontecimentos que estão fora de nosso controle, mas que interferem em nossas vidas, refletem a nossa liberdade de ação, a nossa autonomia. Para ele, em contraposição ao indivíduo proativo, que é capaz de subordinar um impulso a um valor, ou seja, que consegue se comportar guiado por valores que considera importantes, nobres, justos.

“Pessoas proativas acostumam-se com a responsabilidade. Não colocam a culpa por seu comportamento em circunstâncias, condições ou condicionamentos”, escreve o autor. “Seu comportamento é produto de sua própria escolha consciente, baseada em valores, não resultado de um condicionamento, baseado em sentimentos.”

De forma geral, ele considera importante cultivar essas características da pessoa proativa para não nos tornarmos meramente reativos, ou seja, pessoas que acabam sendo “determinadas” pelo ambiente.

O segundo hábito, por sua vez, ressalta a necessidade de manter o foco nos objetivos mais importantes para se tornar um líder eficiente.

“É incrivelmente fácil ser pego pela ilusão da atividade, na correria da vida, e trabalhar cada vez mais para subir a escada do sucesso, só para descobrir que a escada estava apoiada na parede errada. É possível viver ocupado – muito ocupado – sem ser muito eficaz”, escreve Covey sobre o assunto.

Para ele, não apenas para questões práticas e de eficiência é preciso manter o objetivo em mente, mas também para ter uma melhor condição de vida. “Como nossa vida muda quando realmente sabemos o que, no fundo, é mais importante para nós e mantemos isso fresco na mente, conseguindo fazer e ser diariamente aquilo que realmente importa”, escreve o autor.

Focando mais na parte dos negócios, ele escreve: “Se você pretende ter uma empresa bem sucedida, defina claramente o que está tentando conseguir. Reflita cuidadosamente sobre o produto ou serviço que quer oferecer, em termos de mercado-alvo, e depois organize os elementos – finanças, pesquisa, desenvolvimento, operações, marketing, pessoal, instalações físicas e assim por diante – para atingir seu objetivo. Sua capacidade de começar com o objetivo em mente com frequência determina se você é ou não capaz de criar uma empresa bem sucedida. Muitos fracassos empresariais começaram na primeira criação, com problemas como falta de capital suficiente, falta de compreensão do mercado ou de um planejamento adequado.”

O terceiro hábito acaba sendo o lado prático dos hábitos 1 e 2, ou seja, na medida em que você consegue ser proativo – no sentido de traçar um roteiro único e ser o criador, estar no comando para decidir o caminho que quer seguir – e consegue manter o objetivo em mente – capaz de criar mentalmente algo que os olhos não veem e as formas como chegar a um objetivo por meio de nosso caráter e das orientações pessoal, moral, e ética que temos – isso geralmente torna possível iniciar o terceiro hábito, que envolve a elaboração física do que até agora era maquinado e projetado por meio da mente, da imaginação e da abstração, mas que também é a realização, a transformação em realidade, a emergência natural dos dois primeiros hábitos.

“É o exercício da vontade independente para que a pessoa se torne centrada nos princípios. É uma atuação no dia a dia, a cada segundo”, escreve o autor.

De forma geral, este hábito está associado ao gerenciamento pessoal eficaz. “O gerenciamento é a divisão em partes, a análise, o sequenciamento, a aplicação específica, a tendência temporal do cérebro esquerdo, que leva ao autogoverno eficaz. Meu lema para a eficácia pessoal é: gerenciamento com o esquerdo, liderança com o direito”, escreve Covey. “Além da autoconsciência, da imaginação e da consciência, é o quarto dom humano – a vontade independente – que realmente torna possível o gerenciamento pessoal eficaz. É a capacidade para tomar decisões e fazer escolhas agindo de acordo com elas. É a habilidade para agir e não permitir que determinem suas ações, de levar adiante seus planos, desenvolvidos proativamente por meio dos outros três dons.”

O gerenciamento eficaz É fazer primeiro o mais importante. “Enquanto é a liderança que resolve o que é ‘mais importante’, é o gerenciamento que coloca o mais importante em primeiro lugar, no dia a dia, a cada momento. Gerenciamento é disciplina, vontade de fazer direito”, resume o autor.

O quarto hábito é uma tradução literal do conceito win/win, que é mais comum na literatura de língua inglesa e descreve, basicamente, uma relação interpessoal em que as duas partes envolvidas são beneficiadas.

“O ganha/ganha é um estado de espírito que busca constantemente o benefício mútuo em todas as interações humanas. Significa entender que os acordos e soluções são mutuamente benéficos, mutuamente satisfatórios. Com uma solução ganha/ganha, todas as partes se sentem bem com a decisão e comprometidas com o plano de ação”, escreve Covey.

Para o autor, é fundamental pensar no ambiente de trabalho como um espaço de colaboração, não de competição.

Infelizmente, muitas pessoas acabam internalizando demais uma cultura baseada em dicotomias, em vencedores e perdedores, e acabam agindo de forma impulsiva e buscando superar seus pares muitas vezes até de forma inconsciente, como se houvesse sempre uma necessidade de se destacar e mostrar que está acima dos outros em competência.

Enquanto esse tipo de pensamento é fundado em uma noção de que precisam existir necessariamente ganhadores e perdedores, o paradigma de interação ganha/ganha se baseia na ideia de que há o suficiente para todos e que o sucesso de uma pessoa não é conquistado por meio do sacrifício ou exclusão de outra.

O quinto hábito trata dos princípios da comunicação empática, da necessidade de evitar uma tendência que nós temos de “atropelar o sentimento das pessoas, de correr para resolver as coisas por meio de conselhos”, como escreve Covey.

Mas não tomamos tempo suficiente, segundo ele, para realizar um diagnóstico mais detalhado da situação antes de sair fazendo conselhos e “prescrevendo” os remédios para solucionar determinada situação.

Além disso, a maioria das pessoas é incapaz de escutar com a intenção apenas de compreender, mas de responder. Estão sempre falando ou se preparando para falar, filtrando tudo através de seus próprios paradigmas.

Isso revela uma incapacidade fundamental de se colocar na posição de outra pessoa e buscar realmente entender suas motivações, seus valores, o que motiva a sua conduta, o que é realmente importante para ela, etc.

“A escuta empática é poderosa porque lhe dá informações precisas para trabalhar. Em vez de projetar sua própria autobiografia e presumir pensamentos, sentimentos, motivos e interpretações, você lida com a realidade interna de outra pessoa, o que está no coração e na mente dela. Ouve para compreender. Concentra-se em receber a comunicação mais profunda de outro ser humano”, escreve o autor.

O sexto hábito trata dos princípios da cooperação criativa.

Para o autor, a “sinergia é a essência da liderança baseada em princípios. Ela catalisa, unifica e libera os poderes existentes dentro das pessoas. Todos os hábitos que abordamos nos preparam para criar o milagre da sinergia.”

Além de caracterizar o conceito por meio de palavras grandiosas, o autor define sinergia dizendo que “o todo é maior do que a soma das partes” e que “a relação estabelecida entre as partes é, em si e por si, também uma parte”, indo além e considerando que seria a parte mais “poderosa e excitante”, ao mesmo tempo em que diz que o processo criativo também é a parte mais terrível, uma vez que você não sabe o que vai acontecer ou aonde chegará.

A sinergia teria como essência a valorização das diferenças, respeitando-as e investindo nos pontos fortes, compensando as fraquezas.

Para que um time consiga trabalhar de forma mais eficiente e ser capaz de criar algo único, a sinergia funcionaria quase como “um acordo coletivo de um grupo para deixar de lado os antigos roteiros e escrever um novo”, escreve o autor.

Isso porque muitas vezes a cultura organizacional leva os profissionais mais a se posicionarem de determinada forma e defenderem suas posições em reuniões do que propriamente ouvir, pensar em alternativas e chegar a outras soluções possíveis.

Para Covey, o nível mais baixo de comunicação deriva de situações de desconfiança, que se caracterizam por uma atitude cuidadosa, defensiva e frequentemente pela linguagem baseada nas formalidades legais, que cobre todas as possibilidades e procura padrões e cláusulas de rompimento para quando as coisas não dão certo. Essa forma de comunicação só levaria a situações de perde/ganha, ou seja, com uma pessoa saindo por cima e outra por baixo.

Já a respeitosa ocupa uma posição intermediária e envolve interações com pessoas relativamente maduras que demonstram respeito pelos outros e querem evitar a possibilidade de um confronto, comunicando-se de forma polida, mas não enfática. “Elas podem entender intelectualmente o que os outros dizem, mas não olham lá no fundo, para ver os paradigmas e pressupostos que estão por trás de suas posições, o que abriria caminho a outras possibilidades”, escreve o autor. No fim das contas, os dois lados cedem. A comunicação não é defensiva, mas também não é criativa ou sinérgica.

A comunicação sinérgica seria a única possibilidade de termos uma situação ganha/ganha, já que pode produzir soluções melhores do que as propostas originalmente, constituindo um empreendimento criativo. Por meio dos insights alheios e dos nossos próprios, que podem ser únicos e originais e representar algo totalmente impensado para outras pessoas, é possível chegar a uma síntese que vá além da somatória dos conhecimentos, levando ao surgimento de uma proposta única, de uma solução original, de algo totalmente novo.

Por fim, o sétimo hábito diz respeito ao que o autor denomina de “princípios da autorrenovação equilibrada”.

De forma geral, é descrito como o hábito que torna todos os outros possíveis, porque é preciso parar para afinar o instrumento, ou seja, que sem cultivar as quatro dimensões de nossa natureza, a física, mental, espiritual e social/emocional acabamos ficando “desafinados” e sem uma capacidade muito boa de liderar ou mesmo de participar da orquestra.

“Esse é o investimento isolado mais poderoso que podemos fazer na vida – investir em nós mesmos, no único instrumento que possuímos para lidar com a vida e contribuir para a humanidade. Somos todos instrumentos para nosso próprio desempenho, e para atingir a eficácia precisamos reconhecer a importância de dedicar algum tempo, com regularidade, para afinar o instrumento”, resume o autor.