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Consumo

Opinião: Segundo momento do mercado de segunda mão

É hora de criar e definir a próxima década do mercado de segunda mão. É preciso que ele evolua, repensando e conectando pontos que ficaram soltos

POR Redação Whow! | 01/06/2021 08h43

*Por Isabel Garcia, Fundadora e CEO do Scamb 

O mercado de segunda mão finalmente ganhou o destaque que merecia. É gigante, tem um potencial absurdo e veio pra ficar. Não é mais uma modinha. Na próxima estação, continuará por aqui, firme e forte, seja qual for a tendência do momento.

De acordo com relatório de 2021 da ThredUp, um dos maiores brechós online do mundo, estima-se que nos próximos anos, nos Estados Unidos, o tamanho do mercado de roupas de segunda mão já ultrapasse o do fast fashion. Este é um dado impressionante, considerando o volume de consumo americano. Aqui no Brasil, as pessoas cada vez mais têm comprado a ideia deste movimento, repensando a forma como consomem ou, pelo menos, abrindo os olhos e ouvidos para entender um pouco mais sobre o assunto.

 Os principais motivadores para que as pessoas entrassem nessa economia há alguns anos estiveram muito relacionados a questões financeiras (vender para fazer dinheiro, comprar para economizar). Consumir itens de segunda mão não era algo visto como a primeira opção, mas como solução para  pessoas que passavam por situação financeira mais delicada em determinado momento. Hoje em dia, esses motivadores ainda existem, mas outros também vêm ganhando destaque para que as pessoas estejam buscando consumir segunda mão: sustentabilidade e consumo consciente, busca por peças únicas e especiais e acesso.

 Apesar deste assunto ter recebido destaque, sobretudo no último ano, algumas das empresas que ganharam notoriedade e hoje lideram este mercado estão na estrada há pelo menos uma década, trilhando um caminho que não dava sinais de ser tão promissor no começo. Essas empresas têm grande valor pois desbravaram este espaço e introduziram o assunto às pessoas, que há uma década tinham muito mais barreiras e preconceitos do que têm hoje. Tudo o que foi construído tem muito valor. Contudo, hoje vemos que algumas delas deixaram para trás os ideais e premissas originais, foram reposicionadas e repensadas como modelo de negócio. Nasceram do segunda mão e ao longo do caminho redefiniram o escopo. No caminho, deixaram de lado questões relevantes que deveriam estar diretamente conectadas ao assunto segunda mão, como sustentabilidade.

Mesmo com todas as grande transformações que o mercado da moda vem gerando, ainda se produz no mundo muito mais do que o necessário. Estima-se que, em 2025, 32 bilhões de peças de roupas sejam vendidas nos Estados Unidos, de acordo com o site statista.com. Do outro lado da cadeia, um recente relatório da BOF mostra que os EUA produzem mais de 15 milhões de toneladas de lixo têxtil ao ano (equivalente a aproximadamente 29 milhões de pares de jeans). Claramente, é uma matemática que não faz sentido. É necessário que soluções sejam pensadas para as duas pontas da cadeia.

É hora de criar e definir a próxima década do mercado de segunda mão. É preciso que ele evolua, repensando e conectando pontos que ficaram soltos. As propostas que hoje existem não necessariamente são sustentáveis ou resolvem questões que deveriam resolver. Uma nova onda de soluções – que olhem mais para o todo e para os impactos em toda a cadeia, para as complexidades das formas de consumo atuais e para o ciclo completo da indústria – precisa emergir.

 Com esse pensamento, após muito estudo e análises deste mercado em todo o mundo é que surge o Scamb. O Scamb faz parte da segunda geração das startups que propõem novas soluções para este contexto. É uma plataforma de compra e venda de itens de segunda mão com uma nova forma de consumo, em que coisas se transformam em moeda para a aquisição de outras coisas. O Scamb estimula a real circularidade e garante que ela aconteça, uma vez que se trata de um modelo de negócio em que as coisas circulam dentro da própria plataforma.

As notícias sobre o mercado de segunda mão que dizem mais do mesmo já são notícias passadas. Assim como o exemplo do Scamb, tem muita coisa boa acontecendo por aí. Vale estar atento ao movimento e a esta nova geração de startups deste mercado. Como consumidor, vale experimentar o que existe. Vale abrir-se ao novo e entender os impactos das atitudes individuais e buscar formas de consumo mais inteligentes e mais sustentáveis. Assim como o mercado de segunda mão, essa atitude não deve ser apenas uma tendência. Tem que vir para ficar. 

Mais sobre Isabel Garcia: Executiva com mais de 15 anos de experiência nas áreas de negócio e marketing em grandes corporações nas industrias de varejo e bens de consumo como C&A e Whirlpool. Entusiasta da economia circular, CEO e founder do Scamb.