O modelo três horizontes de inovação se tornou ultrapassado? - WHOW

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O modelo três horizontes de inovação se tornou ultrapassado?

Framework estratégico da McKinsey pode trazer soluções para que empresas e startups sustentem inovações a longo prazo

POR Carolina Cozer | 09/03/2021 12h31 A disrupção é capaz de destruir setores inteiros para criar novas soluções sobre seus escombros Foto: (Shutterstock) A disrupção é capaz de destruir setores inteiros para criar novas soluções sobre seus escombros Foto: (Shutterstock)

Muitas vezes o grande desafio de empresas e startups não está na criação de inovações, mas sim na gestão e perenidade deste potencial a longo prazo. Afinal, ter muitas ideias e criar produtos disruptivos não garante, necessariamente, que a empresa conseguirá se manter sempre atraente no mercado.

Uma das estratégias de gestão de negócios inovadores mais populares chama-se Três Horizontes de Inovação, e foi elaborada pela consultoria McKinsey e apresentada pela primeira vez no livro A Alquimia do Crescimento, de Mehrdad Baghai e Steve Coley. A teoria nasceu como um recurso para explicar às empresas como sustentar uma tática de crescimento contínuo.

A estrutura se organiza em três objetivos, ou horizontes, que determinam como as prioridades devem ser divididas dentro das organizações.

Primeiro horizonte

O primeiro horizonte é o core business, ou seja, o negócio principal da empresa. A maior parte da energia e dos investimentos, em uma fração de 70%, deverão ser direcionados a esse propósito central, e ele deverá gerar receita de modo imediato ou a curto prazo. Os objetivos deste horizonte envolvem a melhoria de resultados dentro desse escopo, como ações de marketing e outras otimizações incrementais que possam expandir resultados rápidos.

Segundo horizonte

A finalidade do segundo horizonte é a criação de novas ideias a partir de produtos e serviços pré-existentes, lançando novas linhas para atingir novas fatias de mercados. Esta etapa compreende 20% dos esforços da organização, ou seja, deve funcionar como uma extensão do modelo principal, gerando uma fonte de receita secundária para a empresa em um prazo de até cinco anos.

Terceiro horizonte

O último horizonte incentiva a criação de negócios genuinamente inéditos na organização ― melhor ainda se também forem novos no mercado.

Nesta etapa a empresa deverá exercitar ao máximo o pensamento disruptivo, pois o primeiro e o segundo horizonte continuarão sendo os focos principais de investimento. Os resultados do horizonte três precisam ser evidentes desde o início, mas podem começar a gerar lucro em uma margem de até dez anos.

Aqui, a equivalência de mão de obra será de 10%.

Três horizontes de inovação, um modelo ultrapassado?

Embora a metodologia dos três horizontes seja bastante difundida, alguns especialistas em negócios inovadores acreditam que ela esteja um pouco datada, como é o caso de Steve Blank, empreendedor em série do Vale do Silício e responsável pela difusão do conceito de startup enxuta.

De acordo com o especialista, o modelo de atribuição de tempo de entrega para resultados dos três horizontes perdeu o sentido na última década, após tantos avanços tecnológicos.

Na ocasião da publicação do livro A Alquimia do Crescimento, em 1999, era comum que produtos e soluções disruptivas levassem uma década para serem elaborados. Agora, sobretudo após a difusão do conceito fail fast, fail often no Vale do Silício e das metodologias ágeis, sabe-se que nenhuma empresa realmente focada em inovação deverá se manter presa por tanto tempo em um projeto sem evidências de retorno.

“O modelo dos três horizontes ainda é muito útil como uma abreviatura para priorizar iniciativas de inovação. E mesmo hoje, algumas disrupções do horizonte três podem tomar longos períodos de desenvolvimento”, explica pontua Blank ao Bussiness Insider Review.

“No entanto, a armadilha do horizonte três é não reconhecer que, hoje, muitas inovações podem ser implementadas rapidamente, aproveitando as tecnologias existentes no primeiro horizonte em novos modelos de negócios ― e essa velocidade de implantação é perturbadora e assimétrica por si só.”

Steve Blank, empreendedor em série do Vale do Silício e responsável pela difusão do conceito de startup enxuta


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