Novos modelos de negócios para internet das coisas nas casas com 5G - WHOW
Vendas

Novos modelos de negócios para internet das coisas nas casas com 5G

Empresas brasileiras já estão atuando nesse mercado, mas ainda com soluções básicas. Confira as aplicações possíveis neste relatório da Accenture

POR Adriana Fonseca | 14/08/2020 19h54

“Assumimos que a noção tradicional de casa como um abrigo logo será inteiramente substituída pela nova mentalidade de que ‘em casa está em toda parte’.” Será mesmo? Essa frase está no estudoA casa do futuro na era 5G, elaborado pela consultoria Accenture.

A ideia central por trás dessa frase é de que qualquer coisa que significa casa para nós – desde a temperatura do ambiente e a qualidade do ar favoritas até salas de entretenimento e educação, fitness e dispositivos de saúde, recursos de segurança de porta e conteúdo de geladeira – em breve será emulado em excelente qualidade por meio de tecnologias inteligentes onde quer que a gente esteja: em um veículo autônomo, em um resort de férias, em um cruzeiro de lazer. “Isso significa, em essência, que nossa casa vai se transformar em um envelope enrolado em torno de nós durante todo o dia”, aborda o estudo.

Essas casas inteligentes do futuro se diferenciam do conceito de casas inteligentes do qual se fala há mais de dez anos, cujas funcionalidades sempre estiveram mais restritas a um contexto de automações básicas relacionadas à visualização de câmeras remotamente, sistemas de som, conexão com alarmes e alguns dispositivos de segurança. “Talvez, o melhor nome para esse modelo seja casas automatizadas ou até conectadas”, pontua Paulo Tavares, diretor-executivo da Accenture, ao Whow!. 

Evolução das casas com 5G

Segundo ele, na evolução das casas conectadas, as chamadas casas inteligentes do futuro, cujo início já vemos há dois anos, adicionam elementos de inteligência artificial, visão computacional, analytics, muitos recursos na nuvem, dentre outros que já começam a estar presentes nos principais assistentes digitais como os da Amazon,  Google, Apple e Samsung, e se estendem a um ecossistema de dispositivos e plataformas que garantam a interoperabilidade e colaboração.

“O 5G se apresenta como uma promessa real para endereçar os diversos desafios e barreiras ainda existentes relacionados a capacidade de rede – conectividade e velocidade, tempo de resposta (latência) e eficiência energética dos dispositivos.”
Paulo Tavares, diretor-executivo da Accenture

Ele explica que a casa inteligente otimizada contará com várias soluções de conectividade trabalhando em sincronia para habilitar na ordem de cem vezes mais dispositivos conectados em comparação às redes 4G atuais. “Espera-se que a vida das pessoas seja beneficiada numa jornada diária que começa até mesmo antes de acordarem”, afirma o diretor-executivo da Accenture. E Paula exemplifica: 

“A casa obtém informações do meio (tráfego, clima, eventos) e inicia uma reconfiguração das soluções programadas e automatizadas (alarme, cafeteira, sprinklers de jardim, etc) de forma a trazer mais conforto, agilidade e tempo disponível para as pessoas. Além dessa conectividade ampliada, o 5G traz possibilidades de explorar várias outras comodidades sem sair de casa, como experiência de comunicação por realidade virtual com pessoas em outros lugares, maior capacidade de interações com jogos de internet, home work, homeschooling, temas relevantes no momento atual.”

1. Hiperconexão e hiperpersonalização da vida diária;

2. Adoção rápida e fácil das novas gerações (millennials e geração Z), que serão os principais arquitetos da casa do futuro;

3. Busca por facilidades e conforto em uma sociedade com maior concentração de pessoas idosas;

4. Abordagem cada vez maior do “faça por mim” (Do It For Me – DIFM) em vez de “faça você mesmo” (Do It Yourself – DIY), fazendo a sociedade exigir soluções personalizáveis, autoconfiguráveis e autoatualizáveis;

