O futuro dos sistemas de biometria pode estar nas nossas veias das mãos - WHOW

Tecnologia

O futuro dos sistemas de biometria pode estar nas nossas veias das mãos

Cientistas australianos desenvolvem método que escaneia veias para substituir falhas de biometria por impressão digital ou íris ocular

POR Carolina Cozer | 19/02/2021 18h00 Imagem: Unsplash Imagem: Unsplash

Já parou para pensar qual tecnologia virá depois dos sistemas de biometria e reconhecimento facial? Uma pesquisa elaborada por cientistas da Universidade de New South Wales, na Austrália, indica que o futuro dos leitores de identidade está nas veias das nossas mãos.

O sistema, cujo estudo foi publicado na revista IET Biometrics, se chama Vein ID (ou VID), e foi desenvolvido com base em 1.700 imagens coletadas por câmeras 3D em um grupo de 35 indivíduos. A solução promete ser mais segura e confiável do que as checagens por impressão digital ou íris ocular.

Sistema anti-trapaça

Segundo Syed Shah, pesquisador da Escola de Ciência da Computação e Engenharia da Universidade de New South Wales e líder do projeto, mesmo as tecnologias mais avançadas de biometria disponíveis no mercado não são totalmente seguras, pois podem ser facilmente clonadas ― ao contrário das nossas veias.

Ele explicou à CNN que é possível coletar impressões digitais de indivíduos após o toque em superfícies, ou utilizar fotografias digitais para enganar sistemas de leitura de íris. Há, ainda, quem utilize lentes de contato específicas para trapacear a inteligência artificial desses sensores.

Além das veias não poderem ser clonadas ou substituídas, elas são capazes de fornecer a identificação de indivíduos com uma precisão de 99%. Além disso, é preciso que a leitura das veias seja acompanhada de um gesto específico de punho, o que dificultaria ainda mais o roubo ou simulações de padrões individuais.

De acordo com a publicação da IET, o VID também será capaz de incorporar uma estratégia para identificar intrusos, ou seja, pessoas cujos padrões de veias não estão incluídos no conjunto de indivíduos inscritos. A precisão total dessa detecção foi de 96%, segundo o estudo.

Aplicação da futura biometria para smartphones e web banking

O VID trabalha através da captação e armazenamento dos padrões individuais de veias usando imagens infravermelhas obtidas de uma câmera de profundidade. Em seguida, os dados coletados são inseridos em um banco de deep learningcapaz de catalogar indivíduos ou identificar os que já estão catalogados.

“A presença de um projetor de infravermelho torna possível detectar o padrão das veias na imagem de infravermelho, pois o sangue nas veias atenua a luz infravermelha de maneira diferente de outros tecidos biológicos”, explica o estudo publicado na IET.

No futuro, os cientistas planejam inserir o sistema VID para bloqueio e desbloqueio de smartphones, computadores, web banking e até mesmo dispositivos de smart home.

Vale lembrar que a Amazon já faz algo similar, com o Amazon One, como o portal Whow! informou em outubro de 2020. O sistema da big tech utiliza as informações biológicas do cliente, como forma de identificar e autenticar um consumidor e os seus dados bancários. O seu funcionamento acontece através do cadastro da palma da mão do cliente em um dos aparelhos de cadastro da empresa.


+NOVAS TECNOLOGIAS

Novas tecnologias aplicadas à melhoria de processos
Brasil e Israel firmam parcerias em inovação na indústria e agronegócio
Startup foca em nova tecnologia para ganho de produtividade na indústria
Escola do futuro: 5 países estão preparando seus alunos para a Quarta Revolução Industrial