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O futuro das roupas: techwear e vestuário adaptável

O design de moda do futuro tem roupas impressas em máquinas 3D, adaptabilidade para pessoas com deficiência e recursos personalizáveis

POR Carolina Cozer | 08/11/2019 17h09 O futuro das roupas: techwear e vestuário adaptável Foto Alex Iby (Unsplash)

Tecnologia inclusiva não se trata apenas de computadores e máquinas para pessoas com deficiências. As roupas também dependem de inovações para se tornarem adaptáveis e acessíveis para todos. 

Pessoas com diversas características físicas, como esclerose múltipla, paralisias e distrofias, além de usuários de próteses e cadeirantes, encontram dificuldades para comprar roupas que atendam às suas limitações.

Há demanda no mundo da moda para tornar as roupas mais democráticas para todos os corpos, e todos os gostos, e algumas empresas estão investindo no desenvolvimento destas soluções.

roupa Foto Josh Appel (Unsplash)

Além da impermeabilidade

A tendência techwear busca desenvolver tecnologias que tornem as roupas mais práticas no dia a dia, através de tecidos especiais com propriedades que proporcionam diversos benefícios, como absorção de transpiração, movimentos anatômicos, conforto, resistência à água e à diversos tipos de climas.

Mas a techwear vai muito além daquelas jaquetas esportivas impermeáveis, cheias de bolsos; elas buscam ser, também, adaptáveis, personalizáveis e inclusivas, trazendo facilidades para o ato de vestir, ou que tenham espaços específicos para próteses, respiradores, sondas e bolsas coletoras.

Botões magnéticos facilitadores da colocação das roupas

Óculos com realidade aumentada

Impressões 3D com personalizações individuais

Calças com fechamento lateral para cadeirantes

Roupas sem costura ou etiquetas que atrapalhem processos sensoriais

Tecidos que permitem amplitude de movimento e conforto

Tecidos ativadores da circulação

Calçados e calças com ajuste de largura adaptáveis a inchaços de pernas e pés

Propriedades com absorção de suor, odor e urina

Acessórios que comportam e também ocultam acessos à cateteres, sondas e etc

Roupa feita em casa

A impressão 3D pode expandir as possibilidades criativas de design de moda. Os materiais que estão sendo utilizados para imprimir roupas, hoje, já são flexíveis, laváveis e podem ser passados à ferro, como as roupas que já estamos acostumados.

Como qualquer tecnologia em ascensão, porém, as roupas impressas ainda apresentam alguns desafios, principalmente no que diz respeito ao conforto e custo material. 

Por enquanto, estão sendo mais utilizadas na produção de pequenos acessórios e adornos, mas o foco é evoluir o recurso para que se torne possível criar roupas personalizadas e ajustáveis para cada tipo de corpo, o que seria um fator importante não somente para pessoas com deficiências, mas também para o meio ambiente, que sofre com a poluição gerada na produção dos tecidos convencionais.

Desafios estéticos

Uma matéria publicada pela Maekan aponta algumas lacunas que as roupas tecnológicas ainda apresentam no mercado. Segundo a matéria, a moda techwear ainda está um pouco em desacordo com alguns princípios de inclusão, sobretudo em relação à gênero e tipos de corpos.

Por enquanto, as roupas disponíveis ainda têm uma estética muito masculina, e utilizam o subterfúgio da moda unissex como sendo algo democrático – mas que acaba não contemplando pessoas que desejam uma estética dentro do que é considerado feminino.

Como as marcas esportivas estão liderando o ranking de produção e distribuição de techwear, também há uma brecha no mercado para roupas que tenham um design mais fashion e com menos cara de academia. PcDs também querem estar por dentro da moda, e expressar seus gostos pessoais através das roupas, e nem todos vão se sentir bem vestindo as mesmas calças folgadas diariamente.

Outro problema é a falta de cortes que sirvam em pessoas com obesidade, supondo que todos os corpos são magros e dentro do mesmo molde.

Mercado global

Uma pesquisa da Coherent Market Insights, publicada pela Vogue Business, indica que o mercado global de vestuário adaptável ​​deve crescer de US$ 278,9 bilhões (estimados em 2017) para US$ 400 bilhões até 2026. 

Algumas marcas importantes, como a Tommy Hilfiger e a The North Face, já oferecem algumas opções viáveis para pessoas com próteses ou cadeiras de rodas, mas ainda há uma carência muito grande no mercado para essas produções.


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