O empreendedorismo no ESG - WHOW

Tecnologia

O empreendedorismo no ESG

A ideia é que o ESG, termo que ganhou muita força nos últimos anos, seja integrado na gestão das empresas e analisado por investidores.

POR Marcus Nakagawa | 10/02/2022 13h09

O ESG é um acrônimo para as questões Ambientais, Sociais e de Governança (ou em inglês Environmental, Social & Governance) que tem sido muito discutido pelas empresas no Brasil e no mundo. O termo, citado pela primeira vez na publicação Who Cares Wins do Pacto Global, em parceria com o Banco Mundial, em 2004. A ideia é que os fatores das três letrinhas sejam integrados na gestão das empresas e sejam analisadas pelos investidores.

O termo ganhou muita força após uma das maiores empresas de investimentos do mundo, a Black Rock, anunciar que só investiria em empresas que tivesse este foco de gestão e que buscasse a sustentabilidade empresarial. E tudo aconteceu agora na pandemia, momento em que muita gente acabou refletindo sobre os modelos de negócios, gestão, riscos e investimentos.

Com este movimento no mercado, muitas outras empresas de investimento começaram a solicitar estes indicadores de gestão de riscos mundo afora. Muitos fundos de investimento ESG foram criados e não param de se proliferar com as várias especificidades, como fundos de empresas liderados por mulheres, empresas com mais negros, com zero carbono na sua operação, entre outros. Já existem conversas globais para chegar a indicadores comuns ligados ao ESG como se tem o alinhamento para os dados financeiros como EBITDA, ROI, entre outros. Ou seja, logo mais todas as empresas fornecerão os seus dados de forma semelhante e comparável.

Grandes bancos começam também a cobrar estes tipos de informações para financiamento de grandes empresas, pois senão podem também perder os seus ratings de ESG por emprestar para quem possa ser um risco no seu score.

Mas, e o que o empreendedorismo tem a ver com estas grandes e médias empresas e o sua “tábua” de ESG?

Pois é exatamente aí que estão faltando empreendedores para ajudar estas empresas a mensurarem e fazerem a gestão do ESG. Podemos até chamar de ESGtech, startups que estão trabalhando com os temas ambientais, sociais e de governança, prestando consultoria, sendo fornecedoras destas corporações que precisam prestar contas para o governo, por exemplo, uma organização que ganhou a concessão de telefonia ou de estradas, ou ainda, uma firma que tem ações na bolsa de valores e precisa prestar contas para os seus investidores e donos de suas ações.

Empreendimentos que juntem a tecnologia, a ciência da gestão de dados com as questões do acrônimo que busca uma melhor governança, um cuidado com as questões ambientais e um impacto social cada vez mais positivo é o que se busca no mercado.

O Distrito, comunidade independente de startups brasileira, em estudo de 2021, chamada “Inside ESG Tech Report” mostra que a inovação agora está vindo das corporações também por meio dos Hackathons, programas de aceleração e Hubs de inovação. E estas criaram organismos independentes para gerir toda esta inovação aberta, programas e empreendedores como o Cubo do Itaú; o InovaBra, do Bradesco; a Wayra, da Telefônica; o Klabin Lab, da Klabin; a Aceleradora 100+ de sustentabilidade; da Ambev; entre outros mais.

Você conhece alguma delas? Não?! Então vá buscar mais informações, pois esta pode ser uma forma de você ganhar escala ou ter mentoria com os melhores do país e do mundo. Ainda nesta pesquisa do Distrito, das 551 Startups analisadas, 35% delas trabalham com a temática da Governança Corporativa, 30% com as questões sociais e 35% com as questões ambientais. Na questão de água e energia são 96 startups e a grande maioria foi fundada entre 2015 e 2018, com uma baixa agora em 2020 com apenas 11 empresas.

Colocar todo o ferramental tecnológico da indústria 4.0 como blockchain, inteligência artificial, computação em nuvem, cyber segurança, big data, internet das coisas etc., para funcionar no planejamento, implementação, verificação, auditoria e validação do ESG é o que temos para hoje e para o futuro.

E você, empreendedor que está na ideação ou teve um “cheiro” de alguma oportunidade de negócios, que tal conhecer um pouco mais sobre ESG e a sustentabilidade corporativa?

* Marcus Nakagawa é autor, palestrante e professor da ESPM; coordenador do Centro ESPM de Desenvolvimento Socioambiental (CEDS); idealizador da Abraps e da Plataforma Dias Mais Sustentáveis. Autor dos livros: Marketing para Ambientes Disruptivos, Administração por Competências e 101 Dias com Ações Mais Sustentáveis para Mudar o Mundo (Prêmio Jabuti 2019). www.marcusnakagawa.com @ProfNaka