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O campo da inovação na Raízen foca no relacionamento com as startups 

Em três anos de existência, a empresa já investiu mais de R$ 5 milhões no hub de inovação, de acordo com o gerente de Inovação Digital

POR Eric Visintainer | 22/10/2020 09h40 O campo da inovação na Raízen foca no relacionamento com as startups  Foto: Totem Rondonópolis (divulgação)

Quando se pensa em inovar, não há uma fórmula pré-pronta para as empresas. Cada uma precisa entender quais são as suas principais estratégias e desenhar uma tese de inovação para alcançar estas metas. No caso da Raízen, o foco está nas startups brasileiras. E o hub de inovação da empresa, chamado de Pulse, aparece no centro da atual estratégia de inovação.

O Whow! conversou com Pedro Noce, gerente de Inovação Digital da companhia, que também atua como líder do hub. O objetivo, segundo o executivo, é abrir as portas da Raízen para as startups. “Assim, queremos habilitar a empresa para as startups e testar as soluções delas. Queremos ser um facilitador para ter esta engrenagem de engajar os dois mundos, para agregar valor a eficiência e trazer produtividade”, comenta.

Piracicaba: o Vale do Silício da Raízen

A empresa que atualmente atua no desenvolvimento e comercialização de combustíveis, além da produção de açúcar e bioenergia, tem utilizado projetos-piloto pagos, com as startups, para levar soluções ao campo, literalmente. “Trazemos toda a cultura e forma de trabalho do startupeiro, trabalhamos muito o conceito de MVP e testar rápido para errar rápido e ser data-drive”, diz Pedro.

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O executivo ressalta que, no médio prazo, há o objetivo de criar um grande ecossistema de inovação. Ele cita os componentes que desenvolveram o Vale do Silício, como diferentes players e todos pensando em inovação e trabalhando colaborativamente em prol de um benéfico maior, como inspirações para este futuro cenário na empresa. 

Criado há três anos, o Pulse já realizou a conexão da empresa brasileira com cerca de 300 startups, que desenvolveram de mais de 50 projetos-piloto, sendo 15 contratos ativos em escala comercial. A sede física está no município de Piracicaba (SP), assim as startups ficam próximas das fazendas e do maquinário da companhia.

“Nesses três anos do Pulse, vimos que as iniciativas já geraram resultados próximo a cinco vezes o valor investido”, explica Pedro. 

O começo e próximos passos

O gerente de Inovação Digital da Raízen descreve que, por conta da necessidade de inovação constante no agronegócio, mesmo antes do Pulse, a empresa já inovava através de Pesquisas & Desenvolvimento, Merge & Aquisitions e com o desenvolvimento de novas tecnologias. Ele ainda descreve que, alguns colaboradores da empresa foram visitar o Vale do Silício em 2016 para se aprofundarem no tema da inovação aberta.

“Agora que temos o plano de expansão para o campo oposto, com o cultivo e plantio da cana de açúcar até a distribuição de combustível, também estamos olhando para startups de rh, logística, trade, em todo o portfólio, com um olhar na inovação aberta para todas as áreas”, diz.

Mesmo com a pandemia, Pedro comenta que o espaço virtual do Pulse funcionou, e por isso, ainda não há um plano de expansão para uma segunda sede física do hub. No entanto, novas parcerias estão no horizonte próximo. Uma delas foi o recentes contato com o AgriHub Space, localizado em Cuiabá (MT), que conecta empresas, produtores rurais, startups e o ecossistema de inovação do Estado.

A digitalização e a sustentabilidade do negócio também estão nos planos da companhia, através da tecnologia e inovação, sendo grandes aceleradores para este processo.

“A Raizen quer ser uma empresas que vende tecnologia de produção de etanol e energia limpa. Para isso, ela precisa de sustentabilidade no sentido mais amplo.”

Pedro Noce, gerente de Inovação Digital na Raízen

Investimentos e desafios em inovação na Raízen

inovação na Raízen Em três anos de existência, a empresa já investiu mais de R$ 5 milhões no hub de inovação. Imagem Scott Graham: Unsplash

A área de inovação tem mostrado interesse em soluções que podem mirar um produto e mercado competitivos. De acordo com Pedro, já está em discussão a aquisição de startups. “Não temos nenhuma negativa em não fazer, somos uma página em branco e temos a possibilidade de escrever para onde queremos ir”, conta. O executivo também diz que, a companhia tem fundos de investimento parceiros e, com a maior vivência no ecossistema de inovação, isso lhes garantiu uma maior confiança para o próximo passo.

O gerente de Inovação Digital da companhia afirma que os investimentos em inovação estão em alta, principalmente nos POCs (Proof of Concept). Pedro complementa que, todo investimento feito pela Raizen no Pulse já foi pago com os novos processos de eficiência e a parte industrial, por conta dos projetos-piloto. Nos três anos do Pulse, já foram investidos mais de R$ 5 milhões, entre a estrutura do hub, realização e promoção de eventos, além de mentorias e apoio às startups. E a empresa habita o Top100 Open Corps da 100 Open Startups.

Mesmo ao utilizar os conceitos e ferramentas de Design Thinking e Lean Inception, o executivo descreve que um dos principais desafios da inovação na Raízen tem sido trabalhar a cultura da experimentação. “As pessoas chegam com as soluções prontas nas áreas, sem saber o problema ao certo”, diz. “Uma empresa como a Raízen, acostumada a trabalhar com projetos gigantescos, hoje não funciona tão bem quanto antigamente. Precisamos trabalhar rápido para ver a se tese é valida, para testar com a startup. E para trabalhar com as startups precisamos ter uma amplitude de trabalhar com varias, pois algumas não vão dar certo”, conclui.


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