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Opinião: Inovação – a chave para a sustentabilidade do setor de saúde

Para entender essa explosão das healthtechs é importante também perceber que, além da crise na saúde acelerada pela pandemia, temos o crescimento do venture capital nesse setor

POR Redação Whow! | 17/05/2021 15h05

Vander Corteze é médico e CEO da Beep Saúde

Já não é de hoje que o setor de saúde no Brasil apresenta sinais de esgotamento. De um lado o SUS cada vez mais sucateado, do outro os planos de saúde cada vez mais caros com usuários e prestadores insatisfeitos. Por isso, é comum nas rodas de executivos da saúde a conversa sobre a necessidade de inovação para buscar novamente a sustentabilidade. 

Nesse cenário surgem as chamadas Healthtechs – companhias que utilizam intensamente tecnologia para trazer maior eficiência ao setor. Atuando nesse mercado há muitos anos, já pude ver teses de todas as “cores e sabores”. Destaco abaixo algumas entre tantas teses e players interessantes: 

Prontuários Eletrônicos: soluções hospedadas em nuvem para profissionais de saúde registrarem seus atendimentos de forma digital e de fácil acesso. Alguns vão além e oferecem protocolos clínicos e ferramentas de gestão financeira/administrativa para o consultório. Destaco nessa categoria: Feegow e iClinic.

Telemedicina: a queridinha do momento, fortemente acelerada pela pandemia e recentemente autorizada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), permite que pacientes consigam acessar profissionais de saúde pela internet. Aqui o meu destaque vai para Conexa e Docway.

Prescrição Digital: solução para médicos prescreverem medicamentos aos pacientes sem necessidade de documento impresso e carimbado. Também foi fortemente acelerada pela pandemia e anda de mãos dadas com a telemedicina. Aqui o destaque vai para a Memed.

Educação médica: Ferramentas que auxiliam o profissional de saúde na tomada de decisão e conduta diante do paciente. Destaque para a PEBMED, Sanar e Jaleko.

Operadoras de Saúde: novas opções aos já estabelecidos “Planos de Saúde” com foco maior na prevenção e coordenação do cuidado.Destaque para a Sami, Alice e Leve Saúde.

Além das teses acima citadas, acredito e me dedico à tese de serviços de saúde domiciliar com a Beep Saúde, startup que fundei em 2016, no Rio de Janeiro. A Beep hoje é líder no setor de saúde domiciliar, com mais de 20 mil casas visitadas todo mês e crescendo rápido. Atualmente oferece vacinas e exames laboratoriais no Rio de Janeiro, São Paulo, Distrito Federal e Paraná. Os planos são seguir em expansão geográfica e ampliar o leque de novos serviços, construindo uma “clínica de tudo” no smartphone dos brasileiros.

Para entender essa explosão das healthtechs é importante também perceber que, além da crise na saúde acelerada pela pandemia, temos o crescimento do venture capital nesse setor. Por isso, acredito que estamos observando um momento sem precedentes, semelhante ao vivido pelas fintechs há alguns anos, que culminou com o surgimento de empresas como NuBank, XP e Stone.

A grande dúvida é se essas empresas serão capazes de distribuir suas soluções primeiro ou se os atuais players – os incumbentes – vão conseguir inovar antes. Seja qual for o resultado, ganha o setor e ganha especialmente o usuário.