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Opinião: quais competências as empresas procuram nos profissionais de TI?

vestibular Foto ilustrativa Iris Wang Unsplash capa

Image: Iris Wang (Unsplash)

*Por Roberta Lucio

Com o aumento da digitalização e o grande volume de informações circulando nos negócios, é cada vez mais comum empresas focarem esforços em modular suas gestões a partir da orientação por dados. Essa tendência tem gerado uma alta demanda por profissionais de TI, em uma busca por talentos que saibam transformar dados em informações relevantes e estratégicas.

Mas quais competências esses profissionais precisam ter? Os cientistas de dados são as pessoas que se dedicam ao universo Data Science. Porém, do operacional ao estrategista de negócios, há inúmeras formas de atuação e atribuições dependendo do objetivo da empresa. Vamos entender alguns:

  • Cientista de Dados: profissionais com a capacidade de gerar insights que auxiliem os negócios ou de promover automações de processos;

  • Engenheiro ou arquiteto de dados: foco na parte técnica de desenvolvimento da estrutura e operação de dados. No geral, estão diretamente ligados à infraestrutura de TI.

  • Engenheiro de Machine Learning: atua entre as áreas de ciência de dados e engenharia. Tem conhecimento em modelos estatísticos e aprendizado de máquina, e é capaz de implementar soluções de back-end escaláveis.

  • Analistas de Dados ou BI: responsáveis por olhar para a massa de dados e extrair informações que apoiarão tomadas de decisões estratégicas. Podem atuar com análise de dados de negócios e em áreas como produtos ou inteligência de mercado.

  • Governança de Dados: a principal função é garantir que os dados sejam gerenciados de forma estruturada, alinhando tecnologia, processos e pessoas. Neste universo, é fundamental saber interagir com pessoas e promover um ambiente colaborativo em cada processo, que pode incluir diferentes áreas.

  • Chief Technology Officer (CTO): é quem comanda toda esta orquestra de talentos. Um profissional C-level responsável por coordenar e liderar toda a área de Tecnologia, incluindo as operações de dados. 

Qual é a formação destes profissionais de TI?

Há muitos cursos no universo de Data Science no Brasil e no exterior. No entanto, com os dados cada vez mais no centro da estratégia das empresas, as especializações de profissionais de outros setores também têm aumentado. De acordo com o objetivo da empresa, os profissionais irão atuar e terão habilidades diferentes, conforme os perfis descritos acima.

Por exemplo, advogados que se especializam em Proteção de Dados e comandam este setor ou jovens de marketing que se apaixonam pelos dados e atuam com a geração de análises estratégicas para as corporações. O importante é que estes profissionais saibam analisar e capturar dados adequados à realidade da sua companhia, contribuindo para resultados efetivos.

Competências e soft skills que as empresas buscam

A atuação do cientista de dados não se limita à tecnologia e saber manusear dados. Existem outros dois fatores fundamentais: negócios e liderança. Isso mesmo!

Cada vez mais as estratégias e tomadas de decisões são baseadas nesses dados, por isso, o profissional precisa entender do mercado em que está e da sua empresa para identificar os insights relevantes para resolver problemas, otimizar resultados ou revolucionar modelos de negócios.

É por isso que a capacidade de se comunicar também é uma habilidade importante, para dialogar com diversas áreas, coordenar equipes, escrever um projeto ou defender uma estratégia. Os profissionais precisam ter características como resiliência, olhar holístico, autocontrole, autonomia e perfil de liderança.

Principais desafios para conquistar esses talentos

Por ser uma área recente e que teve um boom de procura nos últimos anos, o desafio tem sido encontrar profissionais de TI que se encaixem nas necessidades da empresa.

Por volta de 2013, iniciou-se uma corrida na busca por esses colaboradores, mas até 2015, as universidades não contavam com a formação multidisciplinar como temos hoje. Nosso país tem a maior brecha de trabalhadores digitais da América Latina e, segundo o relatório feito pela ONG Fundação Brava.

E até 2024 vamos precisar de quase 300 mil para suprir o mercado. A questão é que só conseguiremos formar 46 mil deles no período.

Além disso, existe outro fator de impacto: muitas empresas querem contratar seguindo a tendência de ter um responsável pelos dados, mas não sabem exatamente do que precisam, logo, não sabem como ou quem procurar. Por isso, reforço a importância de, primeiro, entender o seu negócio para então olhar para o mercado e buscar a pessoa que irá efetivamente contribuir para fazer a diferença no seu negócio.

O futuro da tecnologia está nas pessoas?

É claro que a evolução tecnológica é crucial. Mas existe algo que é inerente nesta revolução: o fator humano.

Tecnologia, processos e pessoas. Este é o conceito que vai guiar empresas inovadoras e irá nortear os negócios do futuro. Esta é a base para desenvolver o que chamamos de Inteligência Empresarial.

*Roberta Lucio é diretora de Recursos Humanos na Nexxys e tem 15 anos de experiência na área.


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