O que é CVC, e quais seus benefícios para a inovação aberta? - WHOW
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O que é CVC, e quais seus benefícios para a inovação aberta?

CVC é o investimento por grandes empresas em áreas diferentes de seus mercados. Mas por que esses investimentos ocorrem?

POR Carolina Cozer | 01/10/2020 18h28 O que é CVC, e quais seus benefícios para a inovação aberta? Foto: Markus Winkler (Unsplash)

No painel Qual a melhor forma de investir em inovação no agronegócio?, da 12ª Open Innovation Week (Oiweek), grandes corporações discutiram o uso do corporate venture capital (CVC) como ferramenta de inovação aberta, respondendo uma grande dúvida: por que grandes empresas investem em negócios de áreas distintas de seus mercados principais?

O painel foi mediado por Bruno Rondani, CEO da 100 Open Startups e Francisco Jardim, sócio da SP Ventures, e participaram três corporações distintas com investimentos no agronegócio ― mas que não são dessas áreas de atuação: Positivo Tecnologia, Bayer e BASF.

O que é o CVC, e qual é o seu propósito? 

Corporate venture capital (CVC) é o termo utilizado para grandes empresas que investem em startups com a intenção de criar novas ramificações para seus negócios.

No caso da Positivo Tecnologia ― responsável por 80% dos computadores que entram no país ―, a empresa havia sido criada com a intenção de democratizar a informática, baseando seu negócio na manufatura e distribuição de computadores e laptops acessíveis à população.

Segundo Graciete Lima, responsável pelo CVC da Positivo Tecnologia, em 2016, a empresa que mudou o nome de Positivo Informática para Positivo Tecnologia, porque não queriam mais ser apenas uma empresa de computadores, e sim atingir outros radicais de tecnologia. Desta forma, montaram uma equipe de investimentos e começaram a buscar outras empresas com esse mesmo propósito. 

Ocasionalmente, a Positivo Tecnologia passou a investir em agronegócio e saúde ― áreas que têm intensas aplicações tecnológicas.

CVC Foto: Markus Winkler (Unsplash)

A química do agronegócio

Semelhantemente, a BASF, uma das líderes mundiais da área química, passou a investir em startups para trazer novas tecnologias, digitalização e novos modelos de negócios para perto de si, com a empresa no centro, sendo a catalisadora de mudanças. 

Como o agrotech é um dos pilares da indústria química, está nos arredores dos investimentos da BASF, comentou Thais Perico, Investment Manager da companhia.

Outra empresa da área química que investe em startups de agronegócio é a Bayer. Segundo Bernardo Nogueira, Head of Licensing & Investment Partner da Bayer, uma das missões do CVC da empresa é transformar os agronegócios e ajudar agricultores a tomarem melhores decisões baseadas em dados.

“Todo agricultor toma centenas de decisões em uma safra, que antigamente era baseada ou em recomendação, ou em histórico, então o agricultor tem uma carência muito grande de tomar melhores decisões.”

Bernardo Nogueira, Head of Licensing & Investment Partner da Bayer

A parte fundamental da decisão da Bayer, segundo Bernardo Nogueira, é acreditar que o empreendedor e seus times têm a capacidade de transformar as suas áreas operacionais. Dentro da Bayer, especificamente, procuram startups que já tenham um modelo de negócio não necessariamente com faturamento, mas com alguma aderência.

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Geração de valor no centro de tudo

Para Francisco Jardim, um dos pontos mais importantes ― e mais delicados ― do venture capital brasileiro é que o ecossistema de inovação do País está começando a ter dinheiro demais, com projetos bons de menos.

Isso tende a ser uma coisa muito boa, segundo o investidor, porque o Brasil começa a virar o “paraíso do empreendedor”. Neste caso, a escolha da reputação de valores e de skills se faz mais relevante do que a relação financeira.

Dentro deste ponto, Thais Perico opina que a BASF não usa o venture capital como deal flow para M&A (mergers and acquisitions), porque, segundo ela, o grande foco da empresa é justamente trazer mais valor e mudanças para o setor, e não aumentar o portfólio e o market share da BASF.

“Uma das coisas que mais procuramos é conectar nossas portfolio companies com nossas unidades de negócios, para criar pilotos, codesenvolver ou criar acordos comerciais.”

Thais Perico, Investment Manager da BASF

Como estratégia oposta à maioria das outras grandes empresas, Positivo optou por montar uma equipe de investimentos do zero em vez de investir em um fundo. Graciete Lima diz que, através dessa estratégia, a Positivo quer se manter focada no próprio DNA, que é de construção de negócio.

“O foco do investimento é entender o que eles podem levar de útil à cidade e população em termos de hardware, e o que esses negócios agregam dentro da Positivo”

Graciete Lima, Responsável pelo CVC da Positivo Tecnologia


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