5. Maior uso de soluções que permitam se conectar ao mundo mesmo quando isolados fisicamente.

fonte: Accenture

Ainda que já se fale sobre as casas inteligentes no contexto do 5G há cerca de dois anos, ainda existem vários desafios tecnológicos e culturais a serem abordados e que impactam na adoção em massa do conceito de casas do futuro. Entre elas:

  • Interoperabilidade: a grande maioria dos dispositivos voltados à casa do futuro possui soluções e padrões proprietários e não se comunica adequadamente entre si. Esforços como a recente aproximação entre Apple, Google e Amazon com o objetivo de solucionar esse desafio são sinalizações bastante positivas para o avanço em direção a um modelo sustentável.
  • Segurança cibernética: esse é talvez o desafio com maior criticidade na visão dos usuários, uma vez que o aumento do número de dispositivos conectados aumenta o que chamamos de “superfície de exposição” de dados pessoais. Com isso, não basta que toda a infraestrutura necessária seja planejada e implementada seguindo boas práticas como a criação de redes seguras e confiáveis. É preciso que a população saiba que há preocupação de todos os envolvidos, desde provedores de soluções, serviços e comunicação, mas também dos órgãos reguladores.
  • Capacidade de rede: principalmente associadas a latência, uma vez que o tempo de resposta dos dispositivos IoT para execução de tarefas mais complexas no contexto de casa inteligente. Por exemplo, remote health care ou alarmes de segurança e monitoramento contra detecção de vazamentos de gás precisam ser o menos trabalhosos possível.
  • Consumo energético deverá subir com o aumento da demandas por mais dispositivos conectados, algo que de fato o 5G deverá resolver com a prometida melhoria na eficiência energética da rede dos dispositivos em até 90%.
  • Custo para o usuário final: este poderá ser um dos fatores que mais atrasará a adoção em massa. É certo que o desenvolvimento tecnológico leva a produção de dispositivos e aparelhos domésticos com maiores graus de automação e inteligência a valores cada vez mais acessíveis para a população em geral, mas para se usufruir de todos os casos de uso de uma casa do futuro com infraestrutura de comunicação adequada, serviços de assistentes inteligentes suportados por aplicações na nuvem e, portanto, via internet de forma completamente interconectada, é necessário investimentos ainda mais altos.

Casas inteligentes no Brasil

O mercado de casas inteligentes no Brasil tem acompanhado as tendências globais, segundo Paulo, e crescido nos últimos anos na casa de dois dígitos. Até 2024, a previsão da empresa Statista era um crescimento acima de 20% no Brasil, contra uma previsão na ordem de 15% globalmente. “No entanto, com as caracteríscas únicas geradas entre o ciclo de ofertas e demandas em função da pandemia é ainda prematuro avaliar como se comportarão, de fato, as previsões”, afirma o executivo.

Nesse cenário, várias empresas brasileiras de dispositivos domésticos e construtoras estão engajadas no tema de casas inteligentes, diz Tavares, mas as soluções ainda são mais básicas, envolvendo dispositivos de automação residencial (com controle restrito de iluminação, sistema de som, fechadura digital, sensores com central de controle). Segundo a Associação Brasileira de Automação Residencial (Aureside), estima-se que 300 mil residências já são equipadas com algum grau de automação.

“Para a casa do futuro, espera-se a maior interoperabilidade entre dispositivos prevista com a adoção da tecnologia 5G e seu conjunto de protocolos e padrões de conectividade”, diz o diretor-executivo da Accenture. “Nesse contexto, abrem-se oportunidades para inovação, buscando soluções disruptivas mas também viáveis para a cenário brasileiro. As operadoras de telecomunicações estão engajadas e avançando em iniciativas de fomento montando ambientes colaborativos com diversos atores: fornecedores de tecnologia de comunicação 5G, fabricantes de dispositivos, centros de pesquisas, universidades e a própria sociedade.”


+ 5G

Claro espera que 5G acelere em 30 vezes a transferência de dados
Tendências e o futuro da Internet das Coisas
Xiaomi e a aposta em celulares carregados por energia solar
3 formas para as pessoas entenderem sobre os dados