O impacto da pandemia no mercado de coworking - WHOW

Eficiência

O impacto da pandemia no mercado de coworking

Espaços de trabalho colaborativo viram demanda cair, mas projetam crescimento com retomada da economia e combinação entre o físico e o digital

POR João Ortega | 21/07/2021 14h14

Os espaços de coworking, em que profissionais de diferentes empresas e setores trabalham de forma colaborativa, encontram-se em um momento de inflexão. Por conta da pandemia, estes empreendimentos viram a demanda cair e tiveram de adaptar o negócio para entregar um valor para além da presença física. Com princípios de retomada econômica, o crescimento deste setor volta a acelerar, mas mantendo tendências intensificadas durante a crise.

No artigo anterior, exploramos os benefícios do coworking, em especial para empresas de pequeno e médio porte, e revelamos diversos dados sobre o setor. Vale destacar que as PMEs, segundo pesquisa global, ocupam 38% das vagas em escritórios compartilhados, acima de startups, de empreendedores individuais e de grandes corporações.

Agora, vamos explorar os impactos da Covid-19 no mercado de coworking, bem como as transformações pelas quais os empreendimentos passaram nos últimos meses.

Pandemia e coworking: dados de mercado

Em um levantamento realizado no Brasil em julho do ano passado, 57% dos escritórios colaborativos haviam perdido ao menos 60% do faturamento. Outros 40% relataram perdas de pelo menos 15% da receita. E somente pouco mais de 2% não sofreram impacto no período.

Dados como estes se refletem em pesquisas globais, que mostraram um encolhimento do mercado de coworking. A estimativa caiu de US$ 9,27 bilhões em 2019 para US$ 8,24 bilhões em 2020, o que corresponde a uma diminuição de 12% em um ano.

Mesmo após a reabertura dos escritórios, seis a cada dez gestores dos espaços de coworking não se sentiam totalmente seguros em recomendar a volta ao trabalho para seus clientes.

Por outro lado, mais de 70% se disseram otimistas em relação ao futuro do mercado de coworking. Novamente, este comportamento está alinhado aos estudos globais, que estimam que o setor vai voltar a crescer mais de 11% ao ano até 2023, até atingir US$ 11,5 bilhões em valor de mercado.

Tendências do mercado de coworking

Na visão de Laura Gurgel, especialista em gestão de comunidades e fundadora do Soul Working, os espaços de coworking existem para “gerar atrito” entre os clientes. “Eu preciso gerar atrito. Preciso fazer as pessoas se relacionarem de alguma forma. As pessoas têm que esbarrar umas nas outras para que surjam as ideias”, diz a empreendedora, em entrevista exclusiva ao Vida Loka, podcast do Whow! (assista abaixo).

Nesse sentido, quando os escritórios são fechados por conta do isolamento social ligado à pandemia, torna-se necessário encontrar novas formas de gerar atrito. Claro que, neste contexto, promover interações no ambiente digital é o caminho mais óbvio.

“Foi muito bacana ver o surgimento de serviços digitais e a virtualização do coworking”, revela Laura. “Começamos a fazer encontros semanais no ambiente virtual e teve cliente que conseguiu se relacionar melhor com as outras pessoas do que no ambiente físico”. Segundo a especialista, as barreiras físicas do escritório (como o fato de ter dois andares, por exemplo), faziam com que alguns dos clientes do coworking não se “esbarrassem”, o que foi possível em plataformas online.

O regime híbrido, no qual tanto o trabalho em casa quanto no escritório estão presentes na rotina de uma parcela dos profissionais, causa uma transformação necessária para os espaços de coworking. Por isso, uma das principais tendências deste mercado é a flexibilidade. Cada vez mais é necessário personalizar a forma como se atende os clientes e como se precifica o serviço. Afinal, haverá empresas que somente usarão o espaço durante alguns dias da semana, por exemplo, e por isso não podem arcar com os custos de um escritório tradicional.

Seguindo este raciocínio, outra tendência para o mercado de coworking é o crescimento de redes e parcerias de escritórios. Isto porque, com o trabalho híbrido, empresas ampliaram seu alcance regional de colaboradores. Assim, torna-se vantajoso para esses negócios pagar para uma marca de coworking que tenha sedes em diferentes cidades do país, atendendo assim toda sua equipe.

Por último, é importante destacar a tendência de continuar oferecendo uma experiência digital de coworking, mesmo com o retorno ao escritório. Ficou claro nos últimos meses que é possível promover uma experiência de networking em plataformas online e isto não deve ser abandonado. “O físico pode ser um meio de concretizar relações que nascem no ambiente virtual”, resume Laura Gurgel.

Assista ao terceiro episódio do Vida Loka Podcast abaixo: