Saiba o que faz um Product Owner - WHOW

Vendas

Saiba o que faz um Product Owner

Profissional responsável por conciliar satisfação do cliente com objetivos das empresas é cada vez mais requisitado no mercado de trabalho

POR Luiza Bravo | 29/05/2020 16h16 Arte Grupo Padrão (Érika Bernal) Arte Grupo Padrão (Érika Bernal)

Um profissional que desenvolve soluções para deixar clientes satisfeitos e ajudar a empresa a atingir seus objetivos. Se precisasse ser resumida em uma frase, essa seria a definição do Product Owner, também conhecido como PO. Em um mundo cada vez mais tecnológico, a demanda por esses profissionais só aumenta. Ainda assim, muita gente não sabe exatamente o que faz um PO e, por isso, não tem ideia de sua importância.

Começo do Product Owner

A figura do PO surgiu no fim da década de 1990, quando um grupo de americanos criou o Scrum, uma metodologia ágil pensada especialmente para desenvolver softwares. Até então, os desenvolvedores utilizavam a metodologia Cascata – largamente difundida na Construção Civil, por exemplo – para este fim. O problema é que esse framework fazia com que todo o processo se tornasse lento e pouco eficaz, algo inconcebível para uma área tão mutante como a tecnologia.

O Scrum foi inspirado no sistema de produção da Toyota, que transformou a indústria automotiva ao criar times multidisciplinares para a construção de partes de seus carros. Atualmente, é a metodologia ágil mais difundida entre as empresas, apesar de algumas também trabalharem com XP e Kanban.

O framework Scrum pressupõe a formação de times compostos por uma pessoa que cuida da gestão do produto digital – o PO, por um designer – responsável por desenhar a melhor experiência do usuário – e por desenvolvedores. Os grupos também contam com um  Scrum master, que gerencia os processos da equipe. Através desses times compostos por profissionais com diferentes especialidades, é possível criar um produto pronto para o usuário utilizar, de forma mais eficiente em termos de tempo, custos e satisfação do cliente.

product owner Foto ilustrativa Patrick Perkins (Unsplash)

O que faz um PO?

Existe hoje uma confusão muito grande no mercado brasileiro entre as figuras do Product Owner e do Product Manager (PM). Alguns acreditam que a diferença entre os dois cargos é grande, enquanto outros acham que não. “Existem empresas que usam nomenclaturas diferentes, mas que, na prática, os colaboradores desenvolvem as mesmas funções. Desde a concepção do Scrum, o papel do PO é o mesmo de um gerente de produto. Até em questão de salários, é tudo muito parecido”, diz a Product Owner da CargoX, Carolina Nery Vidal.

A principal missão do PO é pensar em como o investimento que a empresa faz em um determinado produto pode ser maximizado, ao mesmo tempo em que entrega valor para o usuário. Para isso, é fundamental descobrir o que os clientes desejam e entender as necessidades da empresa de maneira clara. “Muitas startups falham porque lançam um produto que ninguém quer, para o qual não existe mercado”, destaca Carolina.

Um produto pode ser tratado por um único time, ou dividido em partes, tendo uma equipe responsável por cada uma delas. É o caso do Nubank, por exemplo, onde cerca de 40 times cuidam do aplicativo do banco, que oferece diversas soluções.

O dia a dia de um PO é pautado pelo backlog – uma lista de atividades que precisam ser feitas em um produto. Essas tarefas são definidas em conjunto com o designer: juntos, eles avaliam os principais gargalos de determinado produto e o que pode ser feito para solucioná-los, sempre priorizando as tarefas.

Como se tornar um profissional no ramo

A primeira recomendação de Carolina para quem quer trabalhar como PO é tirar uma certificação em Scrum. “A Scrum Alliance e a Scrum.org que são as duas entidades hoje que cuidam disso. Existem escolas credenciadas no mundo inteiro por essas instituições para dar cursos de certificação”, explica.

O mercado de Product Owners começou a ganhar força com a crise financeira de 2008 nos Estados Unidos, quando muitas empresas quebraram, e não tinham como fazer grandes investimentos. O PO passou, então, a ser mais requisitado para definir o Mínimo Produto Viável que as empresas podiam lançar naquele momento. No Brasil, a profissão se tornou mais difundida a partir de 2014, junto com a adoção em massa dos smartphones (e o consequente lançamento de milhares de aplicativos).

Por se tratar de um mercado recente, Carolina diz que não é necessário ter uma graduação específica para atuar como PO. Para quem quer ingressar na profissão, além da certificação em Scrum, ela recomenda fazer cursos de gestão de produto digital e buscar fontes de informação sobre o assunto fora do Brasil, principalmente nos Estados Unidos, que estão mais maduros nesse aspecto.

Um PO ou PM pode trabalhar em qualquer empresa que tenha uma área de tecnologia e um produto digital, independentemente do segmento. Entre as principais habilidades comportamentais necessárias, Carolina destaca comunicação, empatia, humildade e forte habilidade de negociação. “É uma profissão do futuro porque, cada vez mais, vamos querer investir muito bem o dinheiro da empresa em um produto, e cada vez mais vamos querer deixar o usuário feliz”, conclui.


+NOTÍCIAS

Cidades inteligentes: dados e tecnologia a favor da mobilidade
A tecnologia pode ser sustentável?

As novas tecnologias serão capazes de consertar o problema crônico da mobilidade no Brasil?
O equilíbrio entre pessoas, processos e tecnologia leva à inovação?