O futuro da alimentação é vegetal? - WHOW
Tecnologia

O futuro da alimentação é vegetal?

A indústria de alimentação investe em alternativas plant-based em nome da sustentabilidade e da saúde da população

POR Maíra Pilão | 12/11/2020 13h00

Segundo projeções da ONU, até 2050 o planeta terá mais de 9.7 bilhões de habitantes. Por conta disso, empresas ao redor de todo o globo se dedicam à extensas pesquisas para encontrar soluções na alimentação a fim de evitar a degradação dos nossos recursos naturais e diminuir os níveis de emissão de gases poluentes. 

Isso impulsionou uma nova onda plant-based no consumo, e mesmo em um mercado onde a proteína animal movimente 1.4 bilhões de dólares ao ano, presenciamos uma ascensão de pesquisas acerca de alternativas vegetais que supram as necessidades de consumo da população. Esse foi o tema do painel “Todo o Sabor da Inovação: A Revolução das Proteínas a Base de Plantas” , no Whow! Festival de Inovação 2020, mediado por Gustavo Guadagnini, Diretor Executivo da The Good Food Institute (GFI) e com a participação de Scheilla Campos, Gerente de Inovação na BRF e Luiz Augusto Silva, Presidente da NotCo

A tecnologia como aliada para uma alimentação cada vez mais vegetal

Grandes companhias utilizam-se de centros de pesquisas e parcerias com universidades para encontrar soluções tecnológicas que, aos poucos, sejam capazes de substituir a cultura da carne na vida do consumidor tradicional. Scheilla Campos, da BRF, conta como está sendo essa experiência:

“Há, hoje, uma tendência na redução do consumo de carne animal. A BRF procura compreender e se adaptar às tendências do consumidor, portanto nos utilizamos da tecnologia e parcerias de forma colaborativa para vislumbrar uma evolução no sistema. Hoje trabalhamos com a BRFhub, uma plataforma inovativa que nos ajuda a encontrar o que há de mais inovativo em relação à tecnologias. Além disso, possuímos uma plataforma de parcerias com universidades para entregar o plant-based da melhor forma ao cliente, sem perdermos a relação afetiva que o consumidor tem com a comida. Sentimos que ainda há uma grande relação afetiva com a carne, mas com a tecnologia buscamos alterar essa visão e acostumar as pessoas à carne vegetal”.

Essa relação afetiva do consumidor com a alimentação também é tema de atenção entre as startups do ramo, que buscam soluções disruptivas para mudar a mentalidade do consumidor: 

“Nosso sistema alimentar não funciona mais, seja do ponto de vista do consumo de água doce, da geração de gás carbônico ou do gás metano. Ao mesmo tempo em que nossos padrões de consumo não são mais viáveis aos recursos do planeta, as pessoas amam o que comem. A relação das pessoas com a comida é profundamente emocional: comemos, fazemos amizades, fechamos negócios à mesa. Então surge a dúvida: como podemos transformar o sistema alimentar sem afetar a experiência das pessoas?”. conta o presidente da NotCo no Brasil, uma startup dedicada à elaboração de alimentos veganos ― como hambúrgueres, leite e maionese ― com um sabor que remeta à sua versão “tradicional”. 

Startups e grandes corporações unidas 

Para Scheilla o público geral está, hoje, muito mais aberto à mudanças em sua rotina de alimentação do que há alguns anos. Ela acredita que a chave para isso esteja em uma comunicação transparente por parte das companhias: 

“Acredito que estejamos vivendo uma era global de conscientização dos consumidores, onde há um novo olhar para o valor do alimento. Há hoje uma maior preocupação do consumidor sobre o quanto vale a sua saúde, e talvez ele perceba que vale pagar um pouco mais caro por isso. O consumidor ainda está entendendo o que é carne vegetal, por exemplo. Ao mesmo tempo, a receptividade para esses novos produtos aumentou muito nos últimos 4 anos. Precisamos nos preocupar em explicar ao consumidor o que são essas novidades” 

A gerente de inovação da BRF também aponta que existem quatro fatores essenciais na produção da carne vegetal: “Textura, sabor, nutrição e preço. Buscamos todos os dias soluções para entregar isso da melhor forma possível”. E é nessa linha de pensamento que surgem as startups com novos olhares para um mercado de grandes corporações que, tradicionalmente, sempre fez as coisas da mesma forma. Para Gustavo Guadagnini, “As startups criaram muitas maneiras revolucionárias, não só pensando no produto final, mas com foco na maneira de se produzir esse alimento”. 

Luiz acredita em um futuro não competitivo, mas colaborativo em prol da evolução e da sustentabilidade

“Na minha visão existe muita complementaridade entre as startups e as grandes empresas  – acredito que na próxima década iremos falar muito de compartilhamento, cooperação e confiança. Ao mesmo tempo que temos as startups criando coisas novas, envolvendo novas tecnologias, novas formas de se fazer, novos olhares sobre o produto, temos toda a experiência das grandes empresas. Precisamos pensar sobre como cada um pode colaborar para que todo esse universo seja mais eficiente, mais limpo e mais sustentável”.


+WHOW! FESTIVAL DE INOVAÇÃO 2020

Os novos desafios da inovação no pós-pandemia
Os limites da solidão conectada: A vida sem sair de casa
A favela como laboratório de inovação
O futuro das energias renováveis no Brasil