O que a gestão de uma comunidade de empreendedores ensina - WHOW

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O que a gestão de uma comunidade de empreendedores ensina

Com base em sua experiência com uma comunidade empreendedora em torno do e-commerce, Amanda Salim explica por que as redes sociais são tão importantes nos relacionamentos atuais

POR João Ortega | 09/07/2021 12h56

Por Amanda Salim, Head de comunidades LATAM da Favo, com exclusividade para o Whow!

As redes sociais mudaram definitivamente o relacionamento entre marcas e consumidores. O desafio aumenta a cada dia com a entrada de novos usuários interagindo nas redes sociais. E os números estão aí para comprovar: segundo o Digital 2021, série de relatórios produzidos em parceria entre We are social e Hootsuite, há 4,2 bilhões de pessoas conectadas nas redes em todo o mundo. Só no último ano, houve um acréscimo de pouco mais de 13% de novos usuários, o que corresponde a um total de 490 milhões de pessoas. No Brasil, ainda segundo o estudo, há cerca de 150 milhões de pessoas nas redes sociais (70,3% da população), e no último ano, registrou-se o acréscimo de 10 milhões de novos usuários ativos (7,1%).

Com tanta gente conectada e diversos perfis interagindo ao mesmo tempo, as empresas, ainda que cada vez mais empenhadas em atender as demandas do digital, de maneira geral ainda têm dificuldades em fazer algo primordial quando se gere comunidades (online ou offline), que é ser um ouvinte atento dos seus membros (aqui, no caso, clientes). Mais do que responder ativamente às demandas de seus clientes via mensagens, é preciso escutar ativamente a fim de construir uma ponte genuína de comunicação com essas pessoas.

As comunidades são, de fato, uma oportunidade de ouro – tanto para a descoberta ou aprimoramento de produtos ou serviços, quanto para as empresas vislumbrarem novas oportunidades de negócio. Uma gestão bem feita e cuidadosa de comunidades pode (e deve) fomentar ambas as possibilidades.

Como gestora de comunidades há mais de quatro anos, me descobri por acaso nessa função quando trabalhei no terceiro setor em um momento em que pouco se falava do tema ou da importância dele para os negócios. Com a experiência acumulada de mais de 16 anos como comunicadora, posso dizer com segurança que o que se busca nas redes sociais é senso de pertencimento.

As comunidades nos ajudam a atingir nossos objetivos. É ali onde acontece a conexão de sonhos e de projetos colaborativos. Os empreendedores se ajudam, criam novas oportunidades, compartilham ideias, desejos, trocam conhecimento e trabalham de forma unificada (ainda que muitas vezes nem se deem conta disso) para que esse ecossistema aconteça de maneira orgânica e estruturada. O reflexo disso são os empreendedores bem amparados (tanto no sentido prático, quanto emocional) para seguirem suas jornadas empreendedoras e realizarem seus sonhos.

Para fomentar esse sentimento de pertencimento, temos trabalhado por meio de algumas frentes de interação com a comunidade Favo. A primeira delas é um plantão de dúvidas semanal realizado por meio de uma videoconferência aberta a todos os nossos empreendedores. Por ali, olhando olho no olho (ainda que virtualmente), é possível compartilhar as novidades, promoções, tirar dúvidas e ampliar o networking.

A dinâmica acontece em salas temáticas, cada uma com seu próprio empreendedor facilitador previamente preparado e munido com as informações atualizadas para ajudar a resolver as questões de forma coletiva. O resultado? Já no primeiro ano da empresa, observamos a redução em pelo menos 50% dos tickets abertos na área de atendimento ao cliente no Brasil e 70% no Peru. Isso sem falar na conexão legítima que criamos entre as áreas internas e os empreendedores. Este vínculo social é essencial para que a comunidade perdure no tempo e promova todas as articulações necessárias a fim de que todos alcancem seus objetivos lá dentro.

Além disso, temos promovido digitalmente um ritual de reconhecimento de empreendedores. Aqueles que se destacaram no mês anterior dentro de diversas categorias são publicamente reconhecidos e presenteados. Todos eles têm a oportunidade de compartilhar seu conhecimento e ajudar os demais membros da comunidade com dicas e trabalho conjunto. Assim, propiciamos um momento de conexão entre as pessoas que estão unidas por um mesmo propósito e que ao mesmo tempo se ajudam e se fortalecem em comunidade. Há outros rituais mensais e quinzenais que conectam e marcam a vida dos empreendedores Favo – cada um com seu propósito e objetivo específicos. O que todos eles têm em comum é que proporcionam um sentido mais profundo à cada experiência compartilhada dentro da comunidade.

A gestão de comunidades, ainda que esteja apenas engatinhando no país, tem todo o potencial para se desenvolver dada a alta aderência da população no uso e engajamento nas redes sociais, mas, principalmente porque (sempre importante lembrar) nossa vida é feita de relações. Os relacionamentos nos abrem portas, nos apontam caminhos, nos ajudam a enxergar diferentes perspectivas e contribuem diariamente com a nossa caminhada, independente da direção que escolhemos. Empreender é complicado, mas se estamos em comunidade, certamente será mais fácil, mais prazeroso e mais bonito.

Favo é uma empresa pioneira na implementação da comunidade de compras em grupo na América Latina – novo modelo de comércio online de itens de supermercado baseado em micro localizações feito por empreendedores parceiros.