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Opinião: Lidando com a Disrupção 2.0 no mundo dos negócios

A Disrupção “Anno 2021” nos encoraja a encontrar novas maneiras de conduzir a gestão e a repensar como definimos nossas sociedades

POR Redação Whow! | 15/12/2020 15h00 Inovação disruptiva

* Por Anders Drejer e Christer Windeloew-Lidzélius

Pegos totalmente de surpresa pelas mudanças da Cuba Comunista em 1960, o principal personagem fictício da música 1988, de Warren Zevon, é jogado na cadeia e escreve para o seu pai a seguinte mensagem: “Envie advogados, armas e dinheiro, papai, me tire dessa!”. Na canção, o cantor e compositor americano trouxe uma frase que resume perfeitamente a primeira reação da alta liderança quando suas indústrias estão sendo rompidas. De alguma maneira, para a surpresa de muitos — inclusive nós que já trabalhávamos com gestão de inovação no final dos anos 1990 —o conceito de disrupção retornou criando um gigante interesse nos campos de pesquisas de gestão, no público geral e notoriamente entre políticos ao redor do mundo.

Tomemos como exemplo a Dinamarca, nossa terra natal: o atual governo nomeou um conselho consultivo para aconselhar o governo nos efeitos da disrupção à sociedade dinamarquesa. É curioso notar, que os membros do conselho consistem em uma seleção mista de altos líderes de empresas industriais tradicionais, representantes de ONGs e pessoas da elite cultural (incluindo um comediante), mas estranhamente nenhum cientista especializado em disrupção. Talvez, seja uma boa ideia dedicar algum espaço e esforço para rastrear as origens e os conteúdos de disrupção.

A ascensão da disrupção

Ao rastrear as origens da disrupção, é difícil não mencionar Clayton M. Christensen, que introduziu o conceito de “mudança tecnológica disruptiva” no seu influente livro “O Dilema da Inovação”, de 1998. E é verdade que a palavra “disruptivo” — o contrário do que chamamos de mudanças tecnológicas “sustentáveis” que ajudam os líderes de mercado a continuarem nessa posição — aparentemente foi cunhada por Christensen e sua teoria.

Entretanto, o autor estava longe de ser o único a reconhecer a importância das mudanças tecnológicas no campo da gestão e, ainda mais importante, ao relevante trabalho da alta liderança ao redor do mundo. Por exemplo, em 1995, Bettis & Hitt escreveram sobre esse mesmo assunto e pontuaram: “(…) a tecnologia está rapidamente alterando a natureza da competição no final do Século XX (…)” e, na realidade, foram editores convidados de uma edição do Strategic Management Journal inteiramente dedicada a discutir como a tecnologia vai mudar a natureza da competição e das estratégias nos próximos anos. Bettis & Hitt se referem à tal situação como “a nova paisagem competitiva”.

Nestas referências, é também crucial mencionar o trabalho de Downes & Mui. Ao mesmo tempo que Christensen e outros se depararam com mudanças tecnológicas, oferecendo algum tipo de explicação sobre o motivo das tecnologias e mudanças tecnológicas parecerem ter um impacto tão profundo na competitividade e estratégia, Downes & Mui observaram que o problema básico das mudanças tecnológicas é que elas, na maioria das vezes, acontecem muito mais rápido do que nós como pessoas, organizações e sociedades conseguimos nos adaptar.

inovação disruptiva A disrupção é capaz de destruir setores inteiros para criar novas soluções sobre seus escombros. Foto: (Shutterstock)

Disrupção “anno 2021”: uma força que muda a sociedade como a conhecemos

Para nós, é importante notar que o conceito de disrupção evoluiu desde suas origens. Quando a disrupção foi originada, o conceito era primariamente um avanço na teoria — um conceito que agradecemos à Clayton M. Christensen por ter nos ajudado a explicar que certos tipos de mudanças tecnológicas irão tombar os líderes do mercado para que surjam novos, enquanto outros tipos de tecnologia irão sustentar os líderes de mercado atual. Quando a ideia de mudança tecnológica exponencial surgiu, praticamente ao mesmo tempo, se tornou claro para muitos pesquisadores que a ideia de competitividade e, dessa maneira, gestão estratégica precisavam ser repensadas à luz da disrupção e dos efeitos da disrupção. Obviamente, isso era importante para a comunidade científica e para os líderes e empreendedores, pegando a primeira onda do que estava por vir, mas dificilmente percebido pelo público geral e seus representantes, os legisladores.

Desde então, isso mudou. Para o próximo ano, a disrupção “Anno 2021” não apenas nos encoraja a encontrar novas maneiras de conduzir a gestão em teoria e prática, mas a Disrupção Anno 2021 é uma força que já nos obriga a repensar como nós definimos as nossas sociedades, famílias e as estruturas sociais para sobreviver ao futuro.

Por fim, a ideia de que o conceito de disrupção, por um número de boas razões, mudou no decorrer dos anos é muito mais atraente para nós do que a alternativa. A alternativa de que os políticos simplesmente ainda não entenderam todo o nosso trabalho sobre disrupção nos últimos 20 anos ou fomos nós que falhamos em comunicar sua importância aos que se chamam de políticos?

Considere isso: os seus líderes nacionais reagiram com a devida agilidade à disrupção 2.0? Ou eles tentaram com advogados, armas e dinheiro?

* Anders Drejer e Christer Windeloew-Lidzélius são professores e mestres em inovação, convidados pela Saint Paul Escola de Negócios para ministrar os programas de liderança em meio ao caos no Brasil.