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O papel das pequenas e médias empresas na inovação

Brasil subiu cinco posições em ranking global de inovação, mas especialista avalia que potencial do país é bem maior

POR João Ortega | 01/10/2021 10h34

O Brasil subiu cinco posições no Índice Global de Inovação (IGI), um levantamento anual que ranqueia as nações de acordo com uma série de indicadores relacionados à inovação. Agora, o país ocupa a 57ª posição, o que corresponde à quarta melhor colocação se comparado apenas aos países da América Latina. 

Apesar da subida em relação ao ano passado, a avaliação de especialistas é de que a inovação brasileira ainda não atingiu todo o seu potencial. “Melhoria pequena perto do que deveríamos alcançar, tendo em vista os esforços do setor privado”, avalia Marcela Flores, diretora executiva da ANPEI, associação que fomenta a inovação no país, em entrevista exclusiva. . 

O IGI leva em consideração sete pilares fundamentais: instituições; capital humano e pesquisa; infraestrutura; sofisticação do mercado; sofisticação dos negócios; conhecimento e tecnologia; e criatividade. Dentro de cada um, há uma série de indicadores relacionados à inovação. 

No Brasil, são apontados pelo estudo como fortalezas do país alguns indicadores, por exemplo: propriedade intelectual, importação de tecnologia de ponta e investimento corporativo em P&D. Por outro lado, o país está atrasado em aspectos como: facilidade em começar um negócio, acesso a crédito, tributação e indústria criativa. 

É possível notar, neste sentido, que enquanto as fortalezas da inovação brasileira estão diretamente relacionadas às grandes corporações, as fraquezas impactam mais o segmento das pequenas e médias empresas. Ou seja, a desigualdade no setor privado, acentuada durante a pandemia, se reflete como um problema para a geração de inovação no país. 

“O ambiente de negócios ser apontado como uma fraqueza tem impacto muito maior para o pequeno negócio do que para a grande empresa. Estamos falando de coisa básica, como abrir um CNPJ”, explica Marcela Flores. “Startups e pequenas e médias empresas têm um papel muito relevante, especialmente quando se pensa em inovação aberta. As grandes empresas entenderam que as startups precisam fazer parte dos seus planos”. 

Dito isto, a perspectiva é otimista. Os investimentos nas startups estão crescendo em ritmo acelerado, assim como a digitalização das PMEs também foi acelerada durante a pandemia. De acordo com a executiva da ANPEI, a inovação no país, que hoje é “puxada” pelas grandes empresas, estará mais presente na vida dos pequenos negócios por dois fatores: políticas públicas e tendências de consumo. E, assim, o país deve continuar escalando posições no ranking IGI. 

“Os consumidores, cada vez mais empoderados, vão forçar que as empresas de todos os tamanhos não apenas se digitalizem mais passem por uma transformação digital real”, explica Marcela Flores. A transformação digital é o processo em que um negócio não apenas começa a vender online, mas repensa todo o modelo de negócio com uma visão mais centrada nas demandas do cliente. “Os agentes reguladores também tem o papel de fomentar a inovação. Podemos olhar para o caso do Open Banking, por exemplo. É uma estratégia de longo-prazo que vem sendo aplicada de forma coerente e está gerando uma demanda incrível, primeiro permitindo os bancos digitais, depois com o PIX e agora com a abertura de dados do setor financeiro”, destaca a especialista.