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Tecnologia

Você conhece as femtechs?

O mercado de soluções digitais para mulheres ainda luta por espaço no Brasil e falta diversidade de gêneros nos fundos de venture capital

POR Adriana Fonseca | 17/12/2020 12h00 Você conhece as femtechs? Imagem Christina: Unsplash

O universo das femtechs – palavra que une as palavras “feminino” e “tecnologia” – engloba empresas ou startups que fazem uso da tecnologia para atender necessidades específicas das mulheres, principalmente as questões relacionadas à saúde e ao bem-estar.

Apesar dos cuidados com a saúde da mulher terem evoluído nas últimas décadas, outros anseios precisavam ser atendidos e é esse gap que passou a ser explorado pelas femtechs, fazendo uso da tecnologia para criar produtos e serviços.

O surgimento destas startups tem razão de ser, afinal, metade da população global é formada por mulheres.

Espaço para soluções para mulheres do grupo LGBTQ+

femtechs Imagem: Pixabay

Alied Monica, cofundadora da Elas&VC, movimento que apoia, conecta e inspira mulheres empreendedoras, investidoras e executivas em tecnologia, e integrante do fundo de venture capital Vox Capital, aponta os cinco principais segmentos cobertos pelas femtechs: 

  • Fertilidade
  • Saúde sexual e ginecológica
  • Estilo de vida e bem-estar
  • Gravidez e maternidade
  • Doenças crônicas

O mercado, ainda que tímido, vem ganhando corpo. O financiamento para as femtechs aumentou 812% entre 2014 e 2018, segundo dados da Rock Health, e o setor chegou a ser avaliado em US$ 50 bilhões em 2019. Destaque para o segmento de fertilidade, cujas startups receberam US$ 750 milhões em investimento, quase 80% do total de aportes. “Tem mercado a crescer”, afirmou Alied, durante evento da Wishe, um grupo de investimento focado em startups inovadoras lideradas por mulheres . 

Juliane Martins, também cofundadora do Elas&VC e integrante do Indicator Capital, comenta que também existem oportunidades em outras três áreas: 

  • Pré-concepção. “Ainda é um assunto deixado de fora da conversa, mas com oportunidades”, diz Juliane.
  • Apoio a cuidadoras. Nos Estados Unidos, 37% das mulheres fornecem cuidados tanto para pais idosos quanto para suas crianças, e há oportunidades de soluções que apoiem essas mulheres nessa dupla jornada.
  • Condições estigmatizadas. Nos Estados Unidos, uma em cada quatro mulheres tem dores menstruais angustiantes e a incontinência urinária e fecal afeta uma em cada três. “Cada vez mais empresas estão oferecendo auxílio digital para essas questões”, diz Juliane.

Alied complementa falando que também há espaço para novas femtechs que enderecem o tema da menopausa, com weareables e telemedicina, por exemplo, e que ofereçam soluções adaptadas às mulheres do grupo LGBTQ+. Educação sexual para jovens também é citado como nicho de oportunidade. 

Dentro do segmento de fertilidade, a americana Future Family levantou a maior rodada de investimento do setor até agora, US$ 118 milhões. A startup ataca a sensibilidade financeira ao tratamento de fertilidade, facilitando o pagamento por meio de uma mensalidade.

Já a Mojo, também dos Estados Unidos, recebeu uma rodada seed de US$ 1,8 milhão para tornar mais acessível o tratamento de fertilidade usando inteligência artificial e robótica para analisar espermatozoides e óvulos. “A femtech promove uma redução nos custos das clínicas”, comentou Alied. 

Femtechs no Brasil

No Brasil, duas destas startups mais representativas, segundo Alied, são a Theia e a Canguru. 

A primeira auxilia mães e pais a conciliarem a maternidade e a paternidade com a vida profissional. A startup criou uma clínica moderna híbrida, com atendimento presencial e virtual, centrada na gestante e pós-parto com equipe multidisciplinar, que vai de ginecologista a coach.

A empresa levantou R$ 7 milhões da Maya Capital e Kaszek Ventures. 

Já a segunda, acelerada pela Eretz.bio, uma iniciativa da Sociedade Beneficiente Israelita Brasileira Albert Einstein, desenvolveu um aplicativo que permite acompanhar a gestação. Ali as mulheres compartilham experiências, têm agenda e tiram dúvidas com especialistas. 

Juliane é enfática ao dizer que ainda falta representatividade de mulheres em fundos de venture capital e que também faltam saídas relevantes de startups desse setor.

“Ainda está em desenvolvimento”, disse no mesmo evento . Os ecossistemas europeu e americano já estão um passo à frente, segundo ela, com fundos fundados por mulheres e com tese voltada para mulheres. 


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