O corpo fala, a biotecnologia entende - WHOW
Tecnologia

O corpo fala, a biotecnologia entende

Startups de biotecnologia inovam ao criar células cardíacas em laboratório e imprimir tecidos humanos. Saiba mais

POR Adriana Fonseca | 11/11/2020 19h10

Células cardíacas produzidas em laboratório e construção de tecidos humanos funcionais em bioimpressoras. Parece ficção científica, mas isso já existe no Brasil por meio de startups inovadoras da área da saúde.

Três biólogos empreendedores participaram de um painel do Whow Festival de Inovação 2020, que discutiu a biotecnologia. A primeira pergunta que foi feita aos três, que têm a mesma formação universitária, foi o que mais atrapalhou e o que mais ajudou na formação universitária para eles s se tornarem empreendedores. “A universidade prepara o aluno para empreender?”, questiona o médico Francisco Irochima Pinheiro, que hoje empreende sendo sócio da Ciência Ilustrada Studio no Rio Grande do Norte. 

Ana Luiza Millás, diretora de pesquisa e desenvolvimento da 3D Biotechnology Solutions, de Campinas, no interior paulista, afirma que as universidades brasileiras ainda têm um desafio grande para aplicar o conhecimento. “Muita gente diz apoiar isso, mas de forma geral a universidade ainda não sabe lidar com a parceria startup-academia”, diz. 

Ela conta que, no caso dela, os intercâmbios a ajudaram a empreender. Ela foi para a Inglaterra duas vezes e uma vez para os Estados Unidos. “Vi muita gente empreendendo lá e voltei achando que era possível.” Para Ana Luiza, empreender é algo que depende muito do próprio empreendedor, de ir em busca de conhecimento multidisciplinar. Ela mesma buscou múltiplos conhecimentos e fez diversas formações. “Depende de cada um buscar isso.”

Desafios de empreender no Brasil

Marcos Valadares, CEO da PluriCell Biotech, diz que a universidade cumpre bem seu papel de formação gerando conhecimento. “A gente vê isso. O conhecimento está lá dentro, a gente consegue acessar o que está acontecendo no mundo todo, tem laboratórios de ponta, acesso a intercâmbios. Mas existe um ‘gap’, que é a aplicação do conhecimento”, afirma. “Essa tradução a universidade ainda não está atenta a sua importância nisso. Esse papel ainda tem espaço para melhoria.”

Já Mário Luiz Conte da Frota Júnior, sócio-fundador e diretor-presidente da Regenera Moléculas do Mar, do Rio Grande do Sul, a complexidade do caminho academia-mercado ajuda a empreender. “Essa dificuldade cria uma casca que ajuda a enfrentar os desafios de empreender no Brasil”, diz. Ele conta que, ao terminar seu doutorado, não conseguiu fazer a aplicação prática que desejaria para suas descobertas. Foi a partir disso que nasceu a Regenera, uma empresa de base tecnológica com licença para bioprospectar a “Amazônia azul”, o que está nos oceanos, portanto. A partir dessa prospecção a empresa monta um banco de bactérias e fungos de origem marinha que fica disponível para bioprospecção, seja para demanda interna de pesquisa e desenvolvimento da Regenara ou de clientes externos. 

Entenda o que fazem as duas outras startups participantes do painel. 

3D Biotechnology Solutions

Fundada em 2017, a startup de Campinas desenvolve tecidos humanos. 

Inicialmente, o modelo de negócio estava no desenvolvimento da tecnologia. Com a fabricação de bioimpressoras a preços competitivos – o custo fica entre R$ 2 mil e R$ 50 mil contra R$ 100 mil dos modelos importados -, a empresa pivotou sua atuação para aplicação dos tecidos bioimpressos. 

Hoje, segundo Ana Luiza, existem 40 grupos de pesquisa trabalhando com engenharia de tecidos e 30 grupos com bioimpressão 3D.

O segundo produto da empresa são soluções in vitro para substituir cobais animais, principalmente focado em pele. O terceiro são modelos in vitro de câncer, simulando tumores raros. Em parceria com o AC Camargo Cancer Center, a startup vai começar a desenvolver a solução para fazer a medicina personalizada. O trabalho envolve pegar uma célula tumoral, simular o ambiente in vitro e testar alguns medicamentos personalizados para o paciente.

PluriCell Biotech

Fundada em 2013, a startup trabalhava, inicialmente, com produção de células humanas para pesquisa acadêmica. Em 2017 Valadares pivotou o negócio ao compreender que tinha em mãos uma ferramenta útil para potencial terapêutico, de terapia celular. Hoje, produz células humanas em laboratório para terapia em duas áreas: cardiologia e neurologia. 


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