Opinião: A hora e a vez das healthtechs no Brasil - WHOW

Tecnologia

Opinião: A hora e a vez das healthtechs no Brasil

As healthtechs são, basicamente, startups voltadas para resolver os problemas do setor de saúde, e que têm uma área de atuação extremamente ampla

POR Redação Whow! | 21/05/2021 11h56

*Por Michael Nicklas, Managing partner da Valor Capital Group

Em um momento em que a pauta da pandemia domina as conversas em todas as esferas da sociedade, as pessoas estão mais preocupadas, mais atentas às próprias rotinas e buscando mais informação sobre temas de saúde. O sistema de saúde, por sua vez, precisa se modernizar e adaptar às novas demandas da sociedade. Como consequência, o mercado vive um boom liderado pelas healthtechs, que podem trazer soluções diferentes com agilidade e eficiência, tendo a tecnologia como viabilizadora dessas inovações. 

As healthtechs são, basicamente, startups voltadas para resolver os problemas do setor de saúde, e que têm uma área de atuação extremamente ampla, que envolve desde a utilização de inteligência artificial para análise de exames até chatbots para saúde mental e telemedicina, entre tantos outros exemplos. Essas startups estão acelerando processos que levariam anos, para poucos meses, porque contam com a tecnologia e a digitalização em seu DNA. A telemedicina, por exemplo, era proibida e por conta do COVID-19 o CFM oficializou a sua prática. A solução que já teve sua eficácia questionada por muitos, cresceu 316% no Brasil durante a pandemia¹, dada 

Essa combinação de fatores tem feito com que os investidores olhem para o setor com forte interesse e observem oportunidades no Brasil no curto prazo. No caso da Valor Capital Group, o foco é buscar parcerias com empreendedores visionários que constroem negócios transformadores, de startups em estágio inicial a mais maduras. O potencial das healthtechs nunca foi tão claro: em 2020 foram realizados 48 aportes, somando mais de US$105 milhões. Apesar de ter sido o ano de maior destaque, até então, 2021 chegou para superá-lo. Apenas nos dois primeiros meses de 2021, healthtechs receberam mais de US$90 milhões, em 12 rodadas de investimento. 

A Valor tem importantes investimentos em startups do setor no portfólio como Beep, Sanar, BoaConsulta, IterativeScopes, Vitalk, XPHealth e Sami. Entre os destaques de 2020, sem dúvida, está o plano de saúde Sami. Fundada em 2018, a empresa nasceu para mudar a relação entre o usuário e seu plano de saúde, através de uma experiência única. Com o objetivo de ser uma resposta ao atual sistema de saúde brasilerio, reduz drasticamente o custo da saúde por meio de tecnologia. Seus usuários contam com rede médica de referência, time de saúde dedicado, telemedicina 24h, entre outros, a um custo acessível – planos custam entre R$200 e R$400 por mês. Em 2020, a Sami recebeu R$86 milhões em aportes. 

Um outro exemplo é a prestação de serviços a domicílio, que já era relevante pela comodidade, tornou-se essencial para aqueles que queriam continuar a se cuidar sem se arriscar a uma exposição durante a pandemia. Cada vez mais, a tecnologia tem se mostrado chave ao viabilizar uma entrega de maior qualidade, logística eficiente, e democratizar o acesso à saúde A Beep, que também faz parte do portfólio da Valor, utiliza tecnologia para oferecer serviços de saúde a domicílio, como vacinação e exames, com custo acessível. Hoje, é líder no fornecimento de vacinas no Brasil e vem expandindo sua atuação para realização de exames laboratoriais, também em casa, para beneficiários de planos de saúde privados. Este ano, a Beep Saúde, foi pauta de uma série de matérias na imprensa, por conta dos investimentos recebidos, da ordem de R$110 milhões, em sua última rodada. 

Saúde é um mercado extremamente relevante (~10% do PIB global) e complexo com sua própria dinâmica e peculiaridade, que está passando pelo processo de digitalização da sua infraestrutura no Brasil. Serviços de qualidade, a preços acessíveis, com eficiência e conforto para o usuário são cada vez mais essenciais. Entre algumas tendências que vemos no setor estão: saúde prestada fora do sistema, aumento por soluções de saúde mental, personalização da saúde, e o aumento das aplicações de inteligência artificial, além de uma forte aproximação do setor de fintechs com a saúde.  Seus grandes desafios e oportunidades, atraem cada vez mais empreendedores e por sua vez investidores. Diante desse cenário, é fácil entender o potencial dessas startups de transformar a maneira como olhamos para a saúde no país.