O que está por trás da desigualdade racial no ecossistema brasileiro de startups? - WHOW

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O que está por trás da desigualdade racial no ecossistema brasileiro de startups?

Estudo da BlackRocks Startups mostra que há critérios excludentes para pessoas negras nos programas de investimentos no Brasil

POR Carolina Cozer | 18/03/2021 17h41

Um relatório do Crunchbase divulgado em outubro de 2020 revelou que apenas 2,4% dos investimentos de venture capital nos últimos sete anos nos Estados Unidos foram destinados à startups defundadores negros ou latinos. Se no país que mais investe em startups no mundo as estatísticas de equidade são baixas, no Brasil as coisas não são diferentes: a taxa de carência de colaboradores negros em startups nacionais é superior a 70%.

A análise surgiu através do estudo Panorama do ecossistema de startups no Brasil – Rumo à diversidade racial,desenvolvido pelo BlackRocks Startups e pela consultoria Bain & Company, que avaliou mais de 30 agentes do ecossistema brasileiro de startups.

Desigualdade com fundadores negros tem razões cíclicas

Enquanto 41% das startups de fundadores não-negros das regiões Sul e Sudeste do Brasil foram contemplados com algum tipo de aporte desde a sua fundação, apenas 32% dos fundadores negros passaram pela mesma experiência. Cerca de 91% dos participantes da pesquisa afirmaram que a diversidade racial no ecossistema é “inexistente” ou “muito abaixo do ideal”, além de declararem ineficiência ou ausência de ações voltadas à transformação dessa realidade.

Em meio ao diálogo com os agentes entrevistados, o estudo concluiu que a falta de práticas direcionadas à ampliação da diversidade é uma das razões pelo qual existe tamanha disparidade entre os perfis raciais nos bastidores e na linha de frente das startups.

Mais de 70% dos agentes de venture capital entrevistados afirmaram não notar a presença de fundadores negros em seus pitches. Contudo, os investidores que desenvolvem alguma ação voltada à equidade racial não concordam com essa afirmação, e garantem que há muitas startups de base negra no topo do funil ― mas que são invisibilizadas pela desigualdade do mercado.

Outro insight levantado pela pesquisa mostrou que a dedicação integral do empreendedor é um requisito obrigatório para 26% dos investidores de venture capital do país. Além disso, 56% afirmaram que rejeitam empresas com baixa maturidade no mercado, e 33% buscam empresas cujos fundadores sejam ex-funcionários de empresas de grande porte.

Considerando que pessoas negras estão subrepresentadas na sociedade e nas organizações, esse recorte excluiria automaticamente a maior parte da população negra brasileira.

De acordo com o IBGE, negros são 75% entre os mais pobres do país; logo, teriam uma probabilidade muito menor de conseguir largar seus empregos diários para se dedicarem integralmente a um novo negócio, além do baixo acesso a grandes empresas e universidades de luxo como Harvard e Stanford ― presentes em 40% do currículo de fundadores de startups unicórnio no Brasil.

O estudo também aponta atitudes que podem elevar a diversidade dentro os empreendedores de startups no Brasil:

-Monitorar métricas de diversidade racial em startups do pipeline e do portfólio;
-Aumentar a diversidade racial na liderança e times dos agentes, e em suas redes de contatos;
-Originar oportunidades por canais não-tradicionais;
-Incentivar maior diversidade racial nos times de startups;
-Assumir papel ativo na correção da assimetria de informação sobre o ecossistema;
-Ser aliado de agentes que lutam pela diversidade racial no ecossistema.

fonte: BlackRocks Startups e Bain & Company

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