O que é neurodiversidade e como ela pode influenciar seu negócio - WHOW

Pessoas

O que é neurodiversidade e como ela pode influenciar seu negócio

Pesquisas mostram que ter equipes com mais neurodiversidade pode ser benéfico para as empresas

POR Marcelo Almeida | 23/11/2021 23h55

O conceito de neurodiversidade abrange as pessoas com as mais diversas condições neurológicas.

Seja autismo, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), dislexia, síndrome de Asperger, autismo ou outra condição neurológica, o importante é reconhecer que o cérebro de algumas pessoas processa as informações e funciona de uma forma diferente do que é considerado normal, mas que isso não significa necessariamente algo negativo.

Criado pela socióloga australiana Judy Singer em uma tese publicada em 1988, o termo acabou dando maior visibilidade e de certa forma garantindo um maior senso de identidade a quem tem essas condições mentais, uma vez que permite que pessoas que antes se viam como isoladas em suas particularidades cognitivas consigam perceber que existe todo um grupo de pessoas com condições semelhantes.

Mercado de trabalho

Apesar dos avanços que as pessoas neurodivergentes (aquelas que possuem algum tipo de condição mental diversa) tiveram em várias áreas, elas ainda encontram dificuldade quando o assunto é trabalho.

De acordo com estatísticas do governo britânico de 2020, cerca de 78% das pessoas com autismo e 73% das pessoas com dislexia estão desempregadas. Trata-se de um número bem maior do que a média das pessoas com algum tipo de deficiência, que é de 46%, enquanto a média geral da população é de 19%. Com esses números, as pessoas com autismo representam o grupo com maior nível de desemprego entre todas as pessoas com algum tipo de deficiência no Reino Unido.

Aqui no Brasil, informações específicas sobre o nível de desemprego entre pessoas neurodivergentes nem estão disponíveis, mas o quadro geral é péssimo: a porcentagem de pessoas portadoras de deficiência que têm emprego formal não chega a 1%, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Pesquisas mostram, no entanto, que a contratação de pessoas neurodivergentes pode ser benéfica para as empresas, sobretudo porque elas possuem as mais diversas habilidades e podem ser extremamente criativas e focadas.

Um dos estudos mais abrangentes sobre a questão no ambiente de trabalho é o Neurodiversity at work (Neurodiversidade no Ambiente de Trabalho) do National Institute of Economic and Social Research (Niesr). Segundo ele, ter uma equipe com maior neurodiversidade pode ser benéfica para as empresas, sobretudo porque essas pessoas possuem muitos pontos fortes e muitas vezes são capazes de oferecer feedbacks e insights originais e únicos. Apesar de às vezes requererem algumas adaptações no ambiente de trabalho, pessoas neurodivergentes também se mostram extremamente leais a seus empregadores quando recebem uma oportunidade, sobretudo pela forma como são tratados de forma negativa em outros lugares.

De modo geral, a pesquisa concluiu que seria possível inclusive ganhar uma vantagem competitiva em relação a outras empresas caso os pontos fortes dessas pessoas fossem aproveitados de uma forma eficiente. Infelizmente, esses pontos fortes acabam passando despercebidos pela falta de inclusão no ambiente de trabalho.

Mas algumas empresas, sobretudo companhias que costumam pensar um pouco fora da caixa, como o Google, têm criado programas para a inclusão de pessoas neurodivergentes. Em julho, a empresa divulgou o seu Programa de Carreira para Autistas, que inclui atividades como treinar 500 gerentes para trabalhar de forma eficaz e empática com candidatos autistas.

Além disso, alguns autores apontam que a incidência de autismo já é considerável no Vale do Silício, mas que não necessariamente essas pessoas são diagnosticadas (outra questão que prejudica aqueles que são neurodivergentes é que muitas vezes eles nem têm conhecimento de sua situação).

Empresas como Microsoft, AT&T, IBM, Salesforce, HSCB, SAP e Bank of America também possuem programas para incluir pessoas neurodivergentes,