Como fazer a diferença no mundo: o universo do impacto social - WHOW
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Como fazer a diferença no mundo: o universo do impacto social

O impacto positivo vem tanto do empreendedorismo social como da inovação social corporativa. Confira cases apresentados no Whow! Festival

POR Adriana Fonseca | 10/11/2020 12h40 Como fazer a diferença no mundo: o universo do impacto social Imagem: Shutterstock

“Vamos tratar do tema que o mundo está pedindo: inovação para impacto social e ambiental. Isso não pode ser relegado a um processo alternativo no modelo econômico.” Foi com essa afirmação contundente que Christina Carvalho Pinto, partner e brand strategist da Hollun, consultoria de cultura, marketing e branding integrados, iniciou um painel no Whow Festival de Inovação 2020 sobre o universo do impacto social.

A discussão girou, principalmente, em torno de como as grandes empresas estão endereçando o tema e de como atuam os empreendedores sociais. 

A diferença no mundo pelo impacto social

Candice Pascoal, CEO e fundadora do Kickante, a maior plataforma de financiamento coletivo na América Latina, contou que deixou uma carreira estável e com lucros para ser empreendedora social. “Eu gostaria de motivar mais gente a fazer isso, lucrar, sim, e fazer o bem”, afirma. Isso porque ainda hoje existe um questionamento de se é possível fazer o bem e lucrar com isso – ao empreender com foco no impacto social, por exemplo. Candice tem a resposta.

“É preciso mudar o conceito, porque deveria ser proibido ganhar dinheiro fazendo o mal para a sociedade.”

Candice Pascoal, CEO e fundadora do Kickante

O também empreendedor social, Eduardo Mariano, fundador e sócio-diretor da Exchange do Bem, uma empresa que conecta voluntários a projetos sociais ao redor do mundo, é mais um exemplo de executivo que deixou a carreira bem-sucedida para empreender. No caso dele, deixou o mercado financeiro.

Hoje, o que a empresa de Mariano faz é gerar experiências transformadoras para os voluntários, mas pensando sempre que o real objetivo é que seja uma experiência transformadora também para o projeto. Para isso, a equipe da Exchange do Bem vai com antecedência conhecer o projeto e monta uma equipe local para, a partir daí, começar a mandar os voluntários, que passam por uma capacitação prévia. “Queremos, ainda, que essa pessoa volte para o Brasil e comece a atuar com voluntariado na sua cidade também”, diz Eduardo.

Ainda que esse seja o foco do negócio, o empreendedor social cita um projeto em que a sua empresa se envolveu e que teve outro modelo de atuação.

Um orfanato de Gana mapeado pela Exchange do Bem teve problemas de alagamento em 2017 e isso estava danificando a estrutura do orfanato. Sem conseguir mandar voluntários que entendiam de engenharia para o projeto, o empreendedor começou a pesquisar como fazer a drenagem do terreno, a tubulação, etc. Percebeu que a obra custaria o dobro do faturamento da Exchange do Bem. Então, a cada viagem realizada, passou a arrecadar um recurso a mais para comprar matéria prima para usar na obra e contratou mão de obra local. A obra foi concluída em janeiro de 2020. 

Grandes empresas como foco em inovação social corporativa

impacto social Imagem: Pixabay

Renate Giometti, head de inovação e desenvolvimento de novos negócios da Nestlé, cita dois projetos. Um deles, o Vem de Bolo, é um novo modelo de negócio que a multinacional desenvolveu para o mercado informal, que apoia doceiras. Por meio de uma plataforma digital, a companhia ajuda as profissionais a venderem seu portfólio de produtos e chegar ao consumidor final. “Trazer o pequeno é um dos eixos principais desse processos sustentável”, comenta. O projeto foi destaque no Prêmio Whow! de Inovação 2020, na categoria impacto social. 

Em outra frente, a empresa suíça, com sede no Brasil, criou o Jogadeira, em que vende aulas esportivas para condomínios de classes A e B e a renda é revertida para projetos sociais na periferia. “A companhia vem se esforçando para fazer inovação para geração de impacto”, afirma Renate. 

Tulio Notini, diretor de corporate da Yunus Negócios Sociais, diz que há cerca de quatro anos a organização tem essa agenda de inovação social corporativa. “Vemos uma evolução”, afirma. “Se antes a conversa era difícil, entrando pelas áreas de responsabilidade social tradicional das empresas e de sustentabilidade, que foram superimportantes, hoje os clientes vêm das áreas de marketing, inovação e estratégia. Isso mostra que o impacto social não deve ser terceirizado e escanteado pelas empresas, restrito a uma área. Está sendo incorporado como uma estratégia real para um futuro de relevância.”

Essa relevância a que Tulio se refere está conectada à relevância social, o que a empresa está mudando de fato na vida do consumidor, do colaborador, em todas as partes que ela habita.

“A gente vem trabalhando com o conceito de inovação aberta, usando essa potência da inovação das empresas e aproximando-as de projetos sociais, fortalecendo parcerias.”

Tulio Notini, diretor de corporate da Yunus Negócios Sociais


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