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O que é inovação disruptiva, e por que é tão importante?

Algumas inovações surgem de modo despretensioso, mas acabam mudando seus mercados para sempre. Saiba como e por que isso acontece

POR Carolina Cozer | 23/08/2019 13h35 Inovação disruptiva

A história está aí para provar que uma grande revolução não acontece do dia para a noite. Geralmente, muitas coisas surgem no caminho de algo que está para se tornar um marco histórico.

Tanto é que não é incomum ter muito trabalho e até um pouco de caos no meio. Com a tecnologia as coisas não são diferentes: muitas novidades surgem a todo instante, mas quantas delas realmente causam um impacto verdadeiramente transformador?

Uma inovação disruptiva, ou inovação radical, é aquela que altera completamente algum setor ou segmento da economia, partindo da ideia de que toda empresa bem-sucedida e estabelecida no mercado será um dia ultrapassada e ameaçada por uma startup, novata e muito menor, porém revolucionária.

Em outras palavras, é quando um novo produto surge no mercado, de forma simples, barata e despretensiosa, mas que acaba gerando um enorme impacto e mudando seu segmento em nível global.

Clayton Christensen, Prof. Dr. de Administração em Harvard e criador da teoria da disrupção, explicou um pouco sobre o conceito em uma entrevista cedida à sua Universidade:

“A inovação disruptiva não é aquela que pega produtos bons e os transforma em muito melhores, mas sim aquela que transmuta um produto que historicamente era tão caro, e tão complicado, que apenas algumas pessoas com muito dinheiro e muita habilidade tinham acesso a ele. Uma inovação disruptiva torna os produtos muito mais baratos e acessíveis, fazendo com que uma parte muito maior da população possa ter acesso a ela.”

Ele continua: “No início, a primeira manifestação da tecnologia digital era um computador mainframe que custava vários milhões de dólares, e levava anos para treinar uma pessoa para operar uma coisa daquelas. Isso significa que, naquela época, as maiores corporações e as maiores universidades só conseguiam ter uma unidade de cada. Mas aí houve uma sequência de inovações, que levaram o mainframe para um mini, um mini para um desktop, um desktop para um laptop e agora para um smartphone. Isso é a tecnologia democratizada ao ponto de todo mundo ter acesso a ela ao redor do mundo, e ela fica cada vez melhor. Foi muito difícil para os pioneiros da indústria captar essas novas ondas no início.”

Em seu livro, “O Dilema do Inovador”, Christensen explica que os produtos disruptivos tendem a ser “mais baratos, mais simples, menores e, frequentemente, mais convenientes de usar”.

São aqueles que alcançam novos mercados e crescem rapidamente, como aconteceu – e ainda acontece – com a tecnologia dos computadores. A tendência é que, caso as inovações não evoluam rapidamente, logo deixarão de existir em seus respectivos mercados.

Exemplos de tecnologias disruptivas

O exemplo mais claro de tecnologia disruptiva foi o serviço de streaming Netflix, que não surgiu com a intenção de se tornar um rival às TVs por assinatura, mas que acabou mudando esse mercado para sempre.

Inicialmente, a Netflix era apenas um serviço de entrega de DVDs pelo correio, que mudou as caras após esses aparelhos se tornarem obsoletos, passando a distribuir filmes online.

Por ser um nicho extremamente específico, e que não depende de mídias físicas, o seu custo de assinatura era muito baixo, e logo atraiu uma enorme atenção do público consumidor de filmes e séries, que estava insatisfeito com os enormes valores e mão de obra das TVs a cabo tradicionais.

inovacao disruptiva edit A gigante rede de aluguel de fitas cassete e DVDs viu seu império ruir diante do streaming de vídeo

Graças à Netflix, as TVs a cabo estão precisando se reinventar, baratear os seus custos ou oferecer uma série de novas vantagens para que não corram o risco de desaparecer do mercado.

Outro exemplo de disrupção é a Wikipedia (ainda mais aliada ao Google), que tornou obsoleta toda e qualquer pesquisa feita em enciclopédias tradicionais, mas que jamais teve a intenção de acabar com esse mercado, e sim apenas agregar um pouco de informação.

O WhatsApp também é um exemplo clássico, tendo surgido para ser um concorrente direto aos serviços de SMS, porém acabou mudando completamente a forma que nos comunicamos no mundo, inclusive em relação às chamadas telefônicas.

Quais serão as tecnologias que causarão disrupção na Netflix, Wikipedia e WhatsApp?


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