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Opinião: tendências de futuros como agentes de mudança

Saber escolher, olhando para diferentes realidades, exige que estejamos em constante processo de transformação e evolução

POR Redação Whow! | 20/04/2021 17h11 Imagem: Pexels Imagem: Pexels

*Por Carolina Strobel

Você já ouviu falar em South by Southwest? Para os que não conhece, este é um festival global que apresenta anualmente as principais inovações culturais e tecnológicas do mundo. Certamente, um dos programas essenciais aos curiosos pelas novidades em inovação, tecnologia e tendências. Este ano, ele voltou em formato 100% online e, durante cinco dias, estive em trilhas de aprendizagem que continuam reverberando por aqui.

O festival é famoso por incluir vários aspectos artísticos. Nesse sentido, fiquei surpresa com o filme de Lázaro Ramos: “Medida Provisória”, que é um longa metragem que deveria ter estreado em 2020, mas só foi apresentado agora. Teatral e profundamente emocional, a peça cinematográfica falou muito com o cerne da própria conferência, empatia e humanização.

Também gostaria de dividir alguns insights sobre outras duas apresentações que mexeram comigo.

Amy Webb e novas tendências

A palestra mais esperada da conferência, como sempre, foi da da profissional mais pop da futurologia quantitativa mundial. Sua apresentação foi dividida em três tendências:

1.You of things:  nosso corpo será uma rede que interage com os demais aparelhos;
2. Hiper realidade: o mundo será visto por meio de uma camada construída por dados;
3. Vigilância: a privacidade será substituída pela vigilância em benefício do todo (com exceção àqueles que puderem pagar por ela).

Todas elas, no entanto, convergem para cenários onde cada ser humano se torna (ou já é) metrificável e será “pontuado” por suas ações ou inércia. Com a evolução da Internet das Coisas e da Inteligência Artificial, o controle sobre as informações disponíveis na nuvem é transformacional.

Como sabemos que a China está em um caminho avançado nesta direção, os potenciais cenários são bastante tangíveis (e assustadores!).

Stacy Adams e NK Jemisin 

Stacy é uma ativista política norte-americana que concorreu ao governo da Geórgia pelos Democratas e NK Jemisin, por sua vez, um gênio da literatura moderna. A discussão dessas duas escritoras foi centrada na importância e na força das narrativas, além da crença de que elas servem como ferramentas à promoção de mudanças importantes.

Foram várias analogias ao seriado americano Supernatural, mas a conversa me engajou completamente quando elas discordaram em um ponto. Stacy falava sobre as recentes ondas de protesto nos EUA, quando NK fez um comentário: “Mas a gente não deveria precisar fazer este tipo de coisa”. Aí Stacy retrucou dizendo que, “temos, sim, a responsabilidade, como cidadãos, de nos manifestar sobre o que discordamos”. Afinal, a vida acontece no lapso entre uma eleição e outra, e precisamos nos assegurar de que temos o melhor que a sociedade pode oferecer.

Se apoiamos políticos que não acreditam no mundo que desejamos construir, obviamente, não podemos nos surpreender se somos desconsiderados na narrativa deles.

Minhas principais conclusões

Primeiro, a indústria da saúde está à beira de uma disrupção gigante. E, provavelmente, o próximo grande campo de batalha está nas mãos das big techs. Aliás, sobre elas, estas impactam a vida de toda a sociedade já que têm uma concentração altíssima de mercado e compram a rodo empresas menores e bases de dados. Com isso, não há como fugir do ecossistema delas, não é mesmo?

Por outro lado, tudo o que pude observar durante o festival foram analogias importantes e fortes para o que estamos vivendo no Brasil neste momento. O poderoso mantra “pessoas, poder e ação”  mostra como é importante que sejamos protagonistas das mudanças que desejamos ver no mundo.

Mas o que isso significa realmente? Que, a partir do momento em que nos vemos como agentes de mudança, tudo passa a ser possível.

Neste grande gamification da vida real, precisamos construir novas realidades — nem aumentadas tampouco reduzidas, mas realistas.

Saber escolher, olhando para diferentes realidades, exige que estejamos em constante processo de transformação e evolução.

Por isso, convido você a acelerar nesta nova desordem mundial e aproveitar a cota de riscos, oportunidades e aprendizados que temos pela frente.  Como a própria Amy Webb disse: “Tomar atitudes sobre o futuro é ser radical”.

Então, que sejamos cada vez mais radicais em espírito e empáticos nas nossas escolhas. O futuro será como a gente quiser.

Mãos à obra!

*Carolina Strobel é operating partner do fundo de investimento Redpoint eventures.


